terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Acordo Boeing - Embraer Deve Viabilizar Uso Comercial de Alcântara

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo postado ontem (22/01) no site “MEON”, destacando que o Acordo entre a EMBRAER e a BOEING deve viabilizar o uso comercial de Alcântara.

Duda Falcão

REGIÃO

Acordo Boeing - Embraer Deve
Viabilizar Uso Comercial de Alcântara

Empresa americana visitou o centro de lançamento em dezembro

Tânia Campelo
São José dos Campos, 22 de Janeiro de 2018 às 08h15
Atualizado em 22 de Janeiro de 2018 às 08h46.

Foto: Arquivo/Divulgação
Centro de Lançamento Alcântara, no Maranhão.

O acordo Boeing-Embraer deve viabilizar parcerias entre Brasil e Estados Unidos no setor espacial, incluindo a concessão do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão. Desde o ano passado, o governo brasileiro negocia com o governo americano um AST (Acordo de Salvaguardas Tecnológicas) que possibilitaria a exploração comercial da base de lançamento.

A Boeing é líder global do setor espacial e principal fornecedora de serviços da Nasa (agência espacial americana). Já a Embraer ingressou na área recentemente, em 2012, com a criação da Visiona, uma joint venture com a estatal Telebras, que atua como integradora do PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaciais).

Segundo duas fontes ouvidas pelo Meon, um acordo entre a fabricante brasileira e a gigante norte-americana seria praticamente uma imposição americana para viabilizar a aprovação do AST (Acordo de Salvaguardas Tecnológicas).

A parceria estratégica no setor espacial estaria incluída no pacote que está sendo negociado entre a brasileira e a Boeing. A Embraer divulgou, no dia 22 de dezembro, que discute uma eventual combinação de negócios com a gigante americana, porém não revelou detalhes das negociações.

As discussões neste sentido estariam ocorrendo a toque de caixa, segundo uma das fontes ouvidas pelo Meon. O objetivo seria fechar o contrato de concessão do CLA com os EUA antes das eleições presidenciais --ou pelo menos garantir a aprovação de um modelo que atenda aos interesses dos dois países.

Há anos o Brasil tenta uma aliança com os EUA no setor espacial. Em junho do ano passado, o governo Michel Temer enviou um novo AST ao Pentágono (sede da Defesa dos Estados Unidos) --se aprovado pelos americanos, o documento ainda deverá ser submetido ao Congresso Nacional.

Somente com a aprovação do AST o Brasil conseguirá abrir a base de Alcântara para atender ao mercado internacional de lançamentos privados. Segundo o Ministério da Defesa, a exploração comercial do CLA poderia gerar até US$ 1,5 bilhão ao ano.

Porém, sem o aval dos EUA,  o CLA fica praticamente impedido de fazer lançamento para qualquer outro país. Isto porque a maioria dos equipamentos espaciais, no mundo, possui algum componente norte-americano --o que exige o acordo prévio para o lançamento.
As fontes consultadas pelo Meon apontam que as conversas entre os dois países estão aceleradas, aguardando alinhamento do setor espacial brasileiro e formatação dos modelos de negócios entre as empresas.

“A criação do INPE
só foi possível com
a colaboração internacional,
através de projetos
envolvendo vários órgãos

Fernando Mendonça
Fundador do INPE”

Mobilização

Dentre as ações em andamento para viabilizar o AST, estão o projeto de reestruturação da governança do Programa Espacial Brasileiro, a liquidação da ACS (Alcantara Cyclone Space) e a aprovação de um acordo-quadro no Congresso.

O acordo-quadro (necessário para disciplinar relações contratuais futuras) foi aprovado na Câmara em dezembro e agora está no Senado, aberto a emendas até início de fevereiro.

A ACS, empresa binacional criada em 2006 com a Ucrânia, foi desativada em 2015, após consumir cerca de R$ 1 bilhão e fracassar em todos os seus objetivos. Em dezembro, o governo iniciou o processo para a liquidação da empresa.

Já o projeto de reestruturação da governança começou a ser discutido no início do ano passado e deve ser finalizado em breve.

Hoje, o Sindae  (Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais) é coordenado pela AEB (Agência Espacial Brasileira) e envolve basicamente os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.  A gestão da base de Alcântara é responsabilidade da FAB (Força Aérea Brasileira).

Além de diretrizes para melhor condução do Sindae, a reestruturação da governança também teria como finalidade garantir que os acordos bilaterais no setor espacial ficassem imunes às constantes oscilações de interesses políticos do governo brasileiro.

Embraer-Boeing

A participação da Embraer em operações na base de Alcântara é discutida com o governo há pelo menos um ano. A empresa tem interesse em expandir seus negócios no setor espacial e participar do VLM (Veículo Lançador de Microssatélites), um dos projetos prioritários da AEB..

O governo vê esta expansão com bons olhos, já que pretende transformar o VLM-1 no equivalente ao que o avião Bandeirante foi para o setor aeronáutico brasileiro --a possibilidade de obter domínio completo do ciclo de sistemas espaciais.

“O problema é que o
Governo Temer e o Congresso
não têm nenhum compromisso
com os interesses nacionais

Monserrat FilhoVice
presidente da SBDA”

Por meio da Visiona ou de outra empresa fruto do acordo com a Boeing, a Embraer funcionaria como um braço executivo do governo nas parcerias com as indústrias estrangeiras, segundo as fontes ouvidas pelo Meon

Já o interesse da Boeing na base de Alcântara tornou-se evidente com a visita da presidente da Boeing para América Latina, Donna Hrinak, ao CLA, no dia 12 de abril. A comitiva estrangeira, que incluía representantes da Lockheed Martin, SpaceX e Vector, foi recebida por Jungmann. Os empresários também visitaram instituições ligadas ao setor espacial em São José dos Campos.

Em entrevista recente a um jornal americano, o ministro Raul Jungmann falou sobre o interesse da Boeing no CLA.”. Eles [Boeing] querem explorar a base de lançamento de Alcântara. Eu acho que essa parceria é muito interessante e muito positiva”, disse Jungmann ao Defense News, em dezembro.

O Ministério da Defesa não se manifestou sobre possível parceria entre Boeing e Embraer nem confirmou possível participação das duas empresas na exploração da base de Alcântara.

A FAB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o CLA tem recebido a visita de comitivas de empresários e representantes governamentais de diferentes países, como França, Coreia do Sul, China, Israel, Itália, Argentina e Estados Unidos. Entretanto, não há, até o momento, nenhuma parceria firmada decorrente dessas visitas.

Quanto às notícias sobre uma possível parceria entre as empresas Embraer e Boeing, o Comando da Aeronáutica considera a Embraer uma empresa estratégica e fundamental para a soberania nacional e qualquer proposta que venha a ser feita deverá ser analisada também sob esses enfoques.

Meon conversou com o engenheiro Fernando Mendonça, fundador do Inpe, e com José Monserrat Filho,  vice-presidente da SBDA (Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial), sobre uma eventual parceria com os Estados Unidos, envolvendo Embraer e Boieng na exploração da base de Alcântara. Ambos disseram desconhecer as negociações sobre O CLA e o AST, mas manifestaram posições opostas com relação à questão.

Foto: Divulgação/Arquivo
Exploração comercial do CLA pode gerar
US$ 1,5 bilhão por ano, segundo governo.

Avaliação

Para o engenheiro Mendonça, considerado o pai do Programa Espacial Brasileiro, uma parceria com os Estados Unidos poderia gerar muitos benefícios e colaborar com o desenvolvimento do setor aeroespacial.

“A criação do INPE só foi possível com a colaboração internacional, através de projetos envolvendo vários órgãos, como a Nasa, nos Estados Unidos, e empresas alemãs, francesas. Foi assim também para construir o CLBI  [Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno Barreira do Inferno]”, afirmou o engenheiro.

Segundo ele, as parcerias também viabilizaram a capacitação dos profissionais, por meio de treinamentos e bolsas de estudo oferecidos gratuitamente aos brasileiros. “Eu não vejo nenhum problema com a questão de soberania nacional, tudo depende dos termos do acordo, pode ser bom para os dois lados”, disse Mendonça.

Já Monserrat Filho tem muitas ressalvas quanto a um possível acordo entre o Brasil e os Estados Unidos nos setores de defesa e aeroespacial, principalmente com relação à concessão da base de Alcântara.

“No mínimo teríamos que preservar os interesses do país, a soberania nacional. O problema é que o Governo Temer e o Congresso não têm nenhum compromisso com os interesses nacionais. O compromisso deles é com os interesses das grandes empresas, dos grandes fazendeiros. Eles não têm nenhuma preocupação com a população, a formação de profissionais”, disse Monserrat.

Ele acredita que se o acordo for firmado com a Boeing a situação pode ser ainda pior para o Brasil. “Ela [Boeing] é uma ‘sucursal’ do Pentágono, no sentido que ela está permanentemente atendendo às solicitações e necessidades do governo dos Estados Unidos.”.


Fonte: Site Meon - http://www.meon.com.br

Comentário: Não vou mais discutir esse assunto, pois hoje tá claro pra mim que na realidade ninguém quer se mobilizar para resolver o assunto como deveria, uns por comodismo, outros por interesses políticos aliados a corrupção e outros por estupidez deslavada e incompetência generalizada. Diante disto trago aqui esse texto para debate entre aqueles que ainda acreditam nesta fantasia. Para mim o PEB acabou e será assimilado pelas raposas estrangeiras. As mesmas raposas que impediram há décadas a consolidação de uma verdadeira  indústria nacional automobilística e agora tentam destruir a Indústria Aeronáutica dando também um golpe final no PEB. Povo estupido tem que ser mesmo governado por gente mais capaz, parabéns aos gringos. Aproveito para agradecer ao Pe. Paulo Giovanni Pereira pelo envio deste artigo.

Um comentário:

  1. Essa de salvaguardas pra mim é só mais uma desculpa esfarrapada,claro que ela deve existir pois outros países mais avançados que o Brasil na área espacial deve ter esse acordo com EUA,no entanto eles desenvolvem seus foguetes e seus satélites próprios,se usam componentes americanos tudo bem ai entra o acordo más têm sem programa como a India e China e outros.A questão que o Brasil caiu de joelhos,abandonou o programa de vez e não quer criar nada só quer o dinheiro más continuar dependente como sempre.Na minha opinião é culpa de políticos lixo que temos,os piores do mundo,povo idiotizado e pessoal do setor espacial desanimado,desencorajado e sem forças para dizer que não aceitam ser diminuídos ou mesmo extintos nesse país.Realmente o PEB está morto.

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