quinta-feira, 22 de junho de 2017

INPE e Aeronáutica Desenvolvem Motor e Combustível Sustentável para uso em foguetes e satélites

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na a edição de Junho de 2015 da “Revista Pesquisa FAPESP” destacando que a FAB e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estão desenvolvendo Motores a Combustível Sustentável para uso em Foguetes e Satélites.

Duda Falcão

TECNOLOGIA

Propulsão Verde

INPE e Aeronáutica desenvolvem Motor e Combustível
Sustentável Para Uso em Foguetes e Satélites

YURI VASCONCELOS
Revista Pesquisa FAPESP
ED. 256 - JUNHO 2017

© LÉO RAMOS CHAVES
Sequência da reação química entre gota de
peróxido de hidrogênio e o combustível formado
por etanol, etanolamina e sais de cobre. A
temperatura chega a 900 ºC e os gases fariam a
propulsão de um satélite em órbita. O experimento
foi realizado no INPE, em Cachoeira Paulista.
Utilizar um combustível renovável para foguetes e satélites, com baixo índice de toxicidade, menos agressivo à saúde humana e mais amigável ao meio ambiente, é o objetivo de dois grupos de pesquisa brasileiros, um do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e outro no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), braço de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do Comando da Aeronáutica. No INPE, cientistas do Laboratório Associado de Combustão e Propulsão (LCP), em Cachoeira Paulista (SP), desenvolveram um novo combustível espacial, também chamado de propelente, que tem entre seus ingredientes o etanol e o peróxido de hidrogênio, a popular água oxigenada. Um diferencial do combustível é que ele não precisa de uma fonte de ignição, como uma faísca, para entrar em combustão e fazer o motor funcionar. No IAE, em São José dos Campos (SP), a pesquisa foi realizada em conjunto com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), direcionada ao desenvolvimento de um motor para veículos lançadores de satélite que funcione com etanol e oxigênio líquido.

Os principais propelentes utilizados em foguetes e satélites são a hidrazina, que é o combustível, e o tetróxido de nitrogênio, a substância que provoca a reação de queima. Essas substâncias apresentam bom desempenho em propulsores, mas têm desvantagens. Além de serem caros, a hidrazina e seus derivados são cancerígenos, o que requer um cuidado muito grande com o seu manuseio. Já o tetróxido de nitrogênio pode ser fatal após alguns minutos de exposição, em caso de vazamento ou má manipulação.

A busca por um combustível espacial alternativo, menos nocivo à saúde e ao ambiente, não é uma exclusividade de instituições brasileiras. “Agências espaciais de vários países – entre elas a NASA, dos Estados Unidos – fazem pesquisa nesse sentido”, afirma o engenheiro Carlos Alberto Gurgel Veras, diretor da Divisão de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB). “Como o Brasil não domina o ciclo de produção dos propelentes tradicionais usados em motores de foguetes, desenvolver um combustível alternativo a eles seria um avanço significativo para o setor”, destaca Gurgel. Ter um combustível de fácil aquisição no país, em grande parte renovável e a preços baixos, faz parte do pacote de desenvolvimento tecnológico a ser conquistado pela indústria aeroespacial brasileira. Há mais de 20 anos, o INPE desenvolve satélites de pequeno porte de coleta de dados ambientais e, em conjunto com a China, para sensoriamento remoto, destinados à captação de imagens da superfície terrestre. Todos foram lançados por foguetes estrangeiros.

O Brasil possui tecnologia de motores de propulsão com combustíveis sólidos para pequenos foguetes usados em experimentos científicos e tecnológicos. “Nosso principal objetivo é dominar as tecnologias necessárias para o desenvolvimento de um motor de foguete movido a propelente líquido. Para lançar satélites de grande porte é imprescindível o emprego desse tipo de propulsão”, afirma o engenheiro metalúrgico Daniel Soares de Almeida, gerente do projeto no IAE.

Especialista em combustíveis de foguetes e professora do curso de engenharia aeroespacial da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo (SP), a engenheira química Thais Maia Araujo considera importante que o Brasil trabalhe na criação de um propelente renovável para o setor. “O combustível em desenvolvimento no INPE, além de ser mais seguro e fácil de manusear, é mais barato do que os propelentes tradicionais e tem o apelo da sustentabilidade. O etanol é um combustível renovável e largamente disponível no Brasil”, comenta.

O esforço do INPE para criar um propelente espacial à base de etanol teve início há três anos. Coordenada pelo químico industrial Ricardo Vieira, chefe do LCP, a pesquisa teve a participação do doutorando Leandro José Maschio, da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (USP). Embora possa ser usado em foguetes, o novo combustível é indicado principalmente para satélites. “Nosso propelente pode ser mais bem utilizado nos chamados motores de apogeu, usados na transferência de órbita de satélites”, explica Vieira. Após serem lançados no espaço, esses aparelhos precisam se posicionar na órbita correta e o deslocamento é feito por propulsores existentes no próprio artefato.

© IAE
Maquete do foguete L75 desenvolvido
no IAE, que funciona com etanol
e oxigênio líquido.
Adição Estratégica

O novo propelente, segundo Vieira, tem uma eficiência próxima à dos combustíveis tradicionais. “A composição contém cerca de 30% de etanol, 60% de etanolamina [composto orgânico resultante da reação entre o óxido de etileno e amônia] e 10% de sais de cobre”, conta o chefe do LCP. “A adição de etanol foi puramente estratégica, uma vez que o Brasil é um grande produtor de álcool. Entretanto, durante o desenvolvimento, constatamos que o etanol aumentou o desempenho do motor, reduziu o tempo de ignição da mistura e barateou o combustível.”

Para fazer o motor funcionar, a mistura formada por etanol, etanolamina e sais de cobre reage com o peróxido de hidrogênio. “Ele funciona como um oxidante ao fornecer oxigênio para a reação, elemento inexistente no espaço. O peróxido de hidrogênio se decompõe quando entra em contato com o combustível. A reação é catalisada pelo cobre, gera calor – em torno de 900 oC –, o que provoca a ignição do etanol da etanolamina”, explica Vieira. O resultado é a produção de grande volume de gases, responsável pela propulsão desejada. A combustão espontânea é proporcionada diretamente pelo contato dos componentes químicos. A mistura é controlada por softwares e, havendo possibilidade, pela interferência de técnicos da terra.

Outra vantagem é o baixo custo. O INPE importa hidrazina por cerca de R$ 700 o quilo (kg) e tetróxido de nitrogênio por R$ 1,3 mil/kg. “Estimamos que o combustível à base de etanol e etanolamina venha a ter um custo aproximado de R$ 35/kg e o peróxido de hidrogênio a R$ 15/kg. Como um satélite carrega mais de 100 kg de propelente, a economia é grande nesse aspecto, porém relativamente pequena em relação ao custo final do aparelho”, ressalta Vieira. “Mas se levarmos em conta sua aplicação futura em estágios de foguetes lançadores de satélites, a economia passa a ser bastante significativa.”

Para demonstrar que o propelente é viável e funciona, o INPE projetou e testou em seu laboratório um propulsor empregando o novo combustível com sucesso. De acordo com Vieira, o próximo passo seria fabricar um motor maior e realizar ensaios no vácuo, simulando as condições do espaço. “Segundo o pesquisador, a AEB já demonstrou interesse em financiar a fabricação e os testes de um motor empregando o combustível à base de etanol. “Se estabelecermos bem o ciclo para a realização do projeto e encontrarmos os parceiros certos, creio que o motor movido a etanol e etanolamina pode ficar pronto em 10 anos”, afirma Gurgel.

No IAE, a equipe encarregada do projeto de um motor de foguete alimentado por etanol deu um passo importante com a realização de testes bem-sucedidos. Os ensaios foram feitos no final do segundo semestre de 2016 nos laboratórios do Instituto de Propulsão Espacial do DLR, em Lampoldshausen, na Alemanha, colaborador do IAE no projeto. O motor L75 emprega etanol de melhor qualidade do que o automotivo e oxigênio líquido. Seu nome é uma referência ao combustível líquido (L) e empuxo do motor (a força que o empurra) de 75 quilonewtons (kN) – o suficiente para tirar do chão um caminhão de 7,5 toneladas.

© IAE
Bancada de testes de motores no IAE,
em São José dos Campos.
Desempenho Duplo

O projeto do motor L75 teve início no IAE em 2008 e cinco anos depois passou a contar com a colaboração de técnicos e cientistas do DLR. Nos ensaios feitos este ano na Alemanha, foram testados dois cabeçotes de injeção de combustível com conceitos distintos, desenvolvidos simultaneamente por pesquisadores do IAE e do DLR. O objetivo dos ensaios foi verificar parâmetros de desempenho de combustão e definir a melhor tecnologia propulsiva. Os dois cabeçotes diferem na forma como o combustível é pulverizado na câmara de combustão e misturado ao oxigênio.

“Nessa primeira série de ensaios, os principais objetivos foram atingidos”, ressaltou a engenheira aeroespacial alemã Lysan Pfützenreuter, gerente do projeto no DLR. “Foi realizado com êxito um total de 42 ignições durante um período de 20 dias. Pudemos analisar de perto, entre outras coisas, o comportamento e a estabilidade do sistema durante a ignição e o arranque na câmara de empuxo.” Análises preliminares dos resultados mostraram que os dois cabeçotes tiveram desempenho similar.

A cooperação entre o IAE e o DLR remonta o final da década de 1960, quando o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, foi usado para lançar foguetes relacionados a experimentos científicos do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. Por volta do ano 2000, a cooperação se fortaleceu com um acordo para o desenvolvimento conjunto de um foguete de sondagem de dois estágios, que viria a ser batizado de VSB-30 e que fez seu voo de qualificação em 2004. Mais recentemente, em 2012, os alemães empregaram um foguete suborbital brasileiro, o VS-40M, para levar ao espaço o experimento Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment), cujo objetivo foi desenvolver tecnologias-chave, como sistemas de proteção térmica, para naves espaciais com capacidade de ir ao espaço e retornar à Terra, suportando as duras condições de reentrada na atmosfera.

Segundo o IAE, ainda serão necessários cerca de 10 anos para que o motor L75 realize seu primeiro voo de qualificação, quando todos os parâmetros do propulsor serão testados. O projeto foi dividido em quatro etapas (estudo de viabilidade, projeto preliminar, projeto detalhado e qualificação) e encontra-se hoje na conclusão da segunda fase. “A próxima é elaborar o projeto detalhado, o que deve ocorrer entre 2017 e 2021. Depois, para o período 2022-2026, o motor L75 entrará na fase de qualificação, podendo, após esse período, realizar seus primeiros voos”, afirma Almeida.

© DLR
Teste do motor L75 realizado em 2016 no Centro Espacial
Alemão, em parceria com pesquisadores brasileiros.
Alternativas Pelo Mundo

A NASA e a ESA têm projetos de propelentes que podem substituir com vantagens a hidrazina
A agência espacial norte-americana, NASA, planeja testar ainda este ano um propelente alternativo à hidrazina, tradicional combustível de foguetes. Batizado de AF-M315E, ele é um líquido à base de nitrato de amônia, substância mais fácil de obter e menos perigosa de manipular que a hidrazina. Iniciado em 2012, o programa Green Propellant Infusion Mission (Missão de Desenvolvimento de Propelente Verde) da NASA conta com a parceria do Laboratório de Pesquisas da Força Aérea dos Estados Unidos, responsável pela criação do combustível, e das empresas americanas Aerojet Rocketdyne, que projetou o propulsor, e Ball Aerospace & Technology, gestora do projeto. Segundo a Ball, o novo propelente tem desempenho quase 50% superior ao dos sistemas que usam a hidrazina. Com isso, um mesmo tanque pode levar um volume maior de AF-M315E, ampliando, em tese, a duração de missões espaciais.

O novo propelente é considerado verde pelos norte-americanos porque tem vantagens ambientais, como a de ser menos tóxico do que a hidrazina. Ele será usado para manobrar um satélite de pequeno porte no espaço. Durante 13 meses, serão feitas alterações na altitude e inclinação orbital do artefato para demonstrar a viabilidade do sistema propulsivo.

A Agência Espacial Europeia (ESA) também tem candidatos a combustível verde. Um dos projetos  é o do monopropelente LMP-103S, desenvolvido pela empresa sueca Ecaps, parceira da ESA.  O principal ingrediente é uma substância conhecida como dinitramida de amônio (ADN), obtida por meio de processos químicos cujos resíduos são menos nocivos ao ambiente quando comparados aos de outros propelentes espaciais. Metanol, amônia e água também entram em sua formulação.

O novo combustível, segundo a Ecaps, é mais estável, eficiente e seguro de ser manuseado do que a hidrazina. Com ele é possível reutilizar componentes dos sistemas propulsivos que usam a hidrazina.

Projeto

Estudo da ignição hipergólica do peróxido de hidrogênio com etanol cataliticamente promovido (nº 14/23149-2); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Ricardo Vieira (IINPE); Investimento R$ 156.558,58.


Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - Edição 256 – Junho de 2015

Comentário: Bom leitor eu pensei muito se deveria ou não postar essa notícia aqui, já que sinceramente não acredito que essas iniciativas do INPE e do IAE venham realmente serem uteis algum dia para o Programa Espacial Brasileiro (PEB) e muito provavelmente, se chegarem a fabricar protótipos, os mesmos acabem como peça de museu do Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB), em São José dos Campos-SP, como uma lembrança de uma sociedade que não tem comprometimento com nada. É muito facil visualizar este fim melancôlico já que exemplos não faltam e também pelos fatos aqui apresentados nesta mesma matéria. Escute bem leitor, não há razão nenhuma que justifique o emprego de mais dez anos de desenvolvimento nesses projetos, afinal ja existe um conhecimento acessível enorme sobre este tema, não é de agora que se faz motores movidos a etanol e a literatura sobre o assunto e vasta e acessível a todos. Porém se o DLR estiver conduzindo o desenvolvimento de seu projeto de motor com comprometimento, não dou nem mais tres anos para que o motor alemão faça seu voo de qualificação. Mas então porque no Brasil é assim Duda? Ora leitor, fora o problema de contingenciamento de recursos contantes que o PEB enfrenta, não há compromisso nenhum do governo em realizar nada que não venha colaborar com os seus interesses nefastos, e como não há esse compromisso, não há cobrança, e não havendo cobrança de quem quer que seja, fica cada um por si defendendo o seu, e nada melhor num universo como esse esticar o projeto e permanecer no emprego até que surja algo melhor. Triste, mas é esta a nossa realidade. Monte uma equipe de Engenheiros Aeroespaciais séria, comprometida e motivada, forneça os recursos financeiros e logísticos necessários e cobre por resultados que em três ou quatro anos esta equipe desenvolve um protótipo de voo de um motor tipo o L75. O resto é conversa fiada. Aproveito para agradecer ao leitor Cláudio André pelo envio dessa matéria.

Nova Atualização de Nossas Campanhas

Olá leitor!

Mais uma quinta-feira  do mês de junho e sendo assim é dia de atualizar você sobre as nossas campanhas em curso.

Bom leitor quanto à “Campanha para Regulamentação das Atividades de Grupos Amadores”, até agora 16 grupos já se inscreveram. São eles Auriflama FoguetesBANDEIRANTE Foguetes EducativosCEFABCEFEC, Grupo Carl Sagan, Grupo CEPAGrupo GREAVE, Grupo de Desenvolvimento Aeroespacial (GDAe) da UFC, Grupo Pionners,  Grupo Supernova Rocketry, Infinitude FoguetismoITA Rocket Design, NTA,, PEUE (Pesquisas Espaciais Universo Expansivo), Projeto Jupiter  e UFABC Rocket Design. Vamos lá gente, cadê os grupos amadores desse país, vocês não querem se organizar? (OBS: Continuo esperando que os 13 grupos inscritos respondam se há algum entre vocês que tem o interesse de organizar e sediar um ‘Seminário’ para discutirmos as atividades de espaçomodelismo no Brasil?)

Já quanto á “Campanha de Manutenção do Blog”, até o momento apenas três colaboradores realizaram as suas contribuição no mês de junho no vakinha.com.br. Eles foram:

1 - Carlos Cássio Oliveira (presidente do CEFAB)
2 - Leo Nivaldo Sandoli
3 - Sérgio de Melo Moraes

OBS: informo aos leitores que ainda não sabem que  a campanha de manutenção do Blog pode ser acessada pelo link: http://www.vakinha.com.br/vaquinha/manutencao-do-blog-brazilian-space.

Enfim... vamos continuar aguardando que a partir da próxima semana haja uma mudança de postura de nossos leitores com as nossas campanhas, para que assim possamos efetivamente continuar contribuindo com o Programa Espacial Brasileiro, e quem sabe, com a permanência do blog online ou a criação do Portal Espacial que é hoje o nosso principal objetivo.

Duda Falcão

Brasil é Uma das Prioridades da Rússia, diz Pútin a Temer

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante e esclarecedora matéria postada ontem (21/06) no site da versão em português da “Gazeta Russa” tendo como destaque a visita do Presidente Temer a Federação Russa. Vale a pena conferir.

Duda Falcão

POLÍTICA

Brasil é Uma das Prioridades
da Rússia, diz Pútin a Temer

Declaração conjunta, assinada entre presidentes nesta quarta-feira (21)
em Moscou, abrange desde política externa a cooperação espacial.
Chefes de Estado se comprometeram a somar esforços para
combater ameaças latentes, como terrorismo.

Por PÁVEL RÍTSAR,
GAZETA RUSSA
21 de junho de 2017

Foto:Kremlin.ru
Ano de 2018 marcará 190 anos do estabelecimento relações
diplomáticas entre Brasil e Rússia, enfatizou Pútin.

O Brasil “é, sem dúvidas, uma das prioridades da Rússia e um dos parceiros mais importantes na América Latina”, disse o presidente russo Vladímir Pútin, nesta quarta-feira (21), ao iniciar a conversa no Kremlin com seu homólogo brasileiro, Michel Temer.

Apesar do declínio do comércio bilateral em 2016, “o crescimento já ultrapassou a marca dos 30% nos primeiros quatro meses deste ano”, acrescentou o chefe de Estado russo.

Durante as conversações em Moscou, os dois líderes discutiram sobre status atual das relações bilaterais, situação na Síria e no Oriente Médio, iniciativas planejadas para combate à corrupção e ao terrorismo, cooperação no espaço, e, ao fim, assinaram uma declaração conjunta que estabelece um diálogo estratégico na área de política externa.

“Ele [o documento] prevê maior nível de coordenação de nossos países na luta contra novos desafios e ameaças, como terrorismo, manutenção da estabilidade, medidas de não proliferação nuclear e no controle dos armamentos”, explicou Pútin.

O presidente observou que ambos os países “cooperam construtivamente no âmbito das Nações Unidas, G20, Organização Mundial do Comércio”, e ainda operam juntos no Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

De acordo com a declaração, a Rússia e o Brasil irão empreender esforços “para construir um sistema de relações internacionais mais justo, democrático e multipolar baseado no papel central das Nações Unidas, na supremacia do direito internacional e em atividades conjuntas dos membros da comunidade global”. As partes enfatizaram ainda a importância de medidas destinadas a promover a reforma da ONU.

Um acordo sobre a visita oficial de Pútin ao Brasil também foi incluído no comunicado conjunto. Mas o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, adiantou que a viagem do presidente russo dificilmente ocorrerá antes do final do ano. “As datas não foram definidas. Elas [serão especificadas] por meio de canais diplomáticos”, disse Peskov, a um repórter da TASS.

Na noite anterior, Pútin e Temer compareceram ao Teatro Bolshoi, na capital russa, para assistir a um espetáculo com os vencedores da 13ª Competição Internacional de Bailarinos e Coreógrafos.

Novas Ameaças

No documento, os líderes corroboraram a necessidade de “melhorar a coordenação para combater novas e velhas ameaças” e manifestaram apoio às atividades da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “A Rússia e o Brasil irão considerar a possibilidade de ampliar a parceria no campo do uso pacífico da energia nuclear”, lê-se na declaração.

O documento aponta para o terceiro reator da Usina Nuclear de Angra, concluído recentemente, bem como para a construção de novas usinas nucleares no Brasil. 

Além disso, menciona a importância de “reforçar os esforços globais na luta contra a corrupção, com a ONU desempenhando um papel central”.

“A cooperação anticorrupção deve se concentrar na obtenção de resultados práticos, com base nos sistemas jurídicos nacionais e realizados em atmosfera despolitizada, sem qualquer pressão sobre os Estados soberanos”, continua o comunicado.

Síria e Oriente Médio

De acordo com a declaração assinada por Pútin e Temer, o acordo na Síria deve ser alcançado “com base na Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e no processo político conduzido pelos sírios para preservar a independência, a integridade e a soberania da Síria, e a estima pelos interesses legítimos do povo sírio”.

Moscou e Brasília confirmaram o apoio às negociações de paz de Genebra e destacaram o acordo alcançado em Astana para criar zonas de ‘desescalada’ na Síria.

Ambos os líderes expressaram preocupação com os desenvolvimentos no Oriente Médio e no Norte da África e defenderam a solução do conflito palestino-israelense sob o princípio de coexistência pacífica.

Cooperação Espacial

Rússia e Brasil também estão estudando as possibilidades de ampliar a cooperação na esfera espacial, disse Pútin após negociações com Temer.

“Estão sendo estudadas as possibilidades de lançamentos conjuntos a partir do cosmódromo brasileiro e a produção conjunta de foguetes portadores de pequeno e médio porte”, disse o presidente russo. Também “há ideias para o desenvolvimento da cooperação na esfera de monitoramento remoto da Terra”, acrescentou Pútin.

No início de abril passado, a agência espacial russa Roscosmos lançou um sistema optoeletrônico para detecção de lixo espacial no Observatório do Pico dos Dias, no sudoeste de Minas Gerais. Além disso, quatro estações terrestres do sistema de navegação global russo Glonass já estão em operação no território brasileiro.

Nesse aspecto, Temer manifestou interesse em expandir a rede de estações Glonass, uma alternativa ao GPS, no Brasil. “Nós avaliamos positivamente a experiência de criar as estações do sistema russo Glonass no Brasil”, disse o presidente.

As partes debateram ainda outras oportunidades de interação no setor de alta tecnologia. “Consideramos promissor o trabalho para (...) criação de novas alianças tecnológicas. Uma delas foi estabelecida pela Fundação Skôlkovo [perto de Moscou] e pelo Vale do Silício Brasileiro [na região de Campinas]”, disse Pútin.

Mercosul Mais União Eurasiática

Na manhã desta quarta-feira, o presidente brasileiro também manteve negociações com o primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, e exortou os empresários locais a investir ativamente na economia do país.

“Nossa principal tarefa é oferecer novas ideias sobre a necessidade de impulsionar os investimentos mútuos nos dois países”, disse Temer, antes de acrescentar que “há mais de 50 setores, incluindo indústria elétrica, e setores de gás e petróleo que podem ser interessantes para Rússia.”

A expectativa é que os países contribuam para antecipar a assinatura de um Memorando de Cooperação sobre questões comerciais e econômicas entre a União Econômica Eurasiática e os países-membros do Mercosul.


Fonte: Site da versão em Português da Gazeta Russa - http://gazetarussa.com.br/

Comentário: Pois é Presidente PUTIN, não é só o senhor que parece esta interessado no Brasil e em sua posição estratégica no Planeta. Infelizmente para nós brasileiros (esclarecidos ou não) o nosso país é uma 'Casa de Mãe Joana' sob o comando de debiloides, corruptos e irresponsáveis, e se eu estivesse em seu lugar correria, pois a feira já está aberta e a demanda é enorme, basta para isso ter bala na agulha. Bom falando da área espacial, além do GLONASS parece que o Brasil poderá desenvolver foguetes com os russos (ou compra-los), bem como participar de missões espaciais conjuntas na área de monitoramento remoto da Terra, enfim ... Bom, ninguém morre de véspera leitor, só piru, mais na atual conjuntura não vejo como possa sair realmente algo de positivo nesta cooperação espacial com a Rússia. Na verdade tendo essa gente à frente e os interesses russos estratégicos, o mais provável é que essas negociações sejam desastrosas para o Brasil. Uma vez mais agradecemos ao nosso leitor Jahyr Jesus Brito pelo envio dessa notícia, e vamos aguardar o comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Na Rússia, Temer Assina Acordo Com Putin e Evita Falar Sobre Crise

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada ontem (21/06) no site “G1” do globo.com, tendo como origem uma reportagem do JORNAL NACIONAL da Rede Globo, destacando que na Rússia, em seu segundo dia de visita oficial, o presidente Michel Temer assinou quatro acordos , um deles na área espacial.

Duda Falcão

JORNAL NACIONAL

Na Rússia, Temer Assina Acordo Com
Putin e Evita Falar Sobre Crise

Os dois presidentes também trataram de acordos comercias.
Putin disse que vai incentivar cooperação de empresas russas com Brasil.

Jornal Nacional
Edição do dia 21/06/2017
21/06/2017 - 21h07
Atualizado em 21/06/2017 - 21h07


Na Rússia, no segundo dia de visita oficial, o presidente Temer evitou falar sobre a crise política.

A coroa de flores depositada no monumento em memória ao soldado desconhecido tinha as cores do Brasil. Mais tarde, já dentro do Kremlin, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu o presidente do Brasil, Michel Temer. Os dois assinaram uma declaração conjunta. No acordo, a Rússia se compromete a apoiar pleito do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Em contrapartida, o Brasil passará a apoiar a posição russa na ONU de não intervir na soberania de países em conflito.

“Compartilhamos do entendimento de que as instituições internacionais devem ser mais representativas e eficazes e intercambiamos visões sobre alguns dos temas mais prementes tangendo de paz e segurança internacionais”, disse Temer.

Os dois países também trataram de acordos comerciais. O presidente Vladimir Putin disse que vai incentivar a cooperação de empresas russas com o Brasil, principalmente na área de energia nuclear, e nos setores aeroespacial e de ferrovias.

Os atos assinados na tarde desta quarta-feira (21) no Kremlin unem os governos do Brasil e da Rússia em questões para o futuro, desconsideram a atual crise política no Brasil. O presidente Michel Temer não deu entrevista à imprensa brasileira. Evitou falar de temas incômodos ao governo, mas tentou mostrar confiança.

OBS: Veja abaixo uma reportagem da Rede RT Russa (em espanhol) sobre esta visita do presidente Michel Temer a Federação Rússa.



Fonte: Site “G1” do globo.com – 21/06/2017

Comentário: Veja bem leitor, não há ainda informações suficientes sobre o que se trata esse acordo espacial, só se sabe que é algo envolvendo o Sistema de posicionamento global GLONASS russo. Será preciso esperar o Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgar algum comunicado explicando melhor essa história. Uma vez mais gostaria de agradecer ao nosso leitor Jahyr Jesus Brito pelo envio dessa notícia e dos vídeos que acompanham a mesma. 

Primeiro Cubesat Brasileiro Completa 3 Anos em Operação

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (20/06) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), destacando que o Satélite NanosatC-Br1, primeiro cubesat brasileiro completou 3 anos em operação no espaço,

Duda Falcão

Primeiro Cubesat Brasileiro
Completa 3 Anos em Operação

Terça-feira, 20 de Junho de 2017

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o NanosatC-Br1 acaba de completar três anos em órbita e segue enviando dados de suas cargas úteis: um magnetômetro e dois circuitos integrados.


As informações são rastreadas e coletadas por uma extensa rede de radioamadores no Brasil e no exterior, além das duas estações do projeto em Santa Maria (RS) e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Na data do terceiro aniversário do NanosatC-Br1, seus dados (figura abaixo) foram recebidos na Alemanha por Reiner e retransmitidos a Paulo Leite em Boa Vista (RR), ambos radioamadores que colaboram com o projeto desde o início.

“Todos os subsistemas e cargas úteis funcionam normalmente, exceto as baterias do subsistema de potência que não conseguem mais reter carga, fazendo com que o cubesat só possa transmitir seus dados em visada solar. Os dados continuam sendo armazenados e utilizados pelos pesquisadores e engenheiros do projeto”, informa o pesquisador Otávio Durão, do INPE.

Os dados obtidos com a carga útil FPGA serão apresentados no dia 28 de junho, durante seminário no INPE que abordará radiação cósmica em sistemas espaciais.

NanosatC-Br2

A equipe do projeto desenvolve agora o NanosatC-Br2, com lançamento previsto para 2018. O novo cubesat está em fase de testes de integração das cargas úteis e do software de solo e bordo com a plataforma.

“O NanosatC-Br2 é um cubesat de dois litros de volume, o dobro da capacidade do NanosatC-Br1, e terá experimentos da UFMG, UFABC, UFRGS, UFSM/SMDH, AMSAT-Br, além do INPE”, conta o pesquisador Nelson Jorge Schuch, gerente do projeto.

Voltado à capacitação de recursos humanos para a área espacial, o projeto NanosatC-Br é coordenado pelo Centro Regional Sul do INPE em colaboração com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Mais informações: www.inpe.br/crs/nanosat



Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Comentário: Pois é, só resta parabenizar a equipe deste projeto coordenado pelo Dr. Nelson Jorge Schuch do Centro Regional Sul (CRS) do INPRE de Santa Maria-RS, e pelo Dr. Otávio Durão do INPE de São José dos Campos-SP. Vale lembrar leitor que esse satélite tinha uma expectativa de vida de apenas um ano e chegou ao seu terceiro ano de operação em  funcionamento. É muito gratificante saber que quatro universidades (UFMG, UFABC, UFRGS e a UFSM) além do INPE e do grupo AMSAT-BR da Liga de Amadores Brasileiros de Radioemissão (LABRE), estão envolvidos no desenvolvimento do novo satélite deste projeto, o nanosatélite NanosatC-Br2, parabéns a todos vocês. Fico na torcida para que esse projeto possa sofrer continuidade, e quem sabe tendo objetivos mais ambiciosos como, por exemplo, alguma missão que envolvesse a área de Astrofísica do INPE.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Agência Espacial Brasileira Apresenta os Desafios do Espaço na Campus Party

Olá leitor!

Segue abaixo a nota postada ontem (20/06) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB), destacando que a Agencia apresentou os desafios do espaço na Campus Party

Duda Falcão

Agência Espacial Brasileira Apresenta os Desafios do Espaço na Campus Party

Coordenação de Comunicação Social – CCS
20/06/2017


A Agência Espacial Brasileira (AEB) esteve presente na Campus Party Brasília, o maior encontro de tecnologia do mundo, que une jovens em torno de um acontecimento de Inovação, Criatividade, Ciências, Empreendedorismo e Universo Digital. O evento aconteceu entre os dias 14 e 18 de junho no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com mais de 250 horas de programação.

Na manhã de sexta-feira (16.06), os tecnologistas da AEB abordaram temas, como o Programa Espacial Brasileiro (PEB), NewSpace, Viagens Espaciais, Lançadores e Centros de Lançamento.
Rodrigo Leonardi, tecnologista da AEB, falou sobre o CubeSat (em Inglês – cubo e satélite), satélites miniaturizado usados para pesquisas espaciais – e comunicações radioamadoras.

Segundo ele, o Brasil já lançou três cubsats ao espaço, o nanosatC-Br1, lançado em 14 de junho de 2014, o AESP-14, lançado no dia 10 de janeiro de 2015, e o Serpens-1, do Programa Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites (Serpens), lançado no dia 18 de agosto de 2015. O ITASAT será o quarto cubesat nacional a ser colocado no espaço, o lançamento está previsto ainda este ano.

Viagens espaciais – O pesquisador da AEB, Pedro Nehme relatou sua experiência ao participar de um concurso lançado pela companhia holandesa KLM, em 2013. Pedro respondeu a que altura um balão de hélio, lançado da Terra estouraria. Entre 129 mil candidatos de diversas nacionalidades, o que mais se aproximou da resposta certa foi o brasiliense. Pedro então ganhou o prêmio do concurso, uma viagem suborbital.

O que ajudou Nehme, hoje pesquisador da AEB, a dar o chute certeiro a uma pergunta tão genérica foi sua experiência, vivida em 2012, no projeto Balão Experimental de Telescópio Gêmeo para Interferômetro de Infravermelho (BETTII, na sigla em inglês), da NASA. Pedro mostrou na Campus Party os vários treinamentos e os desafios que já enfrentou para realizar o voo.

New Space – O engenheiro mecânico e tecnologista da AEB, Pedro Kaled encerrou o ciclo de palestras do dia falando sobre NewSpace, Nanossatélites e o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). “Com o SGDC o Brasil busca conquistar a soberania em comunicações estratégicas civis e militares e, também, apoiar os programas federais de inclusão digital”, afirmou Kaled. O SGDC foi lançado no dia 4 de maio de 2017, da Base de Kourou, na Guiana Francesa. Kaled foi um dos engenheiros participantes do projeto SGDC e responsável em desenhar as antenas do satélite.

No sábado (17.06), o físico e tecnologista da AEB, Eduardo Quintanilha apresentou alguns veículos lançadores de satélites, entre eles o Veículo Lançador de Microssatélite (VLM) desenvolvido no Brasil, previsto para ser lançado no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em 2018/2019. Eduardo abordou também a importância dos centros de lançamento no Brasil, de Alcântara no Maranhão e o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN).


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: De minha parte acho importante que essa Agencia de Brinquedo participe de eventos como esse divulgando as atividades espaciais brasileiras, mas dai enviar alguém para dizer irresponsavelmente que com esse satélite Frankenstein Francês SGDC o Brasil buscou conquistar a soberania em comunicações estratégicas civis e militares, demonstra com isso o claro interesse dessa agencia de brinquedo em colaborar com esse desgoverno de merda na desinformação da Sociedade. Você que participou da Campus Party e é leitor do Blog saiba que isto não é verdade, o Brasil não buscou nada disso dito pelo Eng. Kaleb (lamentável), e isto ocorreu pelo simples fato de ter assinado um acordo de compra de um satélite via uma empresa formada de forma discutível e passível de investigação, e não um acordo de desenvolvimento conjunto, onde ai sim haveria transferência de conhecimento, pelo menos nas partes que foram desenvolvidas especificamente para esse satélite, já que a maioria foram peças de prateleira. Ou seja, para que fique bem claro a você leitor, não houve nenhum tipo de transferência tecnológica neste projeto, se quer de um simples parafuso, e sendo assim o mesmo não tem como ajudar o Brasil na conquista de coisa nenhuma, muito menos da soberania em comunicações estratégicas civis e militares, além de na realidade ser um satélite inseguro por questões óbvias.

Falta de Verbas Compromete o Controle de Tráfego Aéreo e as Pesquisas Espaciais, Adverte Comandante da FAB

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na edição de maio do “Jornal do SindCT” destacando que em audiência pública no Senado, o Comandante da Aeronáutica,  o Tenente Brigadeiro Nivaldo do Ar Nivaldo Luiz Rossato, disse que a falta de verbas compromete o controle de tráfego aéreo e as pesquisas espaciais.

Duda Falcão

CIÊNCIA & TECNOLOGIA

AUDIÊNCIA PÚBLICA NO SENADO FEDERAL

Falta de Verbas Compromete Controle de
Tráfego Aéreo, Adverte Comandante da FAB

Outro setor relegado cronicamente pelo país, segundo o brigadeiro
Nivaldo Rossato, é o de pesquisas espaciais. O Brasil investe somente
0,06% do PIB nessa área, cerca de U$ 100 milhões. A Argentina tem
investido U$ 1,2 bilhão por ano

Sergio Vieira
Agência Senado
Jornal do SindCT
Edição nº 57
Maio de 2017

Foto: Pedro França/Agência Senado
Comandante da FAB depõe à Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A seu lado,
o senador Fernando Collor, presidente da CRE.

Os cortes de verbas e restrições orçamentárias que atingem o controle de tráfego aéreo nos últimos anos já afetam a confiabilidade do sistema no Brasil. O alerta foi feito pelo comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Nivaldo Luiz Rossato, em audiência pública realizada em 18 de maio na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

“A Força Aérea se ressente dessa falta de recursos. É relativamente grave. O país parou de investir enquanto o custeio não para de aumentar. Isso acaba degradando em parte o sistema, a confiabilidade é prejudicada”, alertou.

De acordo com o comandante, os recursos são contingenciados apesar de serem oriundos de tarifas com destinação específica para o setor, não provenientes do Tesouro Nacional.

Amazônia

O comandante também reclamou pelo fato de o Ministério dos Transportes não estar mais repassando à Força Aérea a parte equivalente à manutenção da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA). “A COMARA está há dois anos à míngua. Ou voltam esses repasses ou vamos fechar a COMARA, porque essa estrutura deteriora rapidamente sem manutenção”, lamentou.

Por isso, ele pede uma ação no âmbito do Legislativo ou por meio do próprio Ministério dos Transportes para o retorno desses recursos, que chegaram a representar R$ 300 milhões por ano. O setor, segundo o comandante, está consciente da atual conjuntura de restrições orçamentárias, mas acredita que a sociedade brasileira não pode abrir mão de investir pelo menos R$ 100 milhões por ano.

“Talvez seja esse o interesse de grande parte do mundo, que deixemos a Amazônia para que seja transformada numa reserva internacional. Se queremos nossa presença lá, esta é uma responsabilidade da Força que tem que ser dividida com toda a sociedade brasileira”, afirmou.

O comandante também pediu atenção urgente para a necessidade de modernizar a frota de aviões-radares, que fazem avigilância das fronteiras. A quantidade desses instrumentos também vem caindo devido à falta de investimentos, informou Rossato.

Argentina

Outro setor negligenciado cronicamente pelo país, segundo o comandante da Aeronáutica, é o de pesquisas espaciais. O Brasil, informou Rossato, investe somente 0,06% do PIB nessa área, cerca de U$ 100 milhões. A Argentina, observou ele, tem investido cerca de U$ 1,2 bilhão por ano, 12 vezes mais que o Brasil.

“A Argentina, a despeito de ter as mesmas dificuldades que nós, tem percebido melhor a potencialidade do espaço”, disse o militar, lembrando que outros países, como EUA, Rússia, China e Índia, investem ainda mais.

O lançamento do satélite geoestacionário no último dia 4 de maio foi um grande passo na avaliação do comandante. Para ele, a iniciativa deve melhorar muito a infraestrutura de comunicação militar e dos serviços de banda larga, inclusive para a Região Amazônica. Por isso, Rossato disse que a Força Aérea está trabalhando na efetivação de um segundo satélite dessa modalidade. “Investir em satélites, não só o geoestacionário, que ainda não temos, é fundamental para aumentar a produtividade na agricultura e no controle das fronteiras”, explicou.

A efetivação dos caças Grippen, uma parceria com a Suécia, e da parceria público-privada visando à gestão da rede de comunicações integradas da Aeronáutica foram outras notícias relacionadas à área destacadas por Rossato durante a audiência na CRE.

O presidente da CRE, senador Fernando Collor (PTC-AL), disse acreditar que as necessidades básicas de recursos da Força Aérea brasileira precisam ser providas pelo governo “de alguma forma”, devido a seu caráter estratégico e a sua importância para a soberania nacional.

“Se vizinhos nossos estão investindo muito mais, temos que estar alertas, não podemos perder essa vantagem que sempre tivemos, mas estamos perdendo”, lamentou.

Os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Ana Amélia (PP-RS) também manifestaram preocupação com os investimentos em pesquisas espaciais. Viana sugeriu que a CRE tenha como compromisso suprapartidário suprir a Aeronáutica dos recursos mínimos demandados, em suas emendas ao Orçamento.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 57ª - Maio de 2017

Comentário: Bom, primeiramente devo dizer que essas Audiências Públicas só servem para fazer jogo de cena, pois não se resolve absolutamente nada. Vale dizer que a falta de verbas não é o único problema que afeta o PEB, coisa que o comandante do COMAER esqueceu convenientemente de dizer, além do que a sua postura de Pedinte (ele parece ter esquecido que está a serviço do Povo Brasileiro e não de governo nenhum - não fazem mais militares como antigamente) só facilita as coisas para esses vermes. E outra leitor, Collor presidindo uma Comissão para falar de investimento em Defesa e em Pesquisas Espaciais? Só pode ser brincadeira. A falta de memoria e a hipocrisia desta Sociedade de merda que dorme em berço esplêndido é realmente insuperável. Triste.