sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

EDITORIAL - O Fim do VLS

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo editorial publicado ontem (29/12) no site “Defesanet.com” tendo como destaque o fim do Projeto do VLS-1.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - ESPECIAL ESPAÇO – EDITORIAL

EDITORIAL - O Fim do VLS

Uma série de dificuldades levou ao fim do Programa do Veículo Lançador de Satélites.
Problemas de gestão e falta de recursos e em especial de uma análise crítica
pelos gestores dos programa nos últimos anos.

DefesaNet
29 de Dezembro, 2016 - 14:20 ( Brasília )

Lançamento do VLS-1 V02, em 1999. Por falha
no 2 estágio o foguete foi destruído em voo.

Há quase um ano, no dia 29 de fevereiro 2016, a direção do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do DCTA, reuniu os funcionários no auditório do ITA. A pauta era variada, mas o ponto principal foi o “Fim do VLS”.

Na ocasião, o Cel. Antonio H. Blanco Ribeiro realizou uma apresentação sobre a atual situação do VLS e propostas de novos lançadores, sondas e Veículo Lançador de Microssatélites (VLM).

O então Chefe Interino do IAE, Cel Blanco iniciou a palestra com as palavras de que “era o momento de colocar o coração de lado”. A introdução deixou clara a proposta: o fim do projeto VLS.

Não foi mencionado, mas o VLS morreu pelas causas:

- Falta de recursos financeiros;

- A perda de 21 técnicos no acidente, em 2003, e grande perda com aposentadorias não repostas;

- Mesmo com a revisão pela Rússia de todo o projeto VLS, as incertezas permaneciam;

- O conflito sideral entre: AEB x INPE x FAB (IAE) x MCTI (agora MCTIC), e,

- O impasse no desenvolvimento do Sistema Inercial de Navegação (SISNAV) denominado VSISNAV.

A questão do VSISNAV é recorrente em outros Projetos Estratégicos de Defesa que dependem de componentes de alta tecnologia e conhecimento acumulado.

E também um ponto que ficou claro, a escada tecnológica e o crescimento em complexidade das família de foguetes de sondagem desenvolvidos com sucesso pelo IAE (Sonda 1,2, 3, 4 e VS-40) e pulo tecnológico com desenvolvimento do VLS, em muitos pontos foi no vácuo, a distância entre o Veículo Suborbital VS-40 e o Veículo Lançador de Satélites (VLS).

A proposta oferecida era a construção do de uma escala de complexidade tecnológica com VS-43, VS-50 e VLM.

O primeiro deles, o VS-43 seria um veículo simples, com subsistemas menores e com dimensão mais próxima da parte alta do VLS (aproveitando o grande estoque de material do VLS). Desta maneira, conseguiriam um voo mais rápido do que o desenvolvimento do VSISNAV.

Entre as missões do VS-43, de microgravidade e reentrada da atmosfera, o foguete também faria ensaio e voo do VSISNAV (sistema de navegação de foguetes em desenvolvimento no DCTA), ensaio de eventos para satelização e preparação para o VS-50 e VLM.

O VS-50 teria dois estágios e seu principal objetivo seria o desenvolvimento do motor. Com o VS-43 e o VS-50, poderiam realizar diferentes combinações de montagens de motores e estágios, abrindo o leque de possibilidades para o VLM.

Para os lançamentos, a Torre Móvel de Lançamento (TMI) em Alcântara poderia ser utilizada, tanto porque os novos lançadores seriam de dimensões próximas ao VLS, como pela TMI ter sido projetada para ajustes de alturas nas plataformas, visando novos modelos de lançadores.

Mas o gosto amargo ficou na boca. O fim da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), programa criado na década de 1980 com vistas a dotar o país dos meios necessários para se colocar um satélite nacional em órbita da Terra, utilizando-se um foguete também fabricado no país, a partir de uma base de lançamento situada no território nacional.

Gosto mais amargo para a comunidade técnico-científica brasileira que muitos trabalharam toda a sua vida no VLS e MECB, e para os familiares que tiveram seus entes queridos mortos no acidente do VLS V03.

Nem curadas as feridas do fim do VLS, abrem-se desafios enormes. O desenvolvimento do motor S50 impõe metas gigantescas para o IAE e IFI e em especial para a empresa AVIBRAS.

Esta terá que mostrar um real planejamento e vontade em ações diretivas para adquirir um novo patamar tecnológico necessários para o motor S50. Um investimento pesado em capacitação. E ao IAE e IFI a coragem de ser o real indutor destas tecnologias na Base Industrial de Defesa e Espaço. Ao Comando da Aeronáutica o apoio aos seus comandados.

A todos os envolvidos e presentes, na alegre assinatura no dia 22 DEZ 2016, deverão ser cobrados pelo desenvolvimento do S50. A comunidade Espacial Brasileira e o Brasil acompanharão este último sopro de vida dos anseios Brasileiros no Espaço.

Foto: IAE
A alegre assinatura de contrato da industrialização do Motor
S-50. Liderados pelo , o diretor do Instituto de Aeronáutica e
Espaço,IAE, Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero  e o Eng.
João Brasil Carvalho Leite, presidente da AVIBRAS. 


Fonte: Site Defesanet.com - http://www.defesanet.com.br

Comentário: Gente, a assinatura do contrato com a AVIBRAS no dia 22/12 para a produção dos motores S50 do VLM-1 é apenas o primeiro passo, mas é agora que os problemas realmente começarão. O fato de se ter feito a assinatura do contrato não é garantia nenhuma que o projeto irá avançar dentro do cronograma previsto, ou mesmo se irá avançar. Além do conhecido desinteresse governamental e dos problemas diversos operacionais que o IAE enfrenta diariamente, existem ainda forças contrarias muito poderosas que vão trabalhar fortemente para atrapalhar de todas as formas todo esse processo com a conivência do desinteressado governo TEMER e do inoperante Comando da Aeronáutica (COMAER).  Na realidade se esse foguete vir a realizar algum dia um voo orbital, este só ocorrerá a partir de 2022 e com um foguete que terá suas partes mais sensíveis fabricadas fora do país, colocando todo o projeto em cheque e sobre o controle estrangeiro. Sob este controle e a partir desta data (2022) pouco representaria riscos (sejam eles de ordem comercial ou de defesa) para nações como os EUA a existência de um veículo lançador no Brasil que, num eventual conflito, pudesse ser transformado em um míssil, por exemplo, já que ate lá graças as ações de inteligência da CIA (leia Boeing entre outras) em curso atualmente em nosso território, todo o PEB e suas instalações já estarão esquadrinhadas e monitoradas devido à estupidez cometida nesta área nos últimos 10 anos pelo governo Petista, especialmente o da Ogra Debiloide. Além do mais (ai olhando o lado comercial) a tecnologia de acesso ao espaço a partir de 2022 estará tão avançada e competitiva que o VLM-1 será apenas mais um, e com grandes chances de fracasso comercial devido a incompetência e o desinteresse do governo populista brasileiro, apesar do envolvimento alemão. Os americanos sabem disso, os alemães também, e por conta disso o Peter Turner já se movimenta para levar vantagem. Na verdade leitor as perspectivas não são nada boas e piora a cada dia que passa. Aproveitamos para agradecer ao leitor Jahyr Jesus Brito pelo envio deste editorial.

3 comentários:

  1. Desculpe a brincadeira de mal gosto.Mas depois do VLSNada ,teremos o VLMNenhum.Só teremos mesmo os jantares,as cerimônias,as assinaturas, as fotos, as viajens, os discursos, os brindes, as comemorações...Tem sido assim a nossa vida.Mas não necessariamente.

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  2. Desinteresse por parte do governo e" O conflito sideral entre: AEB x INPE x FAB (IAE) x MCTI (agora MCTIC)", esses foram alguns dos motivos pelos quais a ex-União Soviética perdeu a corrida lunar.

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  3. Estranho que só se fale do propulsor quando o VSISNAV foi cancelado porque a MECTRON não deu conta de fazer sua rede elétrica. Ou seja, o problema não foi os propulsores. Quem fará as redes elétricas do VLM1 ?

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