segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasileiros Vencem Desafios Para Instalar Torres de Estudos Sobre o Clima

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (28/08) no site do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destacando que Brasileiros venceram desafios para instalar Torres de Estudos Sobre o Clima em plena Floresta Amazônica.

Duda Falcão

Brasileiros Vencem Desafios Para
Instalar Torres de Estudos Sobre o Clima

Três torres de pesquisa, sendo duas de 80 metros e uma
de 325 metros, foram instaladas na Floresta Amazônica.

Por Ascom do MCTI
Publicação: 28/08/2015 - 09:10
Última modificação: 28/08/2015 - 11:31

Fotos Crédito: Ascom/MCTI
Hermes Xavier liderou o primeiro grupo que chegou, em 2009,
na Reserva Desenvolvimento do Uatumã para abrir as estradas
que permitiram a chegada dos equipamentos das três torres
de pesquisas montadas na Floresta Amazônica.

A Estação Científica do Uatumã, uma área de 250 hectares no coração da Reserva de Desenvolvimento do Uatumã, é base da cooperação científica entre Brasil e Alemanha. No local, estão instaladas três torres de pesquisa com equipamentos para estudar a interação entre a Floresta Amazônica e a atmosfera, sendo duas de 80 metros (m) e uma de 325 m.

As estruturas fazem parte do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), fruto de uma cooperação entre Brasil e Alemanha. As condições climáticas e a logística foram os principais desafios enfrentados por quem ajudou a transferir o projeto científico do papel para o coração da maior floresta tropical contínua do mundo.

A primeira equipe chegou na Reserva em setembro 2009. Liderados por Hermes Xavier, servidor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI), 22 homens, entre funcionários do Instituto e comunitários da reserva, abriram 15 quilômetros de estrada. Eles aproveitaram uma trilha criada por exploradores ilegais de Pau-Rosa para abrir o caminho. "O Pau-Rosa é uma árvore que tem um óleo muito usado na fabricação de perfumes. O ramal [trilha] estava desativado há 30 anos e a natureza já estava se regenerando nesse espaço", explica Xavier. "Abrimos uma trilha de 3 metros de largura na mata fechada para permitir a passagem de quadriciclos e caminhonetes."

Em 13 dias, a estrada já ligava a beira do Rio Uatumã ao local onde foi instalada a primeira torre de 80 m. "A cada tempestade, a estrada ficava cada vez mais enlameada. A água tomava conta do ramal", conta o servidor do INPA. "Primeiro usávamos um quadriciclo para nos locomover e transportar as peças da torre, um trajeto que durava cerca de três horas; depois, passamos a usar um trator para trazer as estruturas metálicas. Em um determinado trecho [de ladeira], nenhum dos veículos conseguia transitar, e o material precisou ser carregado nas costas."

Dez meses depois, foi montada a segunda estrutura de 80 m. "Por quase dois anos, a equipe passou as noites em acampamentos improvisados com madeira de árvores, que já haviam caído e lonas. Deixávamos a reserva somente nos feriados ou nos dias de folga", relembra Xavier. No local é proibido caçar e derrubar árvores, mesmo que já estejam condenadas. "Toda a semana vinham barcos com água e alimentos."

Infraestrutura e Nova Fase

Os acampamentos foram substituídos somente em 2012. Eles deram lugar a um alojamento para 35 pessoas e outro, para 20 pessoas, foi construído em 2014. Banheiros, cozinha e uma área para lavar roupas foram erguidos. A estrada também foi recuperada. A Universidade Estadual do Amazonas (UEA) cedeu R$ 2 milhões na terceira fase do projeto LBA, quando foi iniciada a construção do Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), que foi inaugurado no último sábado (22). "Poucas pessoas acreditavam que seria possível construir uma torre de 325 metros na Floresta Amazônica. Nossa equipe nunca duvidou", garante Hermes Xavier.

A água é bombeada de um igarapé a alguns quilômetros da Estação. A energia elétrica no local é oriunda de geradores. Por mês, são cerca de 5 mil litros de diesel para alimentar os geradores e abastecer as caminhonetes e quadriciclos.

No total, 108 servidores do INPA, entre pesquisadores e técnicos, e quatro funcionários da Fundação Eliseu Alves participam do LBA. Um deles é Amauri Rodrigues Pereira. "Nossas vidas giram em torno das nossas famílias e desse projeto. Às vezes, passamos datas comemorativas aqui. Já comemorei dois aniversários na Estação", conta o paranaense de 51 anos, radicado na Amazônia desde 1992. "Tenho orgulho em saber que fazemos parte de um projeto científico que tem como objetivo estudar para preservar a Amazônia. Não sou cientista, mas faço parte da ciência brasileira."

Pereira perdeu as contas de quantas vezes precisou caminhar na estrada cheia de lama para buscar peças para os veículos. "Quando falta material para os veículos, a solução é improvisar, ou ir até Manaus, que são pelo menos cinco horas de viagem. Deitar na lama para arrumar um dos carros é melhor do que fazer todo o caminho de volta", detalha.

Na Estação Científica há sempre, no mínimo, dois funcionários. As equipes que fazem manutenção do alojamento e dos equipamentos se revezam numa escala onde 20 dias de trabalho equivalem a dez dias de folga.

Adir Vasconcelos Brandão faz parte do grupo que se reveza para manter a Estação Científica pronta para receber os pesquisadores. Com 61 anos, ele relata que os últimos quatro anos estão sendo especiais. "Os alemães nos ensinam a falar um pouco de inglês e a gente ensina o português", detalha Adir, que é conhecido como Careca. O dia inesquecível para ele foi há dois meses, quando o cachorro Fritz, cuidado por brasileiros e alemães, foi atacado por uma das onças que vivem na reserva. "Conseguimos afastar a onça fazendo barulho na mata. O Fritz ficou bastante machucado, mas agora, depois de ficar dois dias internado numa clínica [veterinária] de Manaus, ele aprendeu que com onça não se brinca."

Em 15 de setembro, começa uma nova fase para a Estação Científica do Uatumã. Cerca de 50 cientistas brasileiros e alemães chegam ao local para a primeira Campanha Científica de Cooperação entre Brasil e Alemanha. Até o fim de outubro, pesquisadores e estudantes dos dois países vão instalar equipamentos nas torres e fazer medições. Para melhor recepcionar os visitantes e poupar energia, um poço artesiano está sendo perfurado. Além disso, os geradores serão trocados por equipamentos mais potentes e econômicos.

Veja abaixo mais fotos da Estação Científica do Uatumã.



Fonte: Site do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)

Comentário: Compromisso, seriedade e perseverança quando elas estão presentes leitor, por maior que sejam os desafios, o ser humano é capaz de vencê-los, seja para fazer o bem, seja para fazer o mal, a inventividade humana, seu dinamismo e perseverança, sua capacidade de encontrar soluções para as mais diversas adversidades tem marcado a história do planeta, e bem ou mal (dependendo do ponto de vista) a sobrevivência e a supremacia da espécie humana sobre as outras espécies que habitam o nosso Planeta Mar, que curiosamente é chamado de Planeta Terra. As sociedades que compreendem isto são hoje as que mais se destacam no planeta, e as que terão maiores chances de sobreviver e de terem voto nas questões planetárias, já às sociedades como a nossa, estúpidas, corruptas, omissas e ignorantes, apesar de vez ou outra apresentarem exemplos pontuais como este acima, estarão condenadas as adversidades resultantes de sua própria estupidez.

“Turma das OS” Volta a Atacar INPE

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na edição de julho e Agosto do “Jornal do SindCT”, destacando que a turma (grupo) que defende as Organização Sociais (OS) volta a atacar o INPE.

Duda Falcão

NOSSA PAUTA 3

“Turma das OS” Volta a Atacar INPE 

CONQUISTAS DOS SERVIDORES ESTÃO EM RISCO

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 39
Julho e Agosto de 2015

Comissão externa que visita o INPE não tem isenção para opinar, já que seus membros pertencem todos às OS. Seis dessas organizações privadas atuam no MCTI, que planeja mais sete...

No dia 23 de junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) recebeu representantes de uma das comissões criadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com a alegada finalidade de realizar um diagnóstico dos órgãos de pesquisa, a partir do qual a pasta poderá encaminhar uma proposta de mudança na estrutura de governança destas instituições, conforme descrito nas portarias 308, de 8 de maio e na 351, de 21 de maio, ambas de 2015. O prazo para execução desse levantamento se encerra em 8 de novembro de 2015.

A comissão externa que visitou o INPE é presidida pelo físico Rogério Cezar Cerqueira Leite, “pai” da primeira organização social (OS) ligada ao MCTI, o Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), sediado em Campinas. Cerqueira Leite presidiu, até 2011, o Conselho de Administração da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS), outra OS umbilicalmente ligada ao CNPEM.

Também faz parte da comissão Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e igualmente defensora das OS como “modelo adequado e dinâmico”, segundo carta aberta da qual é signatária.

Compõem ainda a Comissão instituída pelo MCTI Kleber Gomes Franchini, do CNPEM; Luiz Davidovich, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), outra entidade que vem se posicionando publicamente em defesa das OS na gestão dos institutos públicos de pesquisa; e o professor Osvaldo Luiz de Oliveira, diretor de uma faculdade privada. Portanto, o grupo não possui a isenção necessária para traçar um diagnóstico confiável. Assistiram à exposição feita pela comissão de Cerqueira Leite 14 coordenadores de projetos do INPE, que se mostraram bastante desconfiados.

“Pela apresentação que fizeram, ficou evidente que queriam nos convencer de que transformar o INPE em OS seria uma ótima solução, porque, basicamente, ficaram mostrando os exemplos bem sucedidos do modelo de gestão Organização Social”, disse um dos participantes, que preferiu não ser identificado.

“Como não imaginar que já vieram com a missão de fazer do INPE uma Organização Social se todos os membros da Comissão são ligados a algum órgão que está sob esse modelo jurídico?”, questiona um outro coordenador de projetos que participou da reunião com a comissão externa. Não é a primeira tentativa de alterar a forma de administrar o INPE, como relata Gino Genaro, diretor do SindCT.

“Em 2010 fui um dos cerca de 200 servidores do INPE que participaram do planejamento estratégico promovido pelo CGEE, uma OS contratada pelo MCTI a peso de ouro e, até onde consta, sem licitação, para fazer estes trabalhos nos vários órgãos da pasta, inclusive o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)”.

Dos 10 grupos de trabalho formados, Gino participou daquele que tratava de “um novo modelo institucional” para o INPE. “Eu e cerca de 30% do GT tivemos debates acesos com os representantes do CGEE, que claramente defendiam que o INPE adotasse a figura jurídica de OS, como panaceia para todos os males da instituição.

Na época o diretor era Gilberto Câmara, que também passou a defender abertamente a contratação de uma OS para administrar o instituto. Resultado: nós contrários a esta ideia submetemos a voto no GT um relatório alternativo, que foi derrotado, mas que compôs a resultado final dos trabalhos”.

Não ao Desmonte”

Em 2012, o então ministro Marco Antonio Raupp fez uma articulação, inicialmente sigilosa, para executar uma reestruturação que juntaria o INPE à Agência Espacial Brasileira (AEB). Porém, houve uma forte reação dos servidores, que promoveram debates e palestras para organizar a defesa do INPE.

Por ocasião das comemorações dos 51 anos do instituto, no Auditório do LIT, diante do ministro, a força de trabalho do instituto, sem distinção de cargos e funções, vestiu as camisetas pretas que o SindCT mandou imprimir, com a categórica frase “Não ao desmonte do INPE”. “Foi uma clara demonstração de que há uma posição contrária, por parte dos servidores, a retirar a autonomia do instituto, que em 3 de agosto completou 54 anos”, declara Ivanil Elisiário, presidente do SindCT. “Há pessoas que defendem o modelo porque são criados alguns cargos com salários de R$ 30 mil. Então, quem tem expectativa de ser alçado a esses cargos, geralmente preenchidos por indicação política, defende com energia o modelo OS”, comenta um servidor. Paulo Porsani, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq), entidade de Campinas que representa os trabalhadores do CNPEM, avalia que hoje é difícil comparar presente e passado, porque já são vinte anos de controle do órgão público por uma OS, mas tem uma opinião forte sobre o assunto. O governo, explica o sindicalista, leva a instituição pública ao colapso de pessoal, porque não faz concurso; deixa de injetar recursos e de priorizar projetos; com isso tudo, gera uma desmotivação coletiva; e, em seguida, chega com uma solução milagrosa: as OS. “O governo cria uma falácia, pois deixa a instituição ficar ruim porque não investe e não soluciona os problemas de ordem primária.

Então mudam para o modelo OS e, aí sim, passam a injetar rios de dinheiro”, declarou Porsani ao Jornal do SindCT. Ele observa que os defensores das OS gostam de usar o CNPEM como modelo de sucesso, mas denuncia: “Como não ser, se mesmo em época de contingenciamento do governo o órgão receberá R$ 1 bilhão para o Projeto Sirius, de aceleradores de elétrons?”

A privatização via OS, adverte, traz consigo um endurecimento da relação com os trabalhadores: “Em 2008 foi eleito pela força de trabalho um membro dos trabalhadores para o Conselho Administrativo do CNPEM, em uma eleição direta, e quem venceu fazia parte do sindicato. Assim, para que não assumisse o cargo, mudaram o estatuto para retirar a parte onde dizia que poderia haver um representante dos trabalhadores.

Ou seja, ele ficou de fora”, lembra Porsani. No último dia 5 de agosto, o Fórum de C&T entregou ao ministro Aldo Rebelo um ofício em que pede maior transparência na condução do processo realizado pela comissão presidida por Cerqueira Leite, e que seja promovida ampla discussão do assunto com os servidores.

O SindCT promoverá debates abertos aos servidores do INPE e Cemaden para esclarecer o que impactaria uma mudança desta magnitude — e abrirá os microfones para os participantes dizerem se a aprovam ou não.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 39ª - Julho e Agosto de 2015

Comentário: E você leitor, o que acha de toda essa história? Informo aos leitores que queiram opinar que como colocado por mim em comentário em nota anterior, o Blog BRAZILIAN SPACE não aceitará mais comentários anônimos por acreditarmos que, quem quer realmente acrescentar algo de positivo ao PEB e ao país precisa encarar de frente as suas convicções e crenças e não se esconder atrás do manto da anônimidade e da covardia. Só poderão postar a partir de agora suas opiniões aqueles que estiverem inscritos no Blog, mesmo que isto venha gerar o completo silencio de nossos leitores, coisa que confirmaria o que eu já sei há muito tempo, ou seja, a sociedade covarde, omissa, corrupta e hipócrita em que vivemos.

FAPESP e FINEP Abrem Três Chamadas de Propostas

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota publicada dia (29/08) no site da Agência FAPESP, destacando que a FAPESP e a FINEP abriram conjuntamente três chamadas de propostas para empresas do estado de São Paulo nas áreas Aeroespacial e de Defesa, na de desenvolvimento comercial e industrial de produtos e para apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores para o novo anel acelerador Sirius, projeto este do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

Duda Falcão

Notícias

FAPESP e FINEP Abrem
Três Chamadas de Propostas

Agência FAPESP
28 de agosto de 2015

(Foto: LNLS)
Podem participar da seleção como
proponentes microempresas, empresas
de pequeno porte, pequenas empresas
e médias empresas brasileiras, sediadas
no Estado de São Paulo.
Agência FAPESP – A FAPESP anuncia a abertura de três novas chamadas de propostas de pesquisas em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). As três estão inseridas no programa PIPE da FAPESP e no programa PAPPE Subvenção da FINEP.

Podem participar da seleção como proponentes microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas e médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo, constituídas 12 meses antes do lançamento dos editais.

As proponentes deverão indicar um pesquisador responsável/coordenador técnico pelo projeto. As propostas serão recebidas até o dia 27 de novembro de 2015. O prazo de execução do projeto deverá ser de até 24 meses.

A primeira chamada é para o Fortalecimento e Qualificação em Manufatura Avançada das Cadeias Produtivas da Indústria Aeroespacial e de Defesa do Estado de São Paulo.

A indústria aeroespacial e de defesa é caracterizada pela geração de alta tecnologia e integração de atividades multidisciplinares para fabricação de produtos de alta complexidade e com emprego de capital humano altamente especializado.

Dentre as várias possibilidades de desenvolvimento no setor, podem ser priorizadas algumas das principais demandas tecnológicas e com potencial de transbordamento para outras cadeias produtivas nacionais, como Materiais Compósitos e Metálicos, Medição, Ferramental, Automação, Montagem Estrutural e Cablagem.

Os recursos alocados para financiamento dos projetos selecionados são da ordem de R$ 30 milhões – 50% da FAPESP e 50% da Finep. O valor total solicitado para cada proposta poderá ser de até R$ 1,5 milhão.

A chamada está publicada em: www.fapesp.br/9666.

PIPE-PAPPE

Na segunda chamada lançada pela FAPESP e FINEP, serão financiadas propostas no âmbito da Fase 3 do Programa PIPE. A Fase 3 apoia a pesquisa em empresas paulistas para o desenvolvimento comercial e industrial de produtos.

Serão apoiados projetos de pesquisa para inovação em todas as áreas do conhecimento. O valor máximo de financiamento previsto é de R$ 1 milhão.

A chamada está publicada em: www.fapesp.br/9667.

SIRIUS

A terceira seleção pública anunciada por FAPESP e FINEP é a segunda chamada lançada pelas instituições para apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores para o novo anel acelerador Sirius, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Na primeira chamada, 13 empresas foram selecionadas.

Uma das primeiras fontes de luz síncrotron consideradas de 4ª geração, o Sirius é composto por um acelerador síncrotron de 3 GeV e 0.28 nm radiano de emitância. Essa nova fonte terá brilho comparável ou melhor do que todas aquelas em construção ou recentemente construídas nas Américas, Europa e Ásia, permitindo que o Brasil se mantenha competitivo pelos próximos 20 anos.

O projeto e a construção de muitos dos principais equipamentos do sistema serão brasileiros, assim como o foram para a primeira fonte em operação no LNLS. No entanto, diferentemente do passado, o envolvimento da indústria nacional será muito mais intenso e fundamental para o sucesso do novo projeto.

Por esse envolvimento e pelas demandas do projeto, identificaram-se no momento de sua concepção equipamentos, dispositivos e sistemas com alto grau de complexidade, não encontrados em prateleiras ou sob encomenda, mas que puderiam ser desenvolvidos por empresas no Brasil.

Os recursos alocados para financiamento no edital são da ordem de R$ 20 milhões – 50% da FINEP e 50% da FAPESP. O valor total solicitado para cada proposta poderá ser de até R$ 1,5 milhão.

A chamada está publicada em: www.fapesp.br/9668.


Fonte: Site da Agência FAPESP

Fabricantes Demitem e País Perde Especialistas

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado hoje (31/08) no site do Jornal Valor Econômico e postado no mesmo dia no site da Força Aérea Brasileira (FAB), destacando que Fabricantes do Setor Aeroespacial estão demitindo e o País perde especialistas.

Duda Falcão

Fabricantes Demitem e País Perde Especialistas

Virgínia Silveira
De São José Dos Campos
Valor Econômico
31/08/2015

Depois de investir em mão de obra, inclusive com treinamentos e especialização no exterior, o setor aeroespacial e de defesa no Brasil está demitindo para fazer frente ao corte de investimentos do governo. Além do custo da demissão, essas pessoas levam boa parte do conhecimento das empresas. Segundo dados da AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil), o setor aeroespacial e defesa emprega hoje 24 mil pessoas, sendo que a maior parte, cerca de 19 mil pessoas, trabalha na Embraer. Mas a área espacial é a mais atingida.

A falta de novos projetos e contratos, além da restrição orçamentária, ameaça a sobrevivência dessas empresas e de suas equipes. A produção da área espacial da Mectron, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia e responsável pelo desenvolvimento de mísseis, torpedos, radares e sistemas espaciais, foi fechada no primeiro semestre e 32  pessoas foram demitidas. Os cinco funcionários que ficaram, de nível gerencial, estão tocando alguns projetos ainda em andamento, segundo o presidente da Odebrecht Defesa, André Amaro. No total, a Mectron tinha 500 funcionários no começo do ano e agora tem 360.

Formado em engenharia eletrônica pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) Arnaldo Wowk, com quase 40 anos de experiência no setor de defesa e espaço, foi um dos profissionais demitidos da Mectron. Com passagem pela Embraer e especialização na Agência Espacial Francesa (CNES), Wowk disse que está desiludido e teme pelo futuro dos projetos qu eainda estão em andamento na área espacial.

"Perdemos a capacitação técnica que permitia dar continuidade a projetos como o do foguete VLS. O contrato das redes elétricas do foguete, que teve 70% do seu desenvolvimento feito pela Mectron, será transferido para o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Ele, no entanto, não tem corpo técnico para terminar os trabalhos", afirmou.

A Opto Eletrônica, de São Carlos, atualmente em processo de recuperação judicial, também dispensou suas equipes técnicas ao reduzir de 85 para apenas 18 o núcleo de engenheiros e técnicos que atuavam na área de optrônica (único núcleo no Brasil).

Foi com este grupo que a empresa desenvolveu a câmera de alta resolução do satélite Brasil-China (considerado um marco para o programa espacial brasileiro) e o projeto do míssil A-Darter, feito com a África do Sul. Segundo o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Opto, Mário Stefani, 40% dos profissionais que saíram da empresa foram trabalhar em universidades e 20% estão sendo absorvidos por empresas e universidades estrangeiras.

Para formar um doutor em óptica, segundo Stefani, o tempo médio pode chegar a 17 anos. A Opto Eletrônica investiu inclusive na formação complementar de vários dos seus profissionais em universidades fora do Brasil.

"Pessoas com nível de qualificação sênior se movem pelo desafio. Quando não vêm perspectiva ficam desmotivadas", afirma. Por serem muito qualificados, explica o executivo, esses profissionais dificilmente ficam desempregados, mas os projetos estratégicos do país acabam não tendo continuidade porque as equipes se dispersam.

Uma das principais cientistas à frente do desenvolvimento da câmera espacial da Opto, a física Érica Gabriela de Carvalho, de 38 anos, atualmente é professora de física no ensino médio de uma escola privada de São Paulo e dá aula cálculo e física na Universidade de São Paulo (USP).

Com mestrado em óptica e especialização na International Society for Optics and Photonics (Spie) e um curso de formação complementar em software de desenho óptico na Zemax, dos Estados Unidos, Érica conta que decidiu deixar a área espacial e de defesa, após ser demitida, porque não via nenhuma perspectiva de poder aplicar seu conhecimento em outra empresa ou instituição.

"O Brasil fez um investimento muito alto para o desenvolvimento da tecnologia das câmeras de alta resolução no país. A primeira opção era comprar isso fora, como aconteceu nos dois primeiros satélites feitos com a China", diz. Para a cientista, o país perdeu a oportunidade de continuar evoluindo na aplicação desse conhecimento para o desenvolvimento de outros tipos de câmeras e equipamentos ópticos avançados.

A Orbital, especializada no desenvolvimento de painéis solares para satélites, reduziu em 50% o número de funcionários, dos quais 80% altamente qualificados, e hoje tem 21 funcionários. Parte dessa redução ocorreu por demissão e parte por falta de motivação. "A maior parte das pessoas saiu porque perdeu a motivação e por isso decidiu trabalhar em outro setor menos demandante de tecnologia", afirmou o presidente da empresa, Célio Vaz.

Na Helibras a saída para manter os profissionais foi exportar serviços de engenharia para o grupo Airbus Helicopters. Considerado o quarto pilar de engenharia da matriz, junto com a França, Alemanha e Espanha, a Helibras no Brasil estava sendo capacitada para projetar um helicóptero totalmente nacional num prazo de cinco anos, mas com a crise o projeto foi adiado.

O centro de engenharia da empresa em Itajubá conta hoje com 73 especialistas. A empresa começou com sete pessoas em 2009. "Alguns aderiram ao plano de demissões voluntárias, mas as competências técnicas mais importantes e estratégicas para o grupo nós estamos conseguindo manter", afirma Walter Filho, diretor do centro de engenharia da Helibras.

A estratégia para segurar essa mão de obra, segundo Filho, envolve além da venda de serviços internacionais para as filiais da Airbus Helicopters no mundo, o desenvolvimento de soluções diferenciadas que melhorem a competitividade dos produtos da marca no mercado brasileiro e também na América Latina. "Um exemplo recente é o interior vip do helicópopters no mundo, o desenvolvimento de soluções diferenciadas que melhorem a competitividade dos produtos da marca no mercado brasileiro e também na América Latina. "Um exemplo recente é o interior vip do helicóptero H130, que foi inteiramente feito pela Helibras no Brasil. O produto tem potencial para ser exportado para outros países da região", disse.


Fonte: Valor Econômico via Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: O engaçado aqui é que esta matéria da jornalista Virgínia Silveira vem como um contraponto ao artigo sobre a MECTRON da Revista Pesquisa FAPESP postado na manhã de hoje no BLOG. Leitor, não adianta tapar o sol com a peneira. Cadê o Pinóquio da AEB? Ops, esqueci, estava passeando na China na semana passada. O País é um caos sob o pseudo comando de uma debiloide irresponsável e que (acredito eu) crê mesmo em suas ações, uma grande tragicomédia sendo conduzida na realidade nos bastidores por uma corja de aproveitadores e corruptos, gente que não vale um tostão furado e que deveriam estar todos mortos, afinal colocar na cadeia tem um custo e mandá-los para o inferno ficaria mais barato.  Infelizmente estamos pagando pelos nossos próprios erros, e a única saída é amadurecer como Sociedade, ou continuar nesta ciranda e nesta fantasia de décadas propagada pelo slogan “BRASIL PAÍS DO FUTURO”. Ora, faça-me uma garapa.

PF Detém Um dos Maiores Especialistas em Meteoritos da NASA

Olá leitor!

Segue abaixo uma curiosa notícia postada ontem (30/08) no site do “defesanet,com”  destacando que a Polícia Federal (PF) brasileira deteve um dos maiores especialistas em meteoritos da NASA.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Segurança

PF Detém Um dos Maiores Especialistas
em Meteoritos da NASA

Júlio Ottoboni
30 de Agosto, 2015 - 16:00 ( Brasília )


A Polícia Federal do Brasil deteve no final da manhã deste domingo (30) e deportará um dos maiores pesquisadores mundiais de meteoritos, o Dr. Klaus Keil, que vinha para uma série de palestras e eventos científicos no país.

Aos 80 anos, o cientista desceu no aeroporto de Guarulhos (SP), de um voo da American Airlines, de onde tomaria uma conexão para o Rio de Janeiro, quando foi detido.

Meteoritical Society Endowment Fund financiou a vinda do pesquisador para o Brasil, onde haverá um circuito de palestras, inclusive para a abertura do Encontro de Meteoritos e Vulcões do Museu Nacional (RJ), no próximo dia 03, e para palestras em Porto Alegre, Salvador, Inpe de São José dos Campos, e para o Encontro de Astronomia da FAB no começo de outubro.

O motivo alegado é a falta o pagamento de uma taxa quando esteve no Brasil, em 2013, a convite do Museu Nacional, quando também efetuou uma série de palestras e encontros sobre o assunto.

Diversos cientistas se mobilizaram para evitar a deportação, inclusive para entender o ocorrido. “Vai ser uma catástrofe no meio científico, se ele for embora não retornará mais, inclusive pela idade. É uma pessoa que tem publicações sobre os meteoritos brasileiros e ama o país. A situação é altamente constrangedora”, disse a professora e pesquisadora do Museu Nacional, Maria Elizabeth Zucolotto.

Dr. Klaus Keil é professor de geologia na Universidade do Havaí e entre 1963 e 1968, ele chefiou o departamento de Cosmochemistry NASA, quando ocorriam os famosos eventos de análises das pedras da Lua. Desde 1990 ele tem sido professor de geologia e geofísica na Universidade do Havaí em Manoa.



Comentário: Bom leitor, como esta notícia é de ontem, não sabemos como esta história terminou ou se já terminou, mas primeiramente, independentemente da clara falta de ‘bom senso’ no episodio, não podemos deixar de parabenizar a Polícia Federal por cumprir a sua missão exemplarmente, mas é evidente que tudo poderia se resolvido com um pouco de bom senso.

Operação Barreira XIV

DESCRIÇÃO DA CAMPANHA

Operação: Operação Barreira XIV
Foguete:  Foguete de Treinamento Básico (FTB)
Numero do vôo do foguete: 31
Data de lançamento: 19/06/2015
Horário: Não divulgado
Local:  Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)
Apogeu do vôo:  Não divulgado
Alcance horizontal: Não divulgado
Tempo de vôo:  Não Divulgado
Objetivo:  Realizar o treinamento da capacidade operacional do Centro e das equipes envolvidas, bem como testar em voo este foguete para sua futura qualificação espacial.
Resultado:  Não divulgado

Experimentos Embarcados:

- Não houve

Instituições Envolvidas:

AEB - Agência Espacial Brasileira
DCTA - Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial
CLBI - Centro de Lançamento da Barreira do Inferno - Natal-RN
CLA - Centro de Lançamento de Alcântara - Alcântara-MA
IFI - Instituto de Fomento e Coordenação Industrial
AVIBRÁS - Avibrás Indústria Aeroespacial S/A

Lançamento do Foguete FTB
Operação Barreira XIV – 19/06/2015

No dia 19/06 foi realizado o lançamento do trigésimo primeiro protótipo do Foguete de Treinamento Básico (FTB) como parte integrante das atividades da “Operação Barreira XIV”, lançamento este ocorrido do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN).

Esta foi à primeira campanha de lançamento de foguetes realizada no Brasil em 2015 e as atividades desta campanha tiveram como objetivo realizar o treinamento da capacidade operacional do Centro e das equipes envolvidas, bem como testar em voo este foguete para sua futura qualificação espacial.

O foguete FTB que foi integralmente desenvolvido no Brasil pela empresa Avibrás, mede 3 metros, pesa 70kg e pode chegar até 32km de altitude e no futuro poderá ser utilizado em estudos sobre a nossa atmosfera.

OBS: O Blog BRAZILIAN SPACE pede desculpas aos seus leitores pelo grande atraso em postar este relatório e de forma incompleta, já que não houve qualquer divulgação da FAB sobre os resultados da operação, o que nos levou a aguardar até hoje.

CLA Recebeu o Alto-Comando da Aeronáutica

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (28/08) no site do “Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)” destacando que Comitiva do Alto-Comando da Aeronáutica liderada pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, visitou na última quinta-feira (27/08) o Centro de lançamento de Alcântara (CLA).

Duda Falcão

NOTÍCIAS

CLA Recebe o Alto-Comando da Aeronáutica

Sexta, 28 de Agosto de 2015, 09h27
Última atualização em Sexta, 28 de Agosto de 2015, 09h27


O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) recebe nesta quinta (27/8) e sexta-feira (28/8) o Alto-Comando da Aeronáutica, composto pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato e por oficiais generais dos Órgãos de Direção Geral, Setorial e de Assistência direta e imediata ao Comandante da Aeronáutica (ODGSA). Durante os dois dias de atividades, os oficiais do Alto-Comando se reúnem para discutir assuntos de interesse relacionados à Força Aérea Brasileira (FAB).


A reunião no CLA foi iniciada com a cerimônia militar semanal, presidida pelo Tenente Brigadeiro Rossato, contando com a participação de todo efetivo militar do Centro. Ainda nesta quinta-feira pela manhã, todo Alto-Comando assistiu ao lançamento do Foguete de Treinamento Básico (FTB), dentro da Operação Falcão I/ 2015, a partir do Centro de Controle, responsável por coordenar todas operações de lançamento. No período da tarde, a comitiva visitou as instalações operacionais do Setor de Preparação e Lançamento (SPL), conhecendo o Prédio de Preparação de Propulsores (PPP), onde são preparados os motores do veículos lançados em Alcântara, o Centro de Controle Avançado (CAV), um bunker com estrutura reforçada que abriga a equipe responsável por manter a segurança de área e realizar procedimentos no foguete junto ao lançador. A Torre Móvel de Integração (TMI), plataforma de lançamento do maior foguete de fabricação nacional, o Veículo Lançador de Satélites (VLS), também compôs a programação de visitas da comitiva do Alto-Comando.


O Comandante da Aeronáutica e todo Alto-Comando, também puderam conferir in loco o andamento das obras do Prédio de Controle de Preparação (PCP) e do Prédio de Depósito de Propulsores (PDP), instalações operacionais em construção na área do SPL e essenciais para a retomada das atividades com o Veículo Lançador de Satélites. Já na Área de Apoio ao Centro de Lançamento (AACL), os oficiais generais acompanharam o andamento das obras do novo Posto Médico e da nova sede da Escola Caminho das Estrelas, responsável por ministrar o ensino fundamental regular aos dependentes do efetivo civil e militar do CLA e à comunidade de Alcântara.



Fonte: Site do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

Comentário: Como cidadão brasileiro, defensor do Programa Espacial Brasileiro (PEB) e da Ciência e Tecnologia de meu país, sinceramente espero que o Comandante Tenente Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato não tenha ido ao CLA para passear, e sim somar, para conhecer o que está sendo feito, suas necessidades e a partir daí cobrar do desgoverno da “DebiOgra”, e em especial de seu fantoche Ministro da Defesa, ações realmente efetivas em favor dos projetos de veículos lançadores de satélites do país (VLS-1 e VLM-1). Esta omissão do COMAER em prol de um bem menor tem de acabar e o atual comandante deve liderar essa luta, dando exemplo a sociedade de brasilidade e de compromisso com a NAÇÃO, e não entrando para história como mais um comandante omisso, assim como ocorreu com o ex-comandante Juniti Saito.

Armadilha Para Fantasmas

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo publicado na a edição de agosto de 2015 da “Revista Pesquisa FAPESP” destacando que Mecanismo proposto por dois astrofísicos da Universidade de São Paulo (USP) pode explicar a origem de neutrinos de alta energia detectados na Antártida.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Armadilha Para Fantasmas

Mecanismo proposto por pesquisadores da USP pode explicar
a origem de neutrinos de alta energia detectados na Antártida

RICARDO ZORZETTO
Revista Pesquisa FAPESP
ED. 234 | AGOSTO 2015


Dois astrofísicos da Universidade de São Paulo (USP) propuseram um mecanismo para explicar onde e como surgem as partículas altamente energéticas que vêm sendo identificadas por um observatório imerso no manto de gelo da Antártida. Composto por 5.160 detectores que formam um cubo de 1 quilômetro de lado, o IceCube registra todos os anos dezenas de milhares de neutrinos, partículas elementares neutras e quase sem massa, vindas de diferentes regiões da Terra. Desde que começou a funcionar, em 2010, o IceCube já coletou informações de uma montanha de neutrinos. De todos, 54 foram considerados especiais. Eram partículas vindas provavelmente de fora da galáxia, com um nível de energia muito elevado, milhões de vezes superior ao dos neutrinos emitidos pelo Sol.

Os astrofísicos imaginam que somente fenômenos de proporções cataclísmicas, como a morte explosiva de uma estrela de massa elevada ou um buraco negro de massa gigantesca se alimentando, são capazes de produzir partículas com níveis tão altos de energia. Até o momento, no entanto, não se havia encontrado um mecanismo capaz de gerar neutrinos como esses que chegaram à Terra.

Elisabete de Gouveia Dal Pino, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, e seu aluno de doutorado Behrouz Khiali parecem ter identificado um fenômeno que poderia originar esses neutrinos superenergéticos. Para eles, essas partículas fugidias, que já foram chamadas de partículas fantasmas por interagirem raramente com a matéria, poderiam surgir como subproduto de um mecanismo físico chamado reconexão magnética.

Nesse fenômeno, linhas de campos magnéticos de sentido contrário, ao se encontrarem, aniquilam-se e liberam energia magnética, responsável por acelerar as partículas eletricamente carregadas que estejam por perto. É o que acontece no Sol, quando linhas magnéticas produzidas pelo gás aquecido da coroa aproximam-se e se anulam, liberando a energia que impulsiona as partículas do vento solar – esses eventos geram gigantescas alças ou loops que podem ser observados por telescópios na Terra. Na opinião de Elisabete e Khiali, esse mesmo fenômeno deve ocorrer na vizinhança de buracos negros com massa elevada. Afinal, esses poderosos devoradores de matéria reuniriam todas as condições necessárias para que isso acontecesse.


Esses buracos negros acumulam uma massa dezenas de milhões de vezes maior que a do Sol em uma região com dezenas a centenas de quilômetros de diâmetro. Objetos tão densos apresentam uma gravidade absurdamente elevada e atraem toda a matéria ao redor, que em geral se encontra na forma de gás. Essa matéria passa a se mover em torno do buraco negro e cair em sua direção, como a água que corre para o ralo da pia. A rotação dessa camada de gás quente contendo partículas eletricamente carregadas – é o chamado disco de acreção – gera campos magnéticos em constante movimento. Por vezes, as linhas desses campos se encontram com as que existem ao redor do buraco negro. Quando elas têm sentidos (polaridade) opostos, aniquilam-se liberando calor e energia e impulsionando as partículas carregadas, como os prótons. Os prótons ficam aprisionados entre as linhas do campo magnético e ganham cada vez mais energia. “Imaginamos que aconteça algo parecido com o que ocorre com uma bola de tênis rebatida por jogadores correndo um de encontro ao outro”, explica Khiali, astrofísico iraniano que veio para o Brasil estudar reconexão magnética com Elisabete. “A cada rebatida, a bola ganha mais velocidade.” De modo semelhante, os prótons acumulam energia até que conseguem escapar dos campos magnéticos a velocidades próximas à da luz.

No caminho em direção ao espaço, esses prótons acelerados podem se chocar com outros prótons ou com partículas de luz (fótons), ambos abundantes em uma vasta região em torno do buraco negro chamada coroa. O choque entre as partículas as destrói e gera outras. Da colisão entre prótons ou entre um próton e um fóton, surgem partículas menos energéticas e mais instáveis, os píons, que liberam fótons de raios gama e neutrinos (ver infográfico).

Os cálculos de Khiali e Elisabete sugerem que, ao redor de buracos negros com massa variando de 10 milhões a 1 bilhão de sóis, a reconexão magnética seria capaz de gerar prótons energéticos o suficiente para produzir os neutrinos superenergéticos do IceCube – antes, Elisabete, Luis Kadowaki e Chandra Singh já haviam verificado que esse mecanismo pode originar os raios gama produzidos próximo a buracos negros e sistemas binários de estrelas.

A reconexão magnética não é o único modelo para explicar os prótons acelerados. Em 2014, os astrofísicos italianos Fabrizio Tavecchio e Gabriele Ghisellini haviam sugerido que essas partículas poderiam ser geradas pelos jatos que emanam próximo aos polos dos buracos negros.


“Hoje, o mecanismo mais aceito para a produção de neutrinos superenergéticos é o choque na região dos jatos, mas ele não explica os eventos de tão alta energia como os detectados no IceCube”, diz o físico Orlando Peres, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Pode ser que isso ocorra por meio da reconexão magnética ou de outro mecanismo que ainda não conhecemos.”

Elisabete lembra de outra vantagem de seu modelo em relação aos demais. “Além dos neutrinos, nosso mecanismo explica a produção de fótons de raios gama altamente energéticos e de raios cósmicos que poderiam ser produzidos na vizinhança desses buracos negros”, afirma a astrofísica, uma das coordenadoras da participação brasileira no Cherenkov Telescope Array (CTA), que vai montar dois conjuntos de telescópios para estudar raios gama de alta energia.

“A proposta da equipe do IAG é interessante, mas é cedo para saber se está correta porque o número de neutrinos detectados é pequeno e não permite saber de onde vêm”, diz a física Renata Funchal, da USP, que estuda os neutrinos com o objetivo de entender como poderiam interagir com outras partículas. “Esse modelo pode vir a ser testado em pouco tempo, caso ocorra a ampliação do IceCube”, conta Renata. Há o plano de dobrar o número de detectores e aumentar o tamanho do observatório para um cubo com 10 quilômetros de lado. Isso aumentaria a probabilidade de registrar partículas fantasmas tão energéticas. Como eles não interagem com praticamente nada na viagem até a Terra, sua trajetória pode revelar de onde vêm. A identificação da origem desses neutrinos pode permitir verificar se esse objeto também emite fótons de raios gama e raios cósmicos. “Isso poderia confirmar o modelo de Elisabete e Khiali e levar a uma era de astronomia de neutrinos, que permitiria estudar objetos sem o uso de telescópios de luz”, diz Peres. “Mas ainda estamos engatinhando nisso.” N

Projeto: Investigação de fenômenos de altas energias e plasmas astrofísicos: teorias, simulações numéricas, observações e desenvolvimento de instrumentação para o Cherenkov Telescope Array (CTA) (2013-10559-5);
Modalidade: Projeto Temático;
Pesquisadora responsável: Elisabete Maria de Gouveia Dal Pino (USP); Investimento: R$ 9.451.122,83 (para todo o projeto – FAPESP).

Artigo científico

KHIALI, B. e DE GOUVEIA DAL PINO, E. M. Very high energy neutrino emission from the core of low luminosity AGNs triggered by magnetic reconnection acceleration. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. No prelo.


Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - Edição 234 - Agosto de 2015