segunda-feira, 9 de março de 2015

URSS Pode Ter Escondido Morte de Cosmonautas, Diz Chefe da NASA

Olá leitor!

Você lembra da passagem recente do Diretor da NASA pelo Brasil? Pois então, segue abaixo uma matéria postada dia (06/03) no site do jornal “Folha de São Paulo” com uma interessante entrevista com o Dr. Charles Bolden realizada pelos jornalistas Salvador Nogueira e Flávia Foreque, onde o diretor da NASA disse que a antiga (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas -URSS) pode ter escondido a morte de cosmonautas e que a NASA tem interesse que o Brasil volte a participar da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês).

Duda Falcão

CIÊNCIA

URSS Pode Ter Escondido Morte de
Cosmonautas, Diz Chefe da NASA

SALVADOR NOGUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
FLÁVIA FOREQUE DE BRASÍLIA
06/03/2015 - 02h05

Sérgio Lima/Folhapress
Charles Bolden, administrador da NASA,
durante palestra no Museu da República, em Brasília.

A União Soviética pode ter escondido a morte de cosmonautas em acidentes espaciais, afirma Charles Bolden, administrador da NASA (agência espacial norte-americana), em entrevista à Folha durante viagem ao Brasil, na semana passada.

A declaração ocorre num momento de tensão entre russos e norte-americanos, diante do conflito entre Ucrânia e separatistas pró-Rússia.

Aos 68 anos, ele é o primeiro negro no comando da agência –está à frente da NASA desde 2009. Antes, foi astronauta. Voou quatro vezes.

Ele veio ao Brasil para divulgar iniciativas educacionais da NASA e tentar retomar a parceria com o país em experimentos na Estação Espacial Internacional.

Folha - O que o trouxe ao Brasil?

Charles Bolden - A Agência Espacial Brasileira é uma parceira de longa data, coisa de 50 anos. Estive aqui em 2011 e era hora de voltar, renovar algumas conversas e ver se encontramos áreas em que possamos colaborar, particularmente em ciências da Terra.

Começamos agora a realizar observações e experimentos nesse sentido a partir da Estação Espacial Internacional.

A NASA quer trazer o Brasil de volta para a estação? Já estivemos lá...

Sim, o Brasil já fez parte dela, muito tempo atrás, e acabou não dando certo. Agora há outra oportunidade, desta vez fazendo algo que é bem importante para ambas as nações, na compreensão das mudanças climáticas, estudos sobre gerenciamento de recursos hídricos. Queremos oferecer oportunidades para a realização de experimentos liderados por brasileiros.

O senhor foi astronauta e acabou se tornando administrador da NASA. O que mudou na sua visão?

Quando eu era astronauta, tudo que buscava era garantir que eu estivesse na próxima lista dos astronautas que iriam ao espaço. Nunca levei em consideração o que acontecia em Washington. Só sabia que havia alguém lá tentando conseguir um orçamento.

Deve ter sido um grande desafio quando o senhor virou administrador, em 2009.

O presidente [Obama] tinha uma visão muito forte sobre os rumos da NASA.

Quando perdemos o ônibus Columbia, em 2003, a investigação do acidente apresentou várias recomendações. Uma era que a NASA deveria aposentar os ônibus e começar a transferir para entidades comerciais o transporte de carga e tripulação à baixa órbita terrestre. O presidente disse: vamos tentar facilitar o sucesso da indústria espacial comercial.

O senhor sente saudades dos ônibus espaciais?

Para ser honesto, sim e não. Sinto porque era um veículo em que tive a oportunidade de voar e era absolutamente incrível. Duvido que teremos algo tão bom: ele podia levar uma carga útil enorme ao espaço e transportar uma tripulação de sete pessoas.

O problema é que ele foi projetado para dar acesso à órbita terrestre baixa. Nós o usamos desse modo por 30 anos, mas não estávamos fazendo progressos em levar humanos além disso.

Isso significava muito para o presidente. Ele sentia que o papel da NASA era assumir a dianteira e fazer coisas que outras organizações não conseguem fazer. E esse objetivo era levar humanos a Marte.

O ônibus também tinha um problema com segurança...

Não, não tinha. É um engano muito comum. Eles estavam entre os veículos mais seguros já utilizados. Mas não era um veículo projetado para ir além da órbita terrestre baixa, e nós queríamos explorar [o espaço].

Mas as estatísticas reais dos ônibus não são boas, cerca de uma perda catastrófica do veículo a cada 60 voos. Isso não é muito seguro...

É bem seguro para voo espacial. Qual é a taxa de acidentes de automóveis no Brasil?

Não sei, mas não se pode comparar automóveis com espaçonaves. Vamos comparar espaçonaves com espaçonaves...

OK, diga uma espaçonave.

A Soyuz russa.

Você sabe quantas pessoas morreram na Soyuz?

Três? [Na verdade, foram quatro. Os ônibus espaciais americanos, que voaram entre 1981 e 2011, mataram 14 astronautas, em dois acidentes.]

Foram mais. Nos dias da União Soviética... Não sabemos. Não sabemos quantos tripulantes foram perdidos nos tempos da União Soviética. Que tenham admitido, houve três tripulantes mortos num acidente, que sabemos ter ocorrido por vazamentos. Não sabemos se houve mais. [Bolden se refere ao acidente da Soyuz-11, de 1971; ele e a reportagem se esqueceram da falha do paraquedas da Soyuz-1, em 1967, que matou um tripulante].

O Sr. tem dito que devemos estar em Marte na década de 2030. Como ter certeza de que desta vez vai acontecer?

Não tem como. Você precisa de apoio do Congresso e de governos futuros. Porque 2030 virá depois de várias administrações.

Eu sempre uso o termo "constância de propósito". Você não pode ficar trocando, indo e voltando, e isso tem sido algo muito difícil para os programas americanos, não só no espaço.

E qual é o papel da cooperação internacional nesse movimento para longe da órbita terrestre baixa?

Os parceiros internacionais estão envolvidos. Se olhar para a cápsula Órion, que os EUA estão construindo para transportar tripulações ao espaço profundo, o módulo de serviço que fornece energia e propulsão está sendo construído pela Agência Espacial Europeia.

E o Sr. acha que a China deve ser incorporada ao esforço?

Não tenho essa opção. Podemos sentar aqui e debater, mas de nada adianta, porque o Congresso americano diz que eu não posso trabalhar com a China. Mas a China vai entrar para a família das nações espaciais, a menos que façam algo muito ruim no caminho. Eles têm um bom programa espacial e dinheiro.

RAIO – X

Formação

É bacharel em ciência da eletricidade pela Academia Naval dos Estados Unidos e mestre em gerenciamento de sistemas pela Universidade do Sul da Califórnia

Experiência

Foi integrante do Corpo de Fuzileiros Navais e voou em mais de cem missões de combate no Vietnã, Laos e Camboja. Participou de quatro missões do ônibus espacial.

Em 2009, foi nomeado administrador da NASA pelo presidente Barack Obama



Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 06/03/2015

Comentário: Veja bem leitor, a volta do Brasil ao projeto da ISS eu creio que em outras condições seria de grande valia para o Programa Microgravidade da AEB e para o nosso Programa Espacial como um todo. Entretanto vamos ser responsáveis e realistas. Com a atual conjuntura política brasileira alguém em sã consciência acredita que esta iniciativa seria conduzida com a mesma responsabilidade, competência e compromisso encontrado nos governos das nações que já fazem parte deste projeto? Ora leitor, faça-me uma garapa, colocar o Brasil nessa nova aventura não passa de uma grande estupidez e irresponsabilidade, mas com esta debiloide no poder, tudo é possível.

2 comentários:

  1. " A PREVENÇÃO É A PARTE ESTRATÉGICA DO TIO SAM"

    Os americanos não são nada ingenues, Tio Sam de modo prevencionista, adotou uma postura de salva-guardas, convidando os brasileiros para mais uma empreitada, no intuito de manter a estação espacial internacional ISS, ativa e funcional, a somatória de custo para manter este empreendimento é muito onerosa, todo este aparato de cordialidades é devido a previsão de SAÍDA da RÚSSIA deste consórcio, no intuito de se emancipar com tal tecnologia, que já foi conquistada com o projeto MIR."

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  2. É inacreditável que Charles Bolden possa ter proferido tais palavras sobre a morte de cosmonautas Soviéticos. Bolden demonstra um desconhecimento profundo e uma grande ignorância sobre a história do programa espacial Soviético.

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