quarta-feira, 4 de março de 2015

INPE Lança Satélite em Tempo Recorde, Mas Imagens Ainda Não São Processadas

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo sobre a falta de processamento das imagens do Satélite CBERS-4, publicado que foi na edição de nº 34 (Fevereiro) do Jornal do SincdCT.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

INPE Lança Satélite em Tempo Recorde,
Mas Imagens Ainda Não São Processadas

Problema ofusca êxito do CBERS-4

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 34
Fevereiro de 2015


O CBERS-4 encontra-se em fase de comissionamento, período em que são feitos testes com o satélite. Mas o esforço humano e financeiro para viabilizar o lançamento pode sofrer um revés, se não for contratada uma empresa para tratar as imagens geradas pela Câmera Mux.

No último dia 7 de dezembro o INPE lançou, na base de lançamento de Taiyuan, na China, o satélite CBERS-4, o quinto da série de satélites produzidos em cooperação com o país asiático. O lançamento foi acompanhado de muita expectativa por técnicos dos dois países, já que um ano antes um problema no veículo lançador, o foguete Longa Marcha, impediu que o CBERS-3 fosse injetado em órbita, o que provocou sua destruição após sua reentrada na atmosfera da Terra. Desta vez, no entanto, tudo correu conforme o planejado, e o CBERS-4 já se encontra em fase de comissionamento — período em que são feitos vários testes com o satélite, antes que suas imagens sejam disponibilizadas ao público.

Testes preliminares já atestam a boa qualidade das imagens produzidas até o momento. Trata-se do primeiro satélite, nesta parceria de 27 anos entre os dois países, cuja responsabilidade, despesas e divisão de tarefas técnicas se deram na base de 50% para cada país.

Nos três primeiros satélites da série, esta divisão era de 70% para a China e 30% para o Brasil. Desta vez o Brasil tornou- -se responsável pelo projeto, fabricação e teste de importantes subsistemas, como a própria estrutura do satélite e duas das quatro câmeras levadas a bordo, dentre outros.

Além disso, o CBERS-4 avançou significativamente em três quesitos principais: cumpriu-se o prazo de lançamento, tendo sido montado, testado e lançado em um tempo recorde de 12 meses; a participação do Brasil no desenvolvimento do satélite ampliou-se; e foram qualificadas tecnologias novas de subsistemas importantes que compõem o satélite. Mas nem tudo são flores.

A antecipação do lançamento do CBERS-4 cobrou alto preço do Brasil. Em primeiro lugar, porque o curto espaço de tempo para a realização das atividades exigiu que a montagem do satélite se desse na China e não no Brasil, como originalmente previsto. Por essa razão, o país deixou de treinar técnicos e aprofundar sua experiência nesta importante fase de desenvolvimento do satélite.

Por outro lado, problemas técnicos observados no CBERS-3 tiveram de ser corrigidos no CBERS-4 em um tempo menor do que o previsto no cronograma, o que exigiu a contratação, sem licitação, de empresas que fornecem equipamentos ao programa, a preços mais altos que os normais.

Por fim, a necessidade de enviar mais técnicos à China levou o país a gastar recursos extraordinários com passagens e diárias que, num cenário normal de montagem do satélite no Brasil, não teriam ocorrido (leia quadro na p. 5). Numa coletiva de imprensa concedida em dezembro de 2014, o diretor do INPE, Leonel Perondi, acompanhado dos representantes das principais empresas que desenvolveram equipamentos para o satélite, apresentou os avanços tecnológicos alcançados pelo país durante o desenvolvimento do CBERS-4.

Com destaque, falou da Câmera Mux, produzida pela empresa Opto Eletrônica, de São Carlos; do Painel Solar, sistema de geração de energia produzido pelas empresas Cenic e Orbital; e da estrutura do satélite, que dá suporte a todos os outros subsistemas, produzida pelas empresas Fibraforte e Cenic, estas últimas com sede em São José dos Campos. É importante ressaltar que a cooperação entre Brasil e China no programa CBERS inclui uma divisão clara das despesas envolvidas no programa, incluindo desenvolvimento, teste e lançamento do satélite, bem como uma divisão entre os dois países dos diferentes subsistemas que compõem o satélite.

Um país não participa efetivamente do projeto e fabricação dos subsistemas que estão a cargo do outro país, e vice-versa. Apesar disso, segundo Perondi, “o Brasil já detém boa parte da tecnologia necessária para o desenvolvimento de um satélite como o CBERS, restando no entanto dominar tecnologias importantes, como o sistema que controla o posicionamento do satélite em órbita (ACDH)”.


Além disso, o país ainda precisa avançar na tecnologia de fabricação de equipamentos como rodas de reação, giroscópios, sistema de apontamento dos painéis solares e outros. Embora o satélite ainda esteja passando por testes em órbita, as primeiras imagens enviadas à Terra mostraram-se de boa qualidade quando comparadas às imagens geradas pelo satélite norte-americano Landsat-8, cuja missão é similar à do CBERS-4.

O futuro da cooperação entre Brasil e China na área espacial ainda é incerto, no entanto, já está praticamente definido o lançamento do satélite CBERS-4A, em meados de 2018. Este satélite será montado com os equipamentos sobressalentes e de teste fabricados para os CBERS-3 e 4, portanto, a um custo relativamente menor.

Outro aspecto importante é que este satélite deverá ser montado no Brasil, o que possibilitará o treinamento e envolvimento de uma maior quantidade de técnicos do INPE no projeto, já que não haverá a necessidade de enviá-los ao exterior.

Problema no Tratamento das Imagens

As imagens geradas pelo CBERS-4 são enviadas à Terra sem que tenham sido processadas para utilização pelos usuários finais. Sem o devido processamento, as imagens podem apresentar distorções e problemas de “foco”, dando um efeito semelhante às imagens de “fantasmas” que vemos em algumas TVs.

Por isso esses dados devem ser “tratados”, convertidos nas imagens típicas de satélites que conhecemos. Esse tratamento dos dados é feito por meio de um software de computador, utilizado por técnicos especializados no tratamento de imagens. Este serviço vinha sendo feito por uma empresa terceirizada contratada pelo INPE: a AMS Kepler.

No entanto, o contrato desta empresa com o INPE venceu em outubro de 2011, e até o momento não foi realizada outra licitação para nova contratação do serviço. Resultado: todos os recursos extraordinários investidos na antecipação do lançamento do CBERS-4 ainda não geraram resultados práticos até o momento, na medida em que as imagens geradas pelo satélite ainda não estão sendo processadas, o que inviabiliza sua distribuição aos usuários finais.

Uma das consequências de não haver tratamento dos dados é a inversão das imagens geradas pelo satélite. Segundo Antônio Machado, proprietário da empresa AMS Kepler, “a inversão de imagem e outros problemas que possivelmente estejam ocorrendo são considerados normais, pois a empresa faz os testes do software antes do lançamento do satélite, com base em dados simulados obtidos de outros satélites”.

Com isso, “após o lançamento é necessário fazer uma parametrização com base nos dados reais”, explica Machado. Ainda segundo o representante da empresa AMS Kepler, “a inversão de imagens acontece porque não há um padrão especificado no documento ‘interface solo-bordo’, determinando qual será a extremidade utilizada para início dos pixels dentro das coordenadas geográficas”.

Ele acrescenta que essa questão da inversão deve-se a parâmetros simples, os quais o próprio INPE conseguiria facilmente solucionar. Ele acrescenta, no entanto, que além desse problema podem estar havendo outros, os quais são normalmente corrigidos nesta fase de comissionamento.

O software de processamento das imagens custou R$ 6,4 milhões, foi entregue dentro do prazo e sem necessidade de qualquer aditivo contratual, porém foi alterado diversas vezes para que fosse readequado às novas configurações do satélite, em decorrência das falhas do dispositivo de energia DC/ DC detectadas em 2013.

Técnicos ligados à área afirmam que a fase de comissionamento do CBERS-4, que envolve várias áreas do INPE, está atrasada; e que, caso não seja feita nova licitação urgentemente, para a contratação de uma empresa que faça o processamento das imagens, todo o esforço e os recursos aplicados na antecipação do lançamento do CBERS-4 poderão ter sido em vão. Procurada para comentar o problema, a direção do INPE não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Gastos do INPE com Diárias e Passagens em 2014

R$ 3,04 MILHÕES: valor que o Instituto gastou em diárias com seus servidores em 2014. A quantia é quase 20% superior à desembolsada em 2013, ano em que o CBERS-3 foi montado na China. R$ 1,47 MILHÃO: gastos do INPE com passagens aéreas em 2014. R$ 200 MIL: valor recebido no ano, em diárias, por apenas um dos membros da equipe técnica que atuou na montagem do CBERS-4 na China (a cifra equivale a mais de 17 vezes o salário do servidor).

Seis servidores do Instituto, todos ligados ao programa CBERS, ganharam em diárias valor superior a R$ 100 mil no ano. Dos 10 servidores do país que mais receberam diárias em 2014, incluindo a Presidência da República e os ministérios, seis pertencem ao INPE e atuam no programa CBERS. (Fonte: Portal da Transparência do governo federal).


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 34ª - Fevereiro de 2015

Comentário: “Este serviço vinha sendo feito por uma empresa terceirizada contratada pelo INPE: a AMS Kepler. No entanto, o contrato desta empresa com o INPE venceu em outubro de 2011, e até o momento não foi realizada outra licitação para nova contratação do serviço. Resultado: todos os recursos extraordinários investidos na antecipação do lançamento do CBERS-4 ainda não geraram resultados práticos até o momento, na medida em que as imagens geradas pelo satélite ainda não estão sendo processadas, o que inviabiliza sua distribuição aos usuários finais”. Pois é leitor, veja você como são as coisas. Veja você como é conduzido o nosso Programa Espacial. Cadê o Sr. Braga Coelho? Esta empresa deveria ter sido selecionada antes do lançamento do satélite, era o mínimo que se poderia esperar. Esta caro leitor é mais uma prova da incompetência e da falta de um planejamento mínimo por parte deste fantoche a frente deste órgão inútil e inoperante, que além de não ajudar, ainda atrapalha com a sua conivência com as atitudes do desgoverno da “Ogra”. Esse senhor é o pior presidente de toda história deste órgão que pouco contribuiu para PEB desde a sua fundação em 1994. Lamentável. 

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