terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Foguete Brasileiro Vai Testar Combustível

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (03/02) no “Jornal  Valor Econômico” e postada no site da “Força Aérea Brasileira (FAB)” destacando que o foguete brasileiro VSB-30 irá testar na Europa novo combustível.

Duda Falcão

Foguete Brasileiro Vai Testar Combustível

Virgínia Silveira
De São José Dos Campos
03/02/2015 às 05:00

O foguete de sondagem brasileiro VSB-30 vai lançar, nos próximos dias, um experimento científico inédito para estudo do comportamento do hidrogênio líquido - combustível utilizado em motor de foguetes - em ambiente de microgravidade, no qual objetos (ou pessoas) não têm peso.

Desenvolvida pela empresa Air Liquide Advanced Technologies e pela Agência Espacial Francesa (CNES), a pesquisa vai auxiliar os cientistas europeus no desenvolvimento das futuras evoluções dos motores do foguete europeu Ariane com combustível líquido.

A operação de lançamento será coordenada pela empresa sueca SSC (Swedish Space Corporation) e pelo Centro Aeroespacial Alemão DLR, que mantém um acordo de cooperação na área de lançamentos suborbitais para a atmosfera superior e pesquisa de microgravidade.

A data provável para o lançamento, segundo o vice-diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), coronel aviador Avandelino Santana Júnior, é o dia 8 de fevereiro.

De acordo com o vice-diretor, a operação de lançamento do foguete brasileiro, batizada de "Cryofenix", acontecerá na base de lançamento de Esrange, a 200 quilômetros do Círculo Polar Ártico, na Suécia.

O VSB-30 é um veículo suborbital, com dois estágios a propulsão sólida e capacidade para transportar cargas científicas e tecnológicas, de 400 kg, até um altitude de 270 km. Para experimentos de microgravidade, o foguete permite que a carga permaneça até seis minutos acima da altitude de 110 km.

O foguete foi produzido em conjunto com o DLR para atender a uma demanda do Programa Microgravidade da Agência Espacial Europeia (ESA). Antes do VSB-30, o DLR utilizava os foguetes britânicos Skylark para enviar seus experimentos ao espaço, mas o modelo teve sua produção descontinuada. Cerca de 80% dos seus componentes são fornecidos pela indústria espacial brasileira.

A parceria dos pesquisadores brasileiros do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) com o programa de microgravidade dos europeus existe desde 2001. Até o momento, o foguete VSB-30 já realizou 14 lançamentos bem sucedidos, sendo 11 a partir do centro de Esrange e três no Brasil, do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Segundo o site da empresa SSC, estão previstos outros seis lançamentos de experimentos este ano com o foguete VSB-30, a partir de Esrange. Em uma das missões, prevista para ocorrer entre julho e agosto, será usado um foguete novo, o VS-30/Orion, que utiliza um motor brasileiro, o S-30 no primeiro estágio, e um norte-americano, o Improved Orion, no segundo estágio.

Uma comitiva de representantes do DCTA embarcou para a Suécia na semana passada para acertar os últimos detalhes da missão do VSB-30 e assinar um acordo de parceria com a SSC. O acordo prevê o intercâmbio de informações e de recursos humanos na área de desenvolvimento e de operações de lançamento, assim como de tecnologias de propulsão espacial e de propelentes ecológicos, entre outros projetos.

O acordo do DCTA com a SSC também prevê a construção de um sítio de lançamento para o foguete brasileiro VLM (Veículo Lançador de Microssatélites), em Esrange.

O projeto do VLM avançou no final de dezembro com a assinatura de um acordo com a FUNCATE (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais), que vai permitir a contratação dos primeiros parceiros industriais do projeto: a Avibras e a Cenic. "O projeto VLM-1 foi concebido para ter a participação da indústria desde as primeiras fases do seu desenvolvimento", disse o diretor do DCTA, brigadeiro do ar Alvani Adão da Silva.

O foguete foi desenvolvido em parceria com o DLR visando atender a demanda crescente para o lançamento de "cubesats" (satélites de menor porte em forma de cubos) e microssatélites (até 150 kg). Em 2014, segundo Silva, foram investidos R$ 10 milhões no desenvolvimento do VLM.

"Os recursos necessários para contratar a fabricação de motores e outros subsistemas com indústrias nacionais é de R$ 85 milhões nos próximos anos" disse Silva. A realização do primeiro voo do foguete, segundo ele, está prevista para acontecer 27 meses a partir da contratação das indústrias.


Fonte: Jornal Valor Econômico via NOTIMP da FAB - http://www.fab.mil.br/

Comentário: Tomara mesmo Brig. Alvani Adão da Silva que o governo desta debiloide tenha o compromisso de liberar os recursos necessários dentro do prazo estabelecido com as empresas na questão do VLM-1, e assim cumprir esta meta de 27 meses a partir da contratação das indústrias como citada pelo senhor. Mas sinceramente em minha opinião o seu otimismo é exagerado. Entretanto vamos torcer, pois só resta mesmo isto a fazer.

5 comentários:

  1. Enquanto vivemos de operações de sondagem, um país como o Irã, que enfrenta muitos bloqueios pelos USA, consegue por no espaço seu 4º satélite desde 2009. Será que algum dia chegaremos lá?

    http://spaceflightnow.com/2015/02/02/iranian-satellite-successfully-placed-in-orbit/

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    1. Olá Jorge!

      Apesar de concordar contigo de que a situação do PEB em relação aos projetos de Veículos Lançadores de Satélites poderia estar em outro patamar, não podemos misturar as coisas. O sucesso internacional da tecnologia de foguetes de sondagens brasileira é realmente algo muito significativo e uma prova da competência dos profissionais que desenvolveram esta tecnologia. Vale ressaltar também que além de tudo é uma prova de que temos condições de fazermos o nosso Veículo Lançador de Satélites mesmo sem ajuda estrangeira, bastando para isto que o governo tenha vergonha na cara e comprometimento. Tá ok amigo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Bom dia

      Na verdade não quis desmerecer o trabalho dos cientistas e nem dos foguetes de sondagem. Pelo contrário, são de extrema importância para qualquer programa espacial, visto que todas as agências espaciais do mundo realizam esse tipo de missão. O que quis expor foi que não acontece muita coisa diferente no PEB. Que estamos a cada dia mais longe desse objetivo, e que nossos cientistas não tem culpa nenhuma de ainda não termos alcançados tal meta. O governo sim tem culpa nesses atrasos, que já duram décadas.

      Aliás quero lhe parabenizar pelo seu trabalho no blog. Sempre é possível obter novas notícias diariamente e ganhar mais conhecimento. Parabéns!

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  2. Sem uma reestruturação completa do PEB e, é claro, os recursos necessários não sairemos desse reme reme. Não há nenhuma vontade política para com um programa espacial sério. Nem vontade de fazer por parte dos executores.
    "Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito." (Jean-François Paul de Gondi, Cardeal de Retz)

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  3. Hidrogenio liquido (LH2)... putz como Brasil está longe dessa tecnologia de propulsão liquida.
    Só faz o trabalho de peão de testar para as grandes potencias.
    Parece que o destino do Brasil é ocupar a senzala da fazenda.

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