sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Caso ESO: Show de Ignorância Política

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo escrito pelo jornalista Salvador Nogueira e postado ontem (12/02) no “Blog Mensageiro Sideral” do site do jornal “Folha de São Paulo”, tendo como destaque uma solicitação de retirada de pauta na Câmara Federal da votação do Decreto Legislativo que permitiria a entrada do Brasil no ESO (Observatório Europeu do Sul) feita por um deputado energúmeno chamado Fábio Garcia (PSB-MT).

Duda Falcão

MENSAGEIRO SIDERAL

Caso ESO: Show de Ignorância Política

Por SALVADOR NOGUEIRA 
12/02/2015 - 14h56

O deputado federal Fábio Garcia, do PSB em Mato Grosso, andou fazendo marolinhas com a comunidade astronômica na semana que passou ao solicitar a retirada da pauta da Câmara da votação do Decreto Legislativo que permitiria a entrada do Brasil no ESO (Observatório Europeu do Sul), a maior organização de pesquisa astronômica do mundo.

Mais uma direto do país do Plunct-Plact-Zum.

Caso a votação saia mesmo da pauta, o acordo não pode ser aprovado pelo Congresso. Sem aprovação, não pode entrar em vigor. E o agora oposicionista Fábio Garcia faz um grande favor ao governo Dilma.

É verdade que o plano para colocar o Brasil no ESO emanou do governo federal, em 2010, no fim do segundo mandato do presidente Lula. Aliás, foi impulsionado pelo celebrado ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende — por sinal atrelado ao mesmo PSB de Garcia.

Mas na troca de Lula por Dilma, o projeto deixou de despertar interesse do Executivo. Mercadante passou pelo ministério e desprezou a iniciativa. Raupp empurrou com a barriga. Campolina fez igual. E agora duvido que a comunidade astronômica espere mais do esportista comunista Aldo Rebelo. (A propósito, você leu certo: a presidenta teve quatro ministros da Ciência e Tecnologia em quatro anos. É mais uma dica de quanto apreço ela tem pela área.)

Talvez valesse ao deputado Garcia perder quinze minutos de seu precioso tempo batendo um fone para o ex-ministro Rezende, a fim de entender o “causo”.

FACILITANDO PARA O GOVERNO

Ao retirá-lo da pauta de votações, o deputado faz um agrado involuntário à já atribulada presidenta, que pode alegar que a oposição derrubou o acordo, em vez de ter de assumir o ônus de ter literalmente dado um chapéu na organização europeia. Pois desde 2010, quando o acordo foi assinado pelo governo federal, os europeus têm concedido o uso de todas as instalações de pesquisa do ESO aos astrônomos brasileiros. Se você visitar a página do ESO na internet, a bandeirinha do Brasil está lá. Se demorarmos um pouco mais, eles vão cansar de esperar.

Já viu este filme? Eu já. Aconteceu com a Estação Espacial Internacional. O Brasil entrou no projeto. Custo: US$ 120 milhões. Tem ladrão na Petrobras devolvendo mais dinheiro que isso hoje em dia. A NASA de pronto cumpriu a parte dela, treinando para voo nosso solitário astronauta, Marcos Pontes. Tinha bandeirinha brasileira na estação espacial também. Mas o governo gastou uma década enrolando, negociando, tergiversando e não entregou um parafuso sequer. Chegou um ponto em que os parceiros internacionais não podiam esperar mais. Contrataram as partes brasileiras nos Estados Unidos e nos mostraram a porta da rua.

A história se repete, no eterno país do futuro. Não pretendo entrar no mérito da discussão dos benefícios e malefícios da adesão do Brasil à estação espacial ou ao ESO (eu, particularmente, acho que os dois teriam sido vantajosos para nós). Questiono por que temos de ser tão irresponsáveis, assinando acordos primeiro e discutindo seu mérito só depois? Porque a cada nova gestão, o governo precisa questionar tudo que foi feito ou pautado pelos predecessores?

Quando o ESO empacou, em 2011, eu já previa que o fim seria o mesmo da estação espacial. Infelizmente, a profecia está se confirmando.

Quanto ao aparecido da vez, o deputado Fábio Garcia, veja o que ele diz em sua página no Facebook:

“Solicitamos a retirada de pauta de um acordo que o governo federal fez com a União Europeia que faria o Brasil gastar 800 milhões de reais com pesquisa astronômica. Os astros que precisam ser enxergados no Brasil é o povo brasileiro que sofre com a ausência de saúde, educação e segurança pública de qualidade! Tamojunto!”

Ignoremos por um momento o erro crasso de concordância para analisar o falso antagonismo criado pelo ilustre deputado. Ciência é inimiga da saúde, da educação e da segurança pública de qualidade?

Sem uma estrutura acadêmica de pesquisa compatível com o tamanho do Brasil, de que adiantará formar doutores às pencas num sistema educacional forte? Talvez o deputado compartilhe da opinião da presidenta, que sugeriu em um debate a uma economista pós-graduada que fizesse um curso técnico do Pronatec para conseguir recolocação profissional, neste incrível Brasil do sub-emprego pleno.

E outra: como encorajar a molecada a estudar se não há futuro na pesquisa brasileira? O ministro Sergio Rezende enxergava que a astronomia é uma das portas de entrada da criançada para o mundo da ciência, e é preciso dar algo que possa inspirá-las. Mesmo que elas acabem se tornando médicas, engenheiras e, por que não?, políticas, as novas gerações precisam saber que o Brasil dá condições para que sua população possa perseguir seus sonhos, estejam eles onde estiverem — aqui, na Lua, em Marte ou na galáxia de Andrômeda.

Eu fico intrigado em saber como o deputado Garcia pretende tirar a verba federal que seria alocada para a entrada do Brasil no ESO e aplicá-la em segurança pública, que é da esfera estadual. Ele tem um plano? E quantos meses de segurança pública ele consegue bancar com 800 milhões de reais? Ele fez a conta?

E sobre a saúde, teremos alguma chance de dar condições dignas de atendimento ao cidadão brasileiro com 800 milhões de reais? Ele sabe qual é o orçamento anual do Ministério da Saúde?

Ah, como é maravilhoso o discurso político. Um discurso para os ignorantes. Fábio Garcia, político de carreira e ex-secretário de governo da prefeitura de Cuiabá, teve pouco menos de 105 mil votos. O astronauta Marcos Pontes, em sua primeira eleição, sem nunca ter ocupado um cargo por indicação política, teve cerca de 44 mil votos — e não foi eleito. Mas em qual deles teríamos alguém mais habilitado para julgar o mérito de um projeto como esse e capitanear o processo na Câmara?

Somos o país que elegemos ser. Enquanto isso, fica o recado aos parceiros internacionais: o Brasil não é confiável. Se você for esperto, fique longe de nós. É triste, mas é a verdade.

EM TEMPO: Criaram um abaixo-assinado para ilustrar o caríssimo deputado. Se você concordar, não deixe de incluir seu nome.



Fonte: Jornal “Folha de São Paulo” - 12/02/2015

Comentário: Pelo que parece o jornalista Salvador Nogueira resolveu aumentar o tom de seus artigos com relação aos desmandos desse desgoverno desastroso, mas ainda em nossa opinião de forma tímida. Minha vozinha costumava dizer: “respeito meu neto é algo que se conquista e não algo que se compra ou que se ganha de graça”, portanto já passou da hora da mídia do país bater pesado nesta debiloide e em seus energúmenos de plantão. Na verdade poderíamos viver no país onde pessoas mal intencionadas como este senhor ou ficavam fora da política ou deveriam estar presas virando meninas e meninos dos machos e fêmeas alfas do sistema carcerário brasileiro. Não se engane como o autor do artigo, este deputado não tem nada de ignorante, ele certamente foi orientado a fazer isto por motivos óbvios. A história da humanidade demonstra que os bons exemplos geram sociedades mais comprometidas com o futuro de seus países, mas infelizmente para nós a nossa sociedade é cheia de maus exemplos, vícios, privilégios absurdos e estupidez generalizada, e como resultado disto produzimos uma classe política condizente com toda esta situação. Dilma não é o problema, mas sim o resultado até o momento (e vai piorar) do caminho sociocultural adotado pela nossa Sociedade de Piratas. Ou se faz uma revolução sócio cultural e de educação de qualidade neste país baseada na consciência de patriotismo e de cidadania, na moral e nos bons costumes, ou então continuaremos produzindo políticos como Collors, Itamas, Cardosos, Lulas ou piores. Exemplo: debiloides como a “Ogra”. Já se fala até em impeachment, um movimento que o Blog não acredita que resultará em algo de concreto, mas mesmo que resulte na saída desta energúmena do governo, isto por si só não resolverá os problemas do país, nem mudar a cultura política dessa classe de energúmenos, pode até piorar, já que simplesmente ela será substituída pelo o vice-presidente Michel Temer, este formado na mesma escola política da “Ogra”. A situação de nosso país leitor é temerária e sinceramente não vejo luz no fim do túnel. O Brasil infelizmente irá colher o que esta plantando. Aproveitamos para agradecer ao leitor Ricardo Melo pelo envio deste artigo.

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