segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Blog Conversa com Pesquisador do INPE Sobre a Continuidade do Programa NanosatC

Olá leitor!

Dr. Otávio Durão
(Pesquisador do INPE).
No intuito de continuar bem informando a você leitor, estivemos conversando no dia de ontem (08/02) com um dos coordenadores do “Programa NanosatC”, programa este desenvolvido em parceria pelo Centro Regional Sul (CRS) do INPE e pela gaúcha Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ou seja, o Dr. Otávio Santos Cupertino Durão, este pesquisador do INPE de São José dos Campos (SP).

Segundo o Dr. Durão infelizmente o primeiro canarinho brasileiro, o NanosatC-Br1, lançado ao espaço em 19/06/2014, praticamente não está mais cumprindo sua missão.

“O Br-1 foi ouvido pela última vez de Santa Maria (RS) em modo de segurança, e antes disto no dia 25/01, por um radioamador em Roraima, também em modo de segurança. Não estamos mais conseguindo enviar telecomandos para o BR-1 e isto não nos permite mais obter dados das cargas úteis. O satélite está com cerca de 7,5 meses de vida, cinco dos quais (aproximadamente), em modo nominal. Temos mais de 1.500 órbitas de dados do campo magnético da Terra e dos dois circuitos integrados, resultado deste tipo alcançado pela primeira vez por um satélite brasileiro. Temos muito orgulho disto. Por outro lado, ficamos com um gostinho de "quero mais", afirmou o Dr. Durão.

Modelo de Engenharia do NanosatC-Br2.
Com este gosto na boca, a equipe do "Programa NanosatC" trabalha com a expectativa de lançar o Br-2 (o próximo satélite do programa) no final de 2015, mas torce para que este lançamento fique para o princípio de 2016, isto devido ao volume de trabalho que ainda precisa ser realizado para deixar o satélite em condição de vôo.

“Um dos motivos que estou contando é que o foguete Falcon 9 (principal candidato para o lançamento do Br-2), tem apresentado alguns problemas e atrasos em seus lançamentos, o que pode afetar o nosso prazo. Mas como disse, se este prazo for um pouco estendido, será muito bom para nós”, disse o pesquisador do INPE.

Ainda segundo o Dr. Durão, o Br-2 mesmo no caso de vir a ser lançado pelo foguete Falcon-9 da empresa SpaceX (o voo ainda não foi contratado e pode ainda ser feito com outro lançador), não utilizará do mesmo sistema usado pelo Cubesat AESP-14, ou seja, será lançado de forma direta e não via Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) como ocorreu com o cubesat dos alunos do ITA. O motivo disto é que a vida útil de um cubesat lançado pela ISS é de cerca de 6 meses, o que é pouco para a equipe do INPE/UFSM. “A ISS está a menos de 400 km de altitude e isto faz diferença no tempo de reentrada do satélite, ou seja, de mais de 20 anos para 6 meses”, concluiu o Dr. Durão.

Concepção Artítica da
plataforma 8U do CONASAT-1.
Após o lançamento do Br-2, a equipe do INPE se concentrará no desenvolvimento do primeiro nanosatélite do “Programa CONASAT” (Constelação de Nanossatélites Ambientais), ou seja,  o CONASAT-1, este sob a gerência do Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, que fica localizado em Natal (RN).

Para este projeto será utilizada uma plataforma 8U, tendo como missão coletar dados ambientais e assim atender as necessidades do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCD).

O transponder do CONASAT-1 já está com o modelo de engenharia pronto, modelo este que foi totalmente desenvolvido pelo INPE/CRN em cooperação com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e já entregue a equipe do Nanosat ITASAT-1 do ITA, que o terá como uma de suas cargas úteis para testá-lo em voo. Aliás, estamos também em estreita cooperação com o ITA no desenvolvimento do ITASAT-1. A cooperação entre nossas equipes é cada vez maior o que facilita muito para nós”, concluiu o Dr. Durão.

Concepção Artística da
plataforma 6U do ITASAT-1.
Outra possibilidade de projeto colaborativo lembrada pelo Dr. Durão, foi a possível iniciativa com a NASA e o ITA (veja aqui), onde se pensa (se possível for) utilizar a mesma plataforma usada pelo ITASAT-1, mas neste caso numa missão diferente.

“Existem várias outras possibilidades e planos no Brasil para estes tipos de satélites que parecem que vieram para ficar, não só no INPE, como também em outras instituições através do país” finalizou o pesquisador do instituto.

Em resposta a uma pergunta do Blog sobre a possibilidade do uso de Propulsores Pulsados a Plasma (PPT) em projetos como esses, o Dr. Durão completou dizendo:

“O uso de PPT é altamente desejado em projetos de cubes e nanossats pela sua capacidade de controle e de posicionamento dos satélites em formação e em constelações, o que amplia assim em muito as possibilidades do uso destes nanossats em missões mais demandantes”.

Duda Falcão

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