sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Momento Crítico do PEB

Olá leitor!

Segue abaixo o editorial da Edição de nº 33 (Dezembro) do Jornal do SincdCT tendo como destaque o momento crítico do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Duda Falcão

Editorial

Momento Crítico do PEB

Jornal do SindCT
Edição nº 33
Dezembro de 2014


Nesta última edição do ano o Jornal do SindCT pauta as dificuldades enfrentadas pelo Programa Espacial Brasileiro (PEB). Nunca o momento foi tão crítico: o programa de lançadores se arrasta por anos. Num clima de pressão por resultados e já grandemente afetado por insuficiência de recursos, o lançamento do VLS-1-V03, em 2003, resultou em catástrofe e ferida ainda hoje aberta.

O curativo saneador que deveria ter sido aplicado, com as ataduras da indignação e do grande assombro, recomporia o tecido do orgulho nacional; mas desde então temos vivido anos perdidos de inanição do projeto e de desânimo dos servidores do IAE. O sítio de lançamento foi reconstruído num penoso vagar, perdido entre a burocracia e a falta de prioridade, que durou mais de dez anos.

Resultado: NÃO vai sair foguete nacional, por absoluta falta de agenda nacional. Em lugar dele sairia o foguete ucraniano, em vista da “urgente necessidade” de acesso ao espaço, tudo “legitimamente” integrado ao PEB: o Cyclone IV foi acolhido pelo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), uma peça de ficção científica, de responsabilidade de uma agência espacial anacrônica e repudiada pela comunidade científica, ícone da incompetência de um sistema modelo fadado ao fracasso.

Considerada tecnologia sensível, o desenvolvimento do lançador brasileiro é monitorado pelas grandes potências, que apertam o cerco e as restrições na medida em que percebem alguma evolução no quadro de sua organização. O modelo do PEB não lhes demanda muita contundência, basta transparecer disposição altruísta e, na iminência do sucesso, retirar a ajuda e impor embargos.

Dois episódios marcam o desenvolvimento do VLS: o caso dos motores que retornavam ao Brasil após tratamento térmico, quando uma aeronave da FAB ficou retida por vários dias no aeroporto de Los Angeles; e o caso do material adquirido na França para confecção de gargantas de tubeira, que foi impedido de embarcar, também já no terminal de cargas do aeroporto; a aquisição foi cancelada e o recurso financeiro devolvido (que bom!?). Ambos obstáculos criados por essas potências neocoloniais tiveram que ser transpostos com investimentos próprios e muito trabalho para desenvolver aqui as infraestruturas necessárias.

E impuseram anos de extensão ao ciclo original de desenvolvimento. Não há atalho, não há facilitadores: cada país do seleto grupo que logrou sucesso arcou com a criatividade e os percalços, acertos e erros, teorias e refinamentos, avanços e retrocessos. Foguetes explodiram e continuam explodindo, até na casa os mais avançados detentores do saber. A atividade é cara, de alto risco e desempenho tecnológico, exigente em conhecimentos, demanda alto nível de comprometimento e é fortemente dependente de investimentos do governo por longo tempo.

O desenvolvimento de satélites no INPE também enfrenta sobressaltos: em 2013, uma falha no foguete chinês Longa Marcha 4B durante o voo provocou a queda do satélite sino- -brasileiro CBERS-3, após funcionar perfeitamente por 30 minutos. Nesta última edição do ano, outra vez depositamos esperança no êxito de um lançamento, desta vez do CBERS-4, previsto para ocorrer a partir do dia 7 de dezembro.

Oxalá seja um merecido presente aos heroicos profissionais do setor aeroespacial, do INPE por excelência, e do DCTA por afinidade. Esperamos que este evento lance olhares progressistas ao esforço brasileiro para a conquista espacial, conscientização de sua utilidade e importância, repositório de muitas soluções para os problemas inerentes ao tamanho do Brasil. Sabedoria, persistência, coragem e ousadia, eis o que pedimos, não desistamos, suscitemos outras gerações, de gente que sonha, como os jovens alunos que participaram da Mostra Brasileira de Foguetes em Barra do Piraí (RJ).

O SindCT estará de recesso entre 22 de dezembro e 11 de janeiro. Desejamos a todos Boas Festas, Feliz Natal e próspero Ano Novo.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 33ª - Dezembro de 2014

Comentário: Bom leitor talvez pela primeira vez o SindCT tenha publicado um editorial com críticas um pouco mais contundentes sobre a situação do PEB, apesar de direciona-las somente a má gestão de nossa Agência Espacial de Brinquedo (AEB) e a interferência política e tecnológica de outros países, colocando convenientemente atrás de um escudo a grande responsável no momento do todo esse descaso, ou seja, a “Ogra”. Note que em momento algum o jornal do sindicato cita o nome dessa debiloide petista irresponsável, apesar de criticar indiretamente sua falta de atitude atribuindo aos outros a falta de resultados, quando deveria sim apontar o verdadeira culpada de toda essa situação. Essa debiloide tinha quando assumiu o poder um cronograma bem elaborado ainda em 2010 pelo DCTA para cumprir as fases de desenvolvimento do VLS-1 que compreendia na época a realização no primeiro semestre de 2011 de uma operação simulada de voo (Operação Salinas) do seu primeiro voo tecnológico (VLS-1 VSISNAV), mas que na realidade só ocorreu entre os meses de junho e julho de 2012 e de forma incompleta, já que a MECTRON não havia entregue as redes elétricas do VLS-1.  Isto obrigará ao IAE a realização de outra operação de voo simulada (Operação Santa Bárbara I) em 2015 antes da operação de Lançamento real do veículo (Operação Santa Barbara II – VLS-1 VSISNAV). Isto é, caso a empresa MECTRON entregue a tais redes elétricas em tempo e caso a "Ogra" libere os recursos financeiros necessários para a operação. Pelo cronograma inicial previsto em 2010 este primeiro voo tecnológico (Operação Santa Barbara II - VLS-1 VSISNAV) intitulado na época como VLS-1 XVT-01, estava previsto para ocorrer em 2012, o segundo voo tecnológico o VLS-1 XVT-02 em 2013 e finalmente o voo de qualificação do veículo o VLS-1 V04 em 2014 (com um satélite abordo), ou seja, o último ano de seu governo poderia ser fechado com chave de ouro colocando o Brasil entre as nações do Clube que dominam o acesso ao espaço. No entanto apesar desta meta ser extremamente estratégica para o país e de ter a seu favor sérios estudos que apontavam importantes soluções para o setor (um dos quais da Câmara Federal coordenado por um deputado de um partido que na época apoiava seu governo), essa debiloide irresponsável resolveu investir bilhões em estádios de futebol e até em um porto em Cuba, fora outros desmandos ocorridos em seu governo populista de merda nos últimos quatro anos. Sendo assim, começou a boicotar o orçamento do PEB ano após ano, não fez as mudanças apontadas pelos estudos e solicitadas pelos profissionais (ai incluídos os próprios sindicalistas) e além de tudo apoiou irresponsavelmente um acordo altamente prejudicial para o Brasil, ou seja, o acordo espacial com a Ucrânia que gerou esta mal engenhada empresa Alcântara Cyclone Space (ACS), um resquício do governo do seu mentor humorista. Está na hora do SindCT se posicionar perante a Sociedade e dizer claramente de que lado está, mas será que uma instituição como o SindCT muito ligada a história do próprio PT terá a coragem e a responsabilidade de fazer o que é certo?

Um comentário:

  1. Isto mesmo!
    DCTA, INPE e sindicato precisam mostrar para que vieram!
    Os primeiros precisam lavar a roupa suja! Muito discurso e pouco resultado!
    O último, precisa deixar de ser fisiológico, ser mais atuante nas cobranças relativas à área!

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