sábado, 20 de dezembro de 2014

Cientistas Brasileiros Atuam em Satélite Sino-Brasileiro

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia 15/12 no site da “Agência USP” destacando que Cientistas Brasileiros atuaram no Satélite Sino-Brasileiro.

Duda Falcão

Tecnologia

Cientistas Brasileiros Atuam
em Satélite Sino-Brasileiro

Por Rui Sintra,
Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos
Por: Da Redação - agenusp@usp.br
Publicado em 15/dezembro/2014

No dia 7 de dezembro, os pesquisadores e técnicos envolvidos na cooperação espacial entre Brasil e China, uma parceria criada em 1988 com o título China-Brazil Earth Resources Satellite (CBERS), acompanharam o lançamento do foguete “Longa Marca 4B”, no Taiyuan Satellite Launch Center, China, que teve o objetivo de colocar em órbita o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS -4, 55% desenvolvido e produzido no Brasil.

Foto: Divulgação
Brasileiros desenvolvem duas das quatro
câmeras que compõem a carga útil do satélite.
Em especial, duas das quatro câmeras que compõem a carga útil do satélite foram desenvolvidas e produzidas pela empresa OPTO Eletrônica S/A — uma spin-off do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. Em 2006, a OPTO ganhou a concorrência internacional promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e trabalha desde então na construção dessas câmeras.

A missão, que estava programada para o final de 2016, foi antecipada devido à falha registrada em um dos estágios finais do lançamento do foguete que levaria para órbita o CBERS-3, um acidente que destruiu todo o equipamento em dezembro do ano passado. Como há grandes chances de ocorrerem falhas em missões como esta, os cientistas brasileiros e chineses já tinham se precavido, tendo produzido outros dois conjuntos de equipamentos, o que possibilitou uma nova tentativa de lançamento, desta vez realizada com sucesso.

“Foi uma frustração enorme quando assisti ao acidente do CBERS-3, em dezembro de 2013, mas já prevíamos tais riscos e estávamos preparados para esse caso”, afirma o professor Jarbas Caiado de Castro Neto, do Grupo de Óptica do IFSC, um dos principais desenvolvedores do projeto, empreendedor e acionista da OPTO.

O CBERS-4, que pesa aproximadamente duas toneladas, é constituído por quatro câmeras, sendo as duas principais, a Câmera Multispectral — totalmente construída pela empresa são-carlense — e a Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada —, igualmente desenvolvida e construída pela OPTO em parceria com outra empresa nacional.

Entre os diversos objetivos do CBERS-4, destacam-se o monitoramento de áreas de desmatamento da Amazônia, expansão de regiões agrícolas, aplicações em mapas de queimadas e, inclusive, pesquisas de desenvolvimento urbano e bacias hidrográficas. As câmeras produzidas pela spin-off do IFSC possuem sensores CCD visíveis e infravermelhos que destacam, por meio de imagens de cores distintas, as áreas de desmatamentos.

O processo de desenvolvimento das duas câmeras englobou aproximadamente os 450 funcionários da OPTO, em especial os 75 membros do Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que contam com diversos pesquisadores, ex-alunos de graduação e pós-graduação do IFSC e engenheiros.

“Desenvolver as câmeras foi um trabalho que exigiu muita capacidade de projetar, construir, alinhar e testar esses equipamentos de alta tecnologia e complexidade.Um projeto de grande importância como este traz diversos desafios que nos empolgam”, diz Jarbas Caiado, sublinhando que esse projeto, que durou aproximadamente oito anos, começou quando o professor Luiz Carlos Miranda, presidente do INPE em 2006 e pai do professor Paulo Barbeitas Miranda (IFSC), o procurou e, posteriormente, contratou a OPTO para realizar esse trabalho.

Satélite Amazônia

Após essa missão, a empresa brasileira já está desenvolvendo outro grande projeto: o satélite Amazônia, 100% nacional, cuja câmera inovadora — uma versão entre a WFI e a MUX — está sendo desenvolvida pelos pesquisadores da OPTO. Este novo satélite, desta vez produzido inteiramente no Brasil, deverá ser lançado em 2018.

“O tempo de revisita [que é a imagem completa da terra] da câmera MUX é de vinte e sete dias. A WFI possui uma largura de imagem maior, o que permite que ela faça uma imagem completa da Terra a cada cinco dias, compondo as imagens obtidas a cada uma das cinco voltas que o satélite faz por dia”, explica Jarbas Caiado.

A Câmera Multispectral (MUX), que possui alta resolução no solo (20 metros) e largura de imagem de 120 Km, é formada por quatro equipamentos, sendo eles o MOB, conjunto ótico constituído por 11 lentes e um espelho; o RBNA, módulo que faz a aquisição de imagem; RBNB, eletrônica responsável pelo controle térmico, ajuste de foco e controle interno do sistema de calibração; e o RBNC, responsável por gerar os relógios de leitura do sensor CCD, e pelo processamento das saídas CCD analógicas em sinais digitais e de codificação de dados.

Já a Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada (WFI), que fornece imagens de média resolução (64 metros) no solo e largura da imagem de 866 Km, teve como grande desafio a melhora por um fator de 2X da resolução espacial, em comparação com os sensores presentes no CBERS-1 e CBERS-2, alem da inclusão de quatro bandas espectrais não presentes nos modelos anteriores.

Para o docente, esse projeto, assim como a missão do CBERS-4, é prova de que o o País tem profissionais com grande capacidade para superar dificuldades, bem como um total controle nas produções ópticas de satélites.

“O Brasil necessita de grandes desafios. A OPTO, que está ligada a instituições como o INPE e IFSC, é um grande exemplo de que somos capazes de reagir aos desafios tecnológicos apresentados. O segredo está em ter uma equipe de pesquisadores e técnicos de alta competência como a equipe que o diretor de P&D da Opto, Mario Stefani, doutor em física pelo IFSC, montou para esse projeto. O sucesso do CBERS-4 deverá abrir novas portas internacionais para a empresa, no restrito clube de países que dominam essa tecnologia”, conclui Jarbas Caiado, que acrescenta: “Tanto o CBERS-4, quanto seus antecessores, como, inclusive, o próximo satélite brasileiro, tem a assinatura do Instituto de Física de São Carlos e, por consequência, o fingerprint da Universidade de São Paulo, o que muito nos orgulha e incentiva.

OPTO Eletrônica

Sediada em São Carlos, a OPTO Eletrônica S/A foi fundada em 1985 por pesquisadores e ex-alunos do IFSC. Com atuação nas áreas médica, industrial, de componentes ópticos, aeroespacial e de defesa, a companhia recebeu o primeiro lugar no “Prêmio FINEP de Inovação” na categoria Empresa Média, em dezembro de 2009.

Sempre na vanguarda das novas tecnologias optoeletrônicas, essa indústria foi a primeira empresa do hemisfério sul a produzir um laser, tendo, também, fabricado o primeiro leitor de códigos de barra para supermercados. Além de ter fabricado aproximadamente um milhão de refletores odontológicos, a OPTO também nacionalizou a produção de componentes óticos de alta precisão. Na área médica a Opto se destaca no desenvolvimento e produção de equipamentos para diagnóstico e tratamento de doenças do olho humano.


Fonte: Site da Agência USP

Comentário: Pois é leitor, no que diz respeito a nova previsão de lançamento do Satélite Amazônia-1 apresentada neste artigo (2018) da Agência USP, não é só decepcionante como uma clara demonstração da falta de compromisso do governo para com o nosso programa espacial. Este projeto já virou piada, e eu diria até que em certos aspectos o fracasso até agora com este projeto de mais de 30 anos e muito pior do que ocorreu com o projeto do VLS-1 oriundo da mesma época, já que enquanto neste projeto temos avançado muito pouco com algo muito menos complexo que já deveria estar no espaço há pelo menos 20 anos, no caso do VLS-1 o avanço foi grande (apesar do grande atraso) sendo um projeto hoje pronto, que só não foi concluído graças o descaso dos governos "LULA" e da "Ogra" na conclusão dos protótipos tecnológicos previstos para qualificação em voo deste veículo.

Um comentário:

  1. Façam uma auditoria séria e ampla no PEB, abrangendo os últimos 25 anos!
    A Petrobras não ficará a sós!
    Há muitos Paulo Roberto Costa por aí!

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