terça-feira, 30 de abril de 2013

Astrônomos Brasileiros Encontram 50 Arcos Gravitacionais

Olá leitor!

Segue abaixo outra matéria está postada ontem (29/04) no site “Inovação Tecnológica” dando destaque ao Projeto SOGRAS (SOAR GRavitational Arc Survey) de Astrônomos Brasileiros que descobriu 50 Arcos Gravitacionais.

Duda Falcão

Espaço

Astrônomos Brasileiros Encontram
50 Arcos Gravitacionais

Com informações do CBPF
29/04/2013

[Imagem: Linea/Furlanetto et al.]
Imagem de arco gravitacional gigante
descoberto pelo projeto SOGRAS.

Lentes gravitacionais

O projeto SOGRAS (SOAR GRavitational Arc Survey), iniciado em 2007 por um grupo de astrônomos de instituições de pesquisa brasileiras interessados na busca sistemática e análise de arcos gravitacionais, acaba de publicar seus primeiros resultados científicos.

Na semana passada, um artigo na prestigiosa revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society divulgou um estudo realizado com cerca de 50 aglomerados de galáxias, mostrando fortes evidências de arcos gravitacionais em pelo menos seis deles.

Arcos gravitacionais são imagens deformadas de galáxias distantes quando sua luz atravessa um intenso campo gravitacional, como aquele causado por aglomerados de galáxias, contendo, às vezes, milhares de galáxias num volume cósmico relativamente pequeno.

Esse efeito, também conhecido como lenteamento gravitacional, ocorre porque a trajetória da luz se curva na presença da gravidade muito intensa do aglomerado, que então funciona como se fosse uma lente.

Tendo sido previsto pela teoria da relatividade geral, proposta pelo físico Albert Einstein, o fenômeno que explica os arcos gravitacionais - o desvio da luz pela gravidade - foi comprovado experimentalmente em 1919, durante um eclipse total do Sol observado na cidade de Sobral (Ceará) e na Ilha de Príncipe.

Na ocasião, foi possível medir o desvio da trajetória da luz de estrelas distantes causada pelo Sol.

Por que Estudar Arcos Gravitacionais?

De grande utilidade para pesquisas em astrofísica e cosmologia, os arcos gravitacionais permitem mapear a distribuição total de matéria em galáxias e aglomerados e, portanto, "avaliar" a matéria escura, que não interage com a luz e que representa a maior parte da massa desses objetos.

Além disso, como a luz das galáxias lenteadas percorre distâncias cosmológicas, estudos com arcos permitem estudar o cosmos em grandes escalas e, inclusive, entender melhor o que é outro componente desconhecido do Universo, a chamada energia escura.


As imagens que sofrem o lenteamento gravitacional também podem ser altamente ampliadas pelo efeito, o que permite estudar galáxias muito distantes, as quais não seriam detectadas de outra forma. Ou seja, os aglomerados de galáxias funcionam como gigantescos telescópios gravitacionais.

Por todas essas razões, os astrônomos têm buscado, desde o fim da década de 1980, sistemas com arcos gravitacionais. No entanto, esses objetos são raros e muito difíceis de encontrar nas imagens astronômicas. Além disso, sua identificação exige instrumentos muito sensíveis e com grande resolução de imagens.

Selecionar e Estudar

No Brasil, pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP) e Observatório Nacional (ON) - participantes do Laboratório Inter-institucional de e-Astronomia (LIneA) - juntaram-se a cientistas do Laboratório Nacional Fermi (Fermilab), nos Estados Unidos, para buscar arcos gravitacionais em aglomerados de galáxias.

A meia centena de aglomerados estudados pelo projeto foi selecionada a partir de dados obtidos pelo Sloan Digital Sky Survey (SDSS) - projeto responsável pelo mapeamento de uma grande área da esfera celeste e pela confecção da maior imagem já feita do Universo.

Para cada um desses aglomerados foram obtidas imagens em alta resolução pelo telescópio SOAR, que possui um espelho de 4 metros e está localizado no Chile, na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de 2.700 metros, em um dos melhores sítios astronômicos do planeta.

A participação brasileira no SOAR, construído em parceria pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, e Inovação (MCTI), U.S. National Optical Astronomy Observatory, Universidade da Carolina do Norte e Universidade do Estado de Michigan, é coordenada pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA).

De acordo com Martín Makler, pesquisador do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e membro do Projeto SOGRAS, o futuro das pesquisas com arcos gravitacionais deve seguir a mesma filosofia de selecionar sistemas em imagens de grande área para um estudo mais detalhado com telescópios de maior resolução.

Por isso, afirma, serão utilizados dados do Dark Energy Survey (DES), provavelmente o maior levantamento óptico para a cosmologia desta década, para identificar os sistemas.


O DES entrou em operação no ano passado e conta com uma forte participação brasileira, coordenada pelo LineA (Laboratório Inter-institucional de e-Astronomia).

O acompanhamento mais detalhado será novamente feito com o Gemini e SOAR, além de telescópios do Observatório Europeu Austral (ESO), mas desta vez utilizando um recurso inovador, conhecido com "óptica adaptativa", que permite melhorar em muito a resolução das imagens, conclui Martín.

Bibliografia:

The SOAR Gravitational Arc Survey - I: Survey overview and photometric catalogs
Cristina Furlanetto, Basilio X. Santiago, Martin Makler, Eduardo S. Cypriano, Gabriel B. Caminha, Maria Elidaiana da Silva Pereira, Angelo Fausti Neto, Juan Estrada, Huan Lin, Jiangang Hao, Timothy A. McKay, Luiz Nicolaci da Costa, Marcio A. G. Maia
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
DOI: 10.1093/mnras/stt380


Fonte: Site Inovação Tecnológica

Comentário: Essa matéria é complementar a outra postada dia 22/04 (veja aqui) demonstrando uma vez mais o quanto a Astronomia Brasileira tem avançado nos últimos 10 anos. É realmente impressionante o que essa pequena comunidade científica tem realizado nesse período.

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