quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Blog Entrevista Gerente dos Projetos SARA e VLM-1

Olá leitor!

O blog “BRAZILIAN SPACE” vem apresentando quando possível uma série de entrevistas com personalidades públicas e privadas que trabalham ou já trabalharam nas atividades de ciência, e tecnologias espaciais no Brasil.

Dessa vez trazemos para os nossos leitores uma entrevista com um dos profissionais mais ativos do Programa Espacial Brasileiro, ou seja, o Dr. Luis Eduardo Loures da Costa, pesquisador esse ligado ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), onde atualmente exerce a gerencia dos Projetos SARA e VLM-1.


O Eng. Ramon e Dr. Loures em Frente da entrada
dos prédios da Divisão de Eletrônica (AEL) e da
Divisão de Sistemas Espaciais (ASE) do IAE

Reconhecido pelos próprios colegas do IAE como um 'verdadeiro leão', quando defende os projetos que estão sob a sua gerência, o Dr. Loures é reconhecidamente o grande responsável pelo avanço (nos últimos três anos) dos Projetos SARA e VLM-1, apesar das grandes dificuldades vividas por ele nesse período.

Em outubro de 2010, quando de minha primeira visita ao IAE, tive a oportunidade de ser apresentado pelo Cel. Kasemodel (patente da época, hoje o mesmo é Brigadeiro) ao Dr. Loures, mas naquela oportunidade devido à correria não foi possível ter um melhor contato com esse grande profissional do PEB.

Agora, através da estimável ajuda da Seção de Comunicação Social – SCS” do IAE, trago para você leitor essa interessante entrevista com o Dr. Loures, onde o mesmo confirma o lançamento do “SARA Suborbital I” para 2013, o que é uma excelente notícia, e esclarece diversas outras dúvidas dos Projetos SARA e VLM-1, além de acrescentar outra serie de informações muito interessantes sobre as possibilidades futuras de ambos os projetos. Vale a pena conferir essa entrevista.

Aproveito para agradecer ao Dr. Loures, a Sra. Gloria Regina Esteves de Lira (Gabinete do diretor do IAE), a Sra. Janaína Pardi Moreira (Seção de Comunicação Social do IAE), ao Brig. Eng. Carlos Antônio de Magalhães Kasemodel (diretor do IAE) e também ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) por mais uma vez ter nos atendido com atenção.

Duda Falcão

Dr. Luis Eduardo Loures da Costa (IAE)
Gerente dos Projetos SARA e VLM-1
BRAZILIAN SPACE: Dr. Luis Loures, para aqueles leitores que ainda não o conhecem nos fale sobre o senhor, sua idade, formação, onde nasceu e desde quando trabalha no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)?

DR. LUIS LOURES: Sou Engenheiro Mecânico por formação, com Doutorado na Universidade de Aachen (RWTH Aachen) na Alemanha, na área de materiais compósitos. Sou natural do Rio de Janeiro e tenho 53 anos. Trabalho no IAE desde 1984, mas estou no DCTA desde 1978, quando entrei no ITA.

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, o blog tem recebido muitos e-mails de leitores nos questionando se com o baixo orçamento da AEB enviado pelo governo ao Congresso o voo do SARA Suborbital I está ameaçado de não mais acontecer em 2013?

DR. LUIS LOURES: O voo do Sara Suborbital 1 não está ameaçado. Ele teve a dotação orçamentária possível e suficiente para o lançamento ocorrer em 2013. Recentemente, a AEB fechou um contrato importante de apoio ao Projeto SARA relativo ao Banco de Controle do veículo.  Quanto ao orçamento do PEB, como apresentado pelo Brig. Kasemodel no XII ENEE, realizado na Escola Naval, ele se encontra em um patamar bem abaixo do orçamento de outras potências espaciais em seus programas espaciais civis, como a China (US$ 2 bilhões/ano) e a Índia (US$ 1,5 bilhão/ano), não entrando neste cômputo o programa espacial militar destes países, cujo orçamento é muitas vezes superior ao civil, mas que não é divulgado. O Brasil apresenta um orçamento anual civil de 180 milhões de dólares para o Programa Espacial, ou seja, cerca de dez vezes menor, o que torna nossos avanços bem mais lentos em relação aos países citados. O programa SARA não foge ao contexto descrito.

BRAZILIAN SPACE: Recentemente Dr. Loures a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou o seu novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). Nesse documento, o que nos chamou a atenção em relação ao Projeto SARA foi à previsão de voo para 2015 do que parecer ser o SARA Orbital I. Se assim for, essa previsão do novo PNAE significa que o voo do SARA Suborbital II foi cancelado ou está previsto agora para 2014, ou a previsão do PNAE está fora da realidade?

DR. LUIS LOURES: Não há possibilidade de se lançar o SARA Orbital 1 sem se ter passado pelo Sara Suborbital 2, pois este último veículo desenvolverá tecnologias críticas para a missão orbital. Por esta única razão, o veículo com previsão de lançamento em 2015 seria o Sara Suborbital 2. Isso poderá ocorrer se recursos financeiros e humanos suficientes forem alocados ao projeto. O Sara Suborbital 2 já está sendo projetado e em breve postaremos uma matéria com relação a isso no site do IAE. A idéia de se fazer vários veículos é decorrente da necessidade de se criar uma distribuição de resultados ao longo do tempo, reduzindo riscos globais de projeto, como solicitado no item 4 das Diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). O SARA Orbital será uma conseqüência dos desenvolvimentos anteriores, portanto o seu cronograma está atrelado a estes desenvolvimentos.


O Eng. Spina, o Dr. Loures e a servidora Débora
do IAE ao lado do SARA Suborbital I

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, durante a realização do5º SePP&D” em abril de 2011, foi apresentada uma interessantíssima palestra intitulada “SARA: Rendezvous and Docking - A Next Step of Development & Application” que como o título já diz, trata-se da continuação do Projeto SARA após o lançamento do SARA Orbital II, visando o uso dessa pequena cápsula orbital em missões de acoplagem com outros objetos no espaço. O senhor pode nos confirmar se isso ainda continua em pauta, e caso sim, se existe a participação do DLR alemão e também se possível nos falar um pouco mais sobre os objetivos desse projeto?

DR. LUIS LOURES: O SARA é um exemplo de programa mobilizador que permite a exploração de diferentes possibilidades e cenários por diversos atores, nacionais ou internacionais. Muitas vezes nós somos surpreendidos por estudos baseados no SARA oriundos de grupos com os quais nós nem mesmo temos contato direto. Todos estes estudos são muito bem vindos, principalmente aqueles originados em universidades brasileiras, como um recente estudo da UnB sobre propulsão híbrida para o SARA. No caso mencionado de acoplamento espacial, o estudo foi coordenado pelo Dr. Paulo Moraes, o idealizador do programa SARA e atual gerente dos veículos VLS Alfa e Beta, e pelo Dr. Ijar Fonseca, do INPE. Ele faz parte de uma série de trabalhos acadêmicos que procuram estudar possíveis aplicações futuras para o SARA.

O DLR não participa diretamente do projeto SARA. Houve um forte interesse no passado, mas ele não foi à frente devido à consolidação do programa Shefex na Alemanha. No entanto, os domínios tecnológicos do projeto SARA e do projeto SHEFEX são similares e às vezes ocorrem contatos entre os pesquisadores dos dois grupos, sem que isso, no entanto, se consubstancie em um trabalho conjunto. O máximo que ocorreu foi a tentativa de colocação de uma placa de material cerâmico reforçado por fibras, desenvolvido para o SARA pelo IAE, no voo do Shefex 2. Infelizmente, o DLR aumentou, de última hora, os requisitos mecânicos de aceitação e a placa do IAE passou a não atender os novos requisitos (que antes atendia), pois não havia sido projetada para isso.

O objetivo do projeto SARA é o desenvolvimento de uma plataforma orbital para a realização de experimentos científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade ou em ambiente de reentrada atmosférica. Muito embora o SARA deva ter uma permanência orbital, ela deve ser uma permanência curta, o que permite um enfoque diferente do projeto clássico de satélites, que devem ficar em órbita por, pelo menos, seis meses. Devido a isso, o SARA pode lançar mão, com maior tranqüilidade, de tecnologias “off-the-shelf”, o que reduz muito o custo de fabricação e aumenta a disponibilidade de componentes, com um enfoque técnico de projeto e qualificação adaptado para este tipo de estratégia. Isso torna a plataforma extremamente interessante para o teste em órbita de novas tecnologias que deverão ser utilizadas em satélites maiores ou para experimentos científicos universitários.  O verdadeiro desafio do SARA, no entanto, está na sua aplicação como veículo de reentrada, pois as tecnologias que devem ser desenvolvidas envolvem muitas áreas do conhecimento, tais como dinâmica de voo, guiamento e controle, cálculo termo-estrutural, materiais, aerodinâmica, termodinâmica, propulsão, física de plasma, etc. Após cumprir a parte orbital de sua missão, o SARA poderá ser empregado, portanto, para testes em todas estas áreas citadas durante a reentrada na atmosfera terrestre.

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, segundo a programação anterior a esse novo PNAE o Projeto SARA estava dividido em quatro fases, sendo duas suborbitais que seriam atendidas por foguetes VS-40 e duas orbitais que seriam atendidas pelo VLS-1.  Com relação aos voos orbitais do SARA Dr. Loures, o VLS-1 continua sendo o foguete previsto para essas missões, e caso sim, a carga útil do VLS-1 VO4 seria o SARA Orbital I?

DR. LUIS LOURES: O projeto continua planejado para ter as fases descritas no PNAE anterior. Com relação à opção pelo lançador, nós estamos atualmente estudando o aumento da eficiência estrutural do SARA, que passaria de 350 kg para 200-220 kg já no SARA Suborbital 2, bem próximo do valor inicial de projeto que era de 180 kg. Com estes novos dados de massa, o candidato mais adequado para o lançamento do Sara Orbital 1 passaria a ser o VLM-1.

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, outro importantíssimo projeto do IAE onde o senhor é o gerente é o projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1). Pelo que sabemos o Modelo de Engenharia (ME) do motor-foguete S50 esteve ou ainda está sob avaliação nas dependências do Laboratório de Ensaios Dinâmicos (LED) do IAE. E quanto ao Modelo de Qualificação (MQ), já existe uma previsão de quando começará os ensaios desse modelo no banco de provas da Usina Coronel Abner?

DR. LUIS LOURES: Nós fizemos o Modelo de Engenharia do Motor S50 e verificamos, em primeiro lugar, que a manufatura do motor era viável com os nossos métodos de fabricação e, em segundo lugar, que havia uma solução adequada para a deposição automática de fibras. Por fim, concluímos que havia espaço para uma melhoria estrutural do motor por meio de modificações que não só reduziriam as partes metálicas, economizando massa, como também aumentariam a qualidade da deposição de fibras. Ao mesmo tempo, aumentamos o diâmetro do motor de 1,40m para 1,46m para atender a uma solicitação do DLR de se ter mais energia embarcada no veículo. Devido a isso, estamos iniciando um novo processo de cálculo estrutural desta alternativa de envelope motor, que deverá estar terminado até maio, iniciando-se então a construção dos dispositivos de fabricação dos motores de qualificação. Posso garantir que estamos empregando uma quantidade bastante grande de horas de uma engenharia extremamente refinada neste estudo. Na sequência deste processo, nós estaremos fazendo a qualificação estrutural do motor em princípios de 2014, o que nos deixaria com a possibilidade de um teste de queima em banco em finais de 2014, caso o fluxo de recursos financeiros seja o solicitado.


O Eng. Artur, o bolsista do CNPq Everson e o Dr. Loures
em um dos  escritórios do Projeto do VLM-1

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, muito tem se falado no uso desse motor S50 num projeto de foguete de sondagem chamado VS-50. Assim sendo e baseando-se no histórico do IAE de testar primeiro seus novos motores em voo antes de usá-los em veículos lançadores, o S50 será testado primeiro nesse foguete de sondagem, ou será testado diretamente no voo de qualificação do VLM-1?

DR. LUIS LOURES: Havia a previsão de teste do motor S50 através de um veículo mono-estágio denominado VS-50, no entanto, em conjunto com o DLR, nós optamos por fazer um voo completo do VLM-1 antes do voo do SHEFEX 3. O VS-50 continua sendo uma opção interessante de foguete de sondagem a ser explorada pelo IAE no futuro, bastando para isso que os recursos humanos e financeiros estejam disponíveis. Estamos estudando inclusive o lançamento do Sara Suborbital 2 com um VS-50, mas não há ainda uma decisão final a respeito.

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, falando em voo de qualificação do VLM-1, já existe uma previsão de quando o mesmo ocorrerá?

DR. LUIS LOURES: O nosso planejamento prevê um voo de qualificação do VLM-1 em 2015. Obviamente esta data depende basicamente do sucesso do tiro em banco do motor S50 e do aporte de recursos financeiros adequados ao programa. O desenvolvimento do motor S50 é o caminho crítico do projeto do VLM-1.


O Eng. Jonas, a bolsista do CNPq Ana Carolina,
o Dr. Loures e o Eng. João Piemonte
em outro dos escritórios do Projeto do VLM-1

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, existe a expectativa de se colocar nesse voo de qualificação do VLM-1 alguma carga útil (satélite)?

DR. LUIS LOURES: Não há ainda uma decisão sobre este assunto. Já fomos procurados por alguns clientes internacionais interessados neste voo, mas há de se guardar uma certa cautela com relação a isso, não só porque se trata do primeiro voo, o de qualificação, como também devido às modificações de cenários no país durante este período de tempo. Por conseguinte, podemos optar por um voo tecnológico instrumentado. Não está nem mesmo descartada a idéia de simularmos a campanha do Shefex 3 utilizando um veículo Sara Suborbital no VLM-1. Creio que ainda haja espaço para uma reflexão maior antes de uma decisão final sobre este assunto.

BRAZILIAN SPACE: Dr. Loures, devido à equipe do projeto do microsatélite universitário ITASAT-1 ter previsto que o mesmo estará pronto para ser lançado a partir de junho de 2014, e da recente entrevista do Brig. Pohlmann ao programa FAB pela FAB, da FAB TV, dizendo que a expectativa do DCTA seria lançar o VLM-1 no final de 2014 ou inicio de 2015, recentemente o blog BRAZILIAN SPACE lançou uma campanha intitulada “Missão VLM-1/ ITASAT-1 – 2014”, visando com isso à mobilização de nossos leitores e da sociedade como um todo exigindo da AEB e do governo DILMA ROUSSEFF que estabelecesse junto aos players envolvidos (IAE, INPE, ITA entre outros) a meta de realizar essa missão em dezembro de 2014. Como gerente do Projeto do VLM-1, o que o senhor acha de nossa iniciativa?

DR. LUIS LOURES: Toda a iniciativa que provém da sociedade brasileira organizada deve ser avaliada com atenção pelos órgãos de governo. Certamente existe o potencial para o lançamento do ITASAT-1 pelo VLM-1 devido à massa do satélite, mas essa possibilidade deve ser avaliada em conjunto com a AEB e com o DLR. Sob o ponto de vista técnico, teremos que avaliar a missão do ITASAT-1 para verificar se poderemos atendê-la com esta primeira versão do VLM-1 ou, em caso negativo, se poderíamos alterar esta missão de maneira a podermos atendê-la. Certamente, no entanto, não teremos condições de lançamento em 2014, pois o voo de qualificação do VLM-1 está previsto para 2015. Eu presumo, contudo, que isso não seria um grande problema, pois mesmo na hipótese do ITASAT-1 escolher outro lançador, ele teria necessariamente que esperar alguns meses para o lançamento.


O Eng. Ramon e o Dr. Loures posicionados
a frente do Modelo de Engenharia (ME)
do motor-foguete S50

BRAZILIAN SPACE: Finalizando Dr. Loures, o DLR alemão tem divulgado que a sua previsão para o lançamento do experimento SHEFEX III seria em 2016. Existem publicações na net que dão como certa o lançamento dessa missão de Alcântara.  É esse mesmo o objetivo, ou seja, o SHEFEX III será lançado mesmo do Centro de Lançamento de Alcântara?

DR. LUIS LOURES: Existe a previsão de lançamento do veículo de reentrada SHEFEX-3 pelo VLM-1 no ano de 2016 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara em conjunto com o DLR, pressupondo que os recursos financeiros e humanos sejam garantidos para o alcance desta meta. Do lado do IAE, posso afiançar que faremos o humanamente possível para que esta meta seja atendida a contento, honrando o acordo firmado entre o então Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aluísio Mercadante, pelo Brasil, e o astronauta Thomas Reiter, pela Alemanha.

OBS: Como o Dr. Loures deixou claro na sua entrevista a impossibilidade do lançamento do VLM-1 em 2014, mudamos então a nossa campanha "Missão VLM-1 / ITASAT-1 - 2014" para o ano de 2015 (Julho), quando então o Dr. Loures e sua equipe espera realizar o voo de qualificação desse veículo lançador. Assim sendo, modificaremos a chamada que está em vermelho na coluna da esquerda no blog para 2015 e esperamos contar com a sua participação. Envie e-mails para deputados e senadores, para presidência da republica, para AEB, para o Ministério da Defesa, e para quem você acha que pode ajudar nessa campanha. Contamos com você. Faça a diferença utilizando de sua cidadania. Vamos a luta.

9 comentários:

  1. Mais uma entrevista esclarecedora! Creio que o fato do Dr. Loures ter estudado na Alemanha e saber falar alemão deve ter contribuído de alguma maneira para consolidação dessa parceria com a Alemanha no VLM.

    É interessante também descobrir que o projeto SARA pode não ser somente uma capsula para transportar experimentos, mas também o embrião para transportes de carga até o espaço.

    A entrevista deixa claro os desenvolvimentos do IAE, e provavelmente teremos o segundo lançamento do SARA 1 em 2014. Mas mais uma vez ficou notória a velha despreocupação do governo em seguir as coordenadas dos países bem sucedidos, investindo em tecnologia, nomeadamente no setor espacial. Mesmo se essa onda de 'prosperidade económica' passasse, se soubessem investir bem os recursos do governo em tecnologia, conseguiriamos atingir ainda um padrão de competitividade (a Rússia, por exemplo, depois da queda do comunismo passou por alguns desajustes económicos, mas conseguiu se manter bem por causa do seu avançado padrão tecnológico).

    Os técnicos, ligados a esses projetos, estão literalmente no percurso para fazerem história neste país, e espero que os recursos entrem para dar viabilidade para concluí-los. É a tal coisa, antes de lançarem, ninguém dá bola, mas depois de faze-lo até comunidades internacionais noticiam (ver recentes exemplos do Irã, Coreia do Sul, e Coreia do Norte).

    Creio que boa parte das perguntas foram sanadas, e fico feliz pelo progresso do SARA. Espero também que seja um exito comercial.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sendo o segundo voo suborbital em 2015 (e não para o próximo ano), podemos ver o quão complexo é o projeto. Não sei porque chamo o SARA suborbital de SARA1, mas ok.

      Excluir
  2. Desejo sorte aos participantes desses e dos demais projetos do PEB.

    Deve-se notar que ao longo das respostas da entrevista a menção à "disponibilidade de recursos" foi feita CINCO vezes.

    Tomara que eles consigam...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. estava justamente pensando nisso.
      A situação realmente é no minimo, irritante...

      Excluir
    2. Considerando que está prevista a aposentadoria de grande parte do atual efetivo civil do IAE até 2020, imagino que a tecnologia desenvolvida para os foguetes estará nas empresas que contratarem essa mão de obra "aposentada". Deve ser a isso que chamam transferência de tecnologia para a indústria...no Brasil.

      Excluir
  3. Gostei muito da entrevista, acho que sabemos mais sobre o PEB do que a própria presidente da república.

    ResponderExcluir
  4. Gostaria de saber se há alguma menção ao uso futuro da tecnologia desenvolvidade por conta do programa SARA numa nave espacial tripulada depois de 2020 - afinal ela tal plataforma de experimentos é o mais próximo na atualidade que temos disso. Sei que trata-se duma especulação a longo prazo, mas julgo plausível pois até lá existirão melhores orçamentos ao PEB e muito mais técnicos competentes.
    Parabéns ao sr. Loures pelo belo trabalho feito em nome de nosso país.

    ResponderExcluir
  5. Olá Anônimo!

    Não, nem diretamente ligado a equipe do SARA, nem ligado a iniciativas de outras equipes que se baseiam no Projeto SARA. O que existe é uma proposta intitulada “SARA: Rendezvous and Docking - A Next Step of Development & Application” do Dr. Paulo Moraes do IAE e o Dr. Ijar Fonseca, do INPE, que visa o uso dessa pequena cápsula orbital em missões de acoplagem com outros objetos no espaço e um proposta da UnB do uso de propulsores híbridos pelo SARA Orbital.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir