segunda-feira, 25 de junho de 2012

Operação SHEFEX II

Descrição da Campanha

Operação:  Shefex II
Foguete:  VS-40M VO3
Numero do vôo do foguete: 3
Data de lançamento:  22/06/2012
Horário:  21h18m (local)
Apogeu do vôo: 177 km
Peso da Carga Útil: Não divulgado
Tempo de vôo: 10 minutos
Local:  Centro de Lançamento de Andoya (Noruega)
Objetivo: Teste de vôo do experimento Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment).
Resultado:  Sucesso Absoluto.

Carga Últil Embarcada

- Experimento Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment)
- Experimento brasileiro de placas de carbeto de silício desenvolvido no IAE para a ser utilizado na estrutura do Satélite SARA Orbital.

Instituições Envolvidas

DLR - Centro Espacial Alemão
ARR - Andoya Rocket Range
AEB - Agência Espacial Brasileira
IAE - Instituto de Aeronáutica e Espaço
DCTA - Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial



VS-40M/SHEFEX II é Lançado com Sucesso
na Noruega - 22/06/2012

Às 21h18m (horário local) do dia 22 de junho de 2012, foi lançado com sucesso, do Centro de Lançamento de Andoya (Noruega), o veículo suborbital brasileiro VS-40M, transportando como carga-útil o experimento alemão SHEFEX II do DLR.

O VS-40M/SHEFEX II de sete toneladas e 13 metros de altura (comprimento), alcançou o apogeu de 177 km pousando com segurança a oeste da ilha de Spitsbergen (ilha essa integrante do aquipélago de Svalbard na Noruega), 800 quilômetros do ponto de lançamento, após 10 minutos de vôo.

Segundo o Andoya Rocket Range (ARR), localizado ao sul da cidade de Andenes, também na Noruega, esse foi de fato o maior e mais póderoso foguete lançado do solo norueguês até hoje, ja que o mesmo é 2-300 kg mais pesado do que todos os mísseis que já foram lançados a partir de Andoya.

“Com o tempo bonito o lançamento teve uma contagem regressiva perfeita”, disse com entusiasmo o gerente de operações do AAR, Kjell Boen. 

Foi um lançamento espectacular, com som, chamas e um grande motor que subiu rápido no ar, completou Boen.

Na reentrada na atmosfera o experimento SHEFEX resistiu temperaturas superiores a 2500 graus Celsius e enviou os dados de medição de mais de 300 sensores para uma estação terrestre.

O objetivo do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) com o experimento SHEFEX II dessa missão, foi a de testar uma nova tecnologia que poderá ser usada em um veículo espacial europeu no futuro.

"O vôo do SHEFEX II nos leva a um passo adiante no caminho para o desenvolvimento de um novo veículo espacial como uma cápsula espacial, oferecendo o controle e opções de vôos semelhantes as do ônibus espacial americano, mas de forma muito mais rentável", disse o gerente de projeto Hendrik Weihs.

Vale lembrar que o primeiro experimento desse programa, o SHEFEX I, foi também lançado de Andoya em 27/10/2005 através de outro foguete brasileiro (VS-30/Orion), possibilitando naquela época aos pesquisadores coletar dados durante todo o evento, num vôo que durou 20 segundos e onde o SHEFEX I reentrou na atmosfera a uma velocidade de Mach 7.

Já nesse voo do SHEFEX II, o mesmo alcançou uma velocidade de 11.000 quilômetros por hora (cerca de 11 vezes a velocidade do som), quando então reentrou na atmosfera após ter alcançado uma altitude de aproximadamente 180 quilômetros.

Vale dizer também que o custo dos experimentos da missão espacial SHEFEX II somou 10 milhões de euros, estimando-se que outros 6 milhões tenham sido investidos pelo DLR durante o desenvolvimento desse experimento.

Já para o Brasil, a operação bem sucedida do foguete VS-40M, o qual foi integralmente financiado pelo DLR, significou a ratificação da excelente reputação conquistada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e pela tecnologia brasileira de veículos suborbitais, junto à Agência Espacial Européia, ao AAR, e ao DLR alemão.

Adicionalmente, o VS-40M significou um importante avanço para o alcance da autonomia brasileira de acesso ao Espaço, pois consiste da parte superior do VLS-1, com os motores S40 e S44, e também porque esta missão teve como objetivo testar placas de carbeto de silício, desenvolvidas no IAE, para serem futuramente utilizadas na estrutura do Satélite SARA Orbital.

É importante ressaltar também que o futuro experimento SHEFEX III está previsto para ser lançado em 2016 do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, através do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), que já se encontra em desenvolvimento pelo IAE e DLR com a participação de indústrias brasileiras e alemãs.

Entretanto, existem indícios (não confirmados oficialmente) de que antes do lançamento do experimento SHEFEX III pelo VLM-1 em 2016, o DLR esteja planejando o lançamento de dois novos experimentos SHEFEX II, ou seja, o “A” e o “B” (veja a nota: “Dois Novos VS-40 para o Programa Alemão SHEFEX. Será?”), o que pode significar o uso de dois novos foguetes VS-40M ou mesmo o futuro foguete VS-50, foguete este derivado do motor do VLM-1.

Vídeos do Lançamento do VS-40M/SHEFEX II:

Vídeo da Campanha produzido pelo DLR Alemão.

Vídeo da Campanha de Lançamento

Lançamento do VS-40M – Fonte: AAR

Lançamento do VS-40M – Fonte: Desconhecida

Lançamento do VS-40M – Fonte: IAE

Lançamento do VS-40M – Fonte: Site Norueguês VG-NETT


Concepção Artística do foguete VS-40M da "Operação SHEFEX-II"

Fotos da Operação SHEFEX II:

Fotos de Trond Abrahamsen - trond@rocketrange.no


Fonte: Sites do IAE, DLR e diversos outros websites estrangeiros

9 comentários:

  1. Muito bom Duda !

    Gostaria de saber como se comportou a proteção térmica .

    Vc sabe se o Brasil terá acesso à tecnologia da carga útil (proteção termica etc) ?

    Abs

    ResponderExcluir
  2. Olá Iurikorolev!

    Obrigado amigo. A informação que tenho é que toda operação foi um sucesso, mas é claro que os dados do experimento SHEFEX II levarão um tempo ainda para serem analizados.

    Quanto se o Brasil terá acesso à tecnologia da carga útil alemã, eu não sei lhe informar, mas sei que os alemães tem ajudado muito o IAE no desenvolvimento de sua tecnologia de reentrada atmosférica para o projeto do SARA Orbital.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  3. Interessante é que na página da DLR sobre o resultado ela não mencionou o foguete brasileiro ...

    ResponderExcluir
  4. Nossa essa parceria com os amigos alemães é um salto tecnologico imenso!! Tenho certeza q todos estamos repletos de orgulho com esse lançamento bem sucedido!

    q venha o vlm e por favor presidentA, lance esse ano o nosso vls! abraços Duda!

    ResponderExcluir
  5. Olá Iurikorolev!

    Pode ser, mas o VS-40M foi citado em todos o sites estrangeiros que noticiaram o lançamento que eu consultei. Tá ok?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eles se referem a "low cost brazilian rockets".

      E apenas 1 vez no site inteiro.

      Deve ser o famoso orgulho alemão ...

      Excluir
  6. Olá Tassio!

    Considero o acordo assinado com os alemães (a mais de 40 anos) o mais bem sucedido de todos até hoje realizado pelo Brasil com outra nação estrangeira, mesmo em relação ao Programa CBERS assinado com a CHINA na área de satélites.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  7. Me admiro um foguete do porte do VS-40 ter sido lançado poucas vezes levando em consideração que ele foi desenvolvido na década de 90.
    Fora isso, mostra a capacidade que o Brasil tem no desenvolvimento de foguetes, mas esse governo não liga pra isso... é lamentável.
    Foguetes brasileiros custo x benefício são os melhores do mercado rsrs.
    Sucesso para o VLS.

    ResponderExcluir
  8. Olá Diego Corrêa!

    Também sempre lamentei o pouco uso desse foguete pelo Programa Espacial Brasileiro, mas agora com o sucesso desse vôo, eu acredito que mesmo que o VS-40M não venha ser utilizado no Brasil com mais frequência (só tem mais dois vôos previstos, os dois do SARA Suborbital), ele deverá ser utilizado por outros países.

    Vale lembrar que para que ele fosse utilizado pelo "Programa Microgravidade" da AEB (o que seria magnifico para toda Comunidade Científica Brasileira) seria necessário o desenvolvimento de uma outra plataforma para experimentos em microgravidade diferente da "PSM" em desenvolvimento no IAE para os foguetes suborbitais brasileiros VS-30 e VSB-30.

    Ou então a efetivação do "SARA Suborbital" como um projeto real e não mais de desenvolvimento do projeto final, ou seja, o SARA Orbital, este planejado para ser lançado pelo VLS-1 ou até mesmo por um VLM-1 modificado.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir