quarta-feira, 6 de julho de 2011

Programa Espacial Brasileiro Completa 50 Anos

Olá leitor!

Segue abaixo um interessantíssimo artigo publicado na Revista Espaço Brasileiro (Abr, Maio e Jun de 2011), destacando os 50 anos do Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

CAPA

Programa Espacial Brasileiro
Completa 50 Anos

Há cinqüenta anos foi criado o Programa Espacial Brasileiro.
O Brasil se tornava a quarta nação a entrar na corrida espacial,
depois da União Soviética, dos Estados Unidos e da França.
Diferentemente dos seus antecessores, que criaram programas
com finalidade bélica, o País tinha outros objetivos. Em tempos de
guerra fria o Brasil não queria ficar fora da corrida espacial. Para isso,
criou o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades
Espaciais (GOCNAE). O Brasil foi um dos pioneiros na área e, ainda
hoje, é um dos poucos países com um programa completo, ou seja,
desenvolve foguetes e satélites e tem centros de lançamentos
capazes de lançá-los. Apenas oito países do mundo,
além do Brasil, têm essa competência

Leandro Duarte

Porque nos dias de hoje é tão importante ter um programa completo? A atividade espacial contribui de maneira significativa para o desenvolvimento do Brasil, seja pelas informações sobre o território nacional que disponibiliza sob a forma de imagens e dados coletados, seja pelo desenvolvimento de novas tecnologias e de conhecimentos críticos, fundamentais para desenvolver subsistemas necessários para a construção de foguetes e satélites. É quase impossível, por exemplo, imaginar o mundo atual sem a existência de satélites. Atividades com assistir televisão, prever o tempo, vigiar fronteiras, controlar recursos hídricos, monitorar agricultura e o ambiente, ou ainda fazer uso do sistema de localização (GPS) por um aparelho celular ou um computador, tudo isso só é possível graças aos satélites.

O Brasil já enviou satélites ao espaço, como o Satélite de Coleta de Dados (SCD). O SCD é genuinamente brasileiro. Foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e retransmite informações para a previsão do tempo e para o monitoramento das bacias hidrográficas. Os dados coletados são usados por instituições nacionais governamentais como a Agência Nacional de Águas (ANA) e por instituições do setor privado. Lançado em 1993, o SCD foi construído para operar perfeitamente por três anos. No entanto, ele completou, em 9 de fevereiro de 2011, 18 anos em operação. Para o diretor de Satélites e Aplicações da AEB, Thyrso Villela, o SCD-1 é um marco para o Programa Espacial Brasileiro. “Apesar de ser, de certa forma, simples, ele é muito representativo. Técnicos foram treinados para o seu desenvolvimento e execução. Foi formada uma geração que deu prosseguimento a outros programas. Para mim ele é símbolo de sucesso”, exaltou.

Seis anos depois, em 14 de outubro de 1999, o Brasil, em cooperação com a China, lançou o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), próprio para imageamento. As imagens obtidas pelo CBERS são usadas para mapear desmatamentos e queimadas na Amazônia Legal e para fazer o monitoramento de recursos hídricos, de áreas agrícolas, do crescimento urbano e da ocupação do solo, alem de ser fundamental para projetos nacionais estratégicos, como o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAN), Já foram distribuídas, gratuitamente, um número superior a 500 mil imagens do CBERS, aproximadamente 250 por dia.

Três satélites da família CBERS foram lançados: o CBERS 1, o CBERS 2 e o CBERS 2-B. No entanto, todos já pararam de funcionar. Para Thyrso Villela, mesmo o País utilizando a imagem feita por satélites de outros países e suprimindo, em parte, a falta do CBERS, é indispensável a continuação do programa sino-brasileiro. “Nós não podemos fazer com que o nosso programa dependa de satélites estrangeiros. Precisamos ter os nossos”,afirmou. O próximo satélite da série deverá ser lançado em 2012. O Governo Federal liberou R$ 60 milhões, no dia 20 de maio, para o CBERS 3 e R$ 15,7 milhões para o CBERS 4. Segundo relatório da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), de 2010, com o CBERS e suas tecnologias de aplicação de distribuição de dados, o Brasil pode ser considerado um player internacional na área.

Mesmo com a continuidade do programa CBERS, o Brasil necessita de outros satélites, na opinião do diretor da AEB. “O País precisa de um satélite geoestacionário para uso meteorológico. Há, também, a carência por satélites de sensoriamento remoto – tanto óptico quanto por radar – e um exclusivo para comunicação”. De acordo com Thyrso Villela, um satélite científico também deverá fazer parte dos planos de execução do Programa Espacial Brasileiro. Com este equipamento o país poderá treinar os cientistas, técnicos e engenheiros da área espacial.

O Brasil tem projetos que estão em fase de desenvolvimento e revisões como é o caso da Plataforma Multimissão (PMM). O propósito da PMM é reunir, em uma plataforma, todos os equipamentos que desempenham funções necessárias à sobrevivência de um satélite, independentemente do tipo de órbita e do objetivo da missão.

Outro projeto de satélite que está em desenvolvimento é o Amazônia 1. Ele será responsável monitoramente e gerenciará recursos naturais. Este satélite trará, com mais rapidez, maior freqüência e melhor resolução as imagens captadas, o que contribuirá para preservação da natureza, especialmente da região amazônica. O Amazônia 1 será o primeiro satélite a usar a PMM.

Um dos projetos com mais destaque no momento é o Global Precipitation Measure (GPM), ou satélite de medidas de precipitação. A necessidade desse satélite vem sendo amplamente discutida, principalmente depois das fortes chuvas que acometeram o País neste ano. Com o GPM será possível antecipar episódios de alteração do clima e fazer com mais eficiência a prevenção de acidentes naturais. Outros projetos de satélites são o SARA e o Científico. O primeiro, conhecido como satélite de reentrada, é um tipo de cápsula capaz de lançar carga útil composta por experimentos em ambiente de microgravidade. O satélite Científico terá duas utilidades: auxiliará a missão EQUARS, para estudos de fenômenos da alta atmosfera na região equatorial, e a missão MIRAX, para a observação e monitoramento de uma região central no núcleo da nossa galáxia, na faixa de raios X, que viabilizará o estudo inédito de um grande número de objetos astrofísicos.

Foguetes – Ao longo dos 50 anos do Programa Espacial, o Brasil construiu alguns foguetes. O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) e a indústria aeroespacial conceberam e produziram um bem-sucedido conjunto de veículos de sondagem (família SONDA) utilizados para missões suborbitais de exploração do espaço capazes de lançar cargas-úteis em ambiente de microgravidade.

Os quatro foguetes da série SONDA foram projetados para estudos da alta atmosfera e além de transportarem cargas-úteis meteorológicas. Esses foguetes serviram como experimentos no campo de propelentes sólidos para o desenvolvimento de foguetes de curto alcance.

Outro foguete de sondagem brasileiro é o VSB-30. Fruto de uma cooperação com a Alemanha, o veículo espacial é amplamente usado na Europa e em 2009 ganhou certificação do Instituto de Fomento Industrial (IFI). O foguete já realizou mais de dez missões no País e no exterior tendo sucesso em todas as operações.

Atualmente, as atenções estão voltadas para a reconstrução do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1). Previsto pela MECB, o VLS-1 é o foguete convencional, da classe dos pequenos lançadores, com quatro estágios que totalizam um comprimento de 19 metros e massa total na decolagem de 50 toneladas. Ele se encontra em fase de revisão dos componentes.

Segundo o tecnologista sênior da divisão de Sistemas Espaciais do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), José Bezerra Pessoa Filho, atrasos na construção de um veículo espacial deve-se a sua complexidade. O especialista destaca dois aspectos importantes: a dificuldade em adquirir peças para a finalização dos foguetes e os cortes no orçamento.

Centros de Lançamento – O Brasil dispõe do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte e do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no estado do Maranhão. Criado em 12 de outubro de 1965, o CLBI lançou, dois meses depois, o primeiro foguete a partir de solo brasileiro, um Nike-Apache, de fabricação norte-americana. Foi um fato histórico que marcou o ingresso do Brasil no restrito grupo dos países lançadores de engenhos aeroespaciais. Ao longo desses 43 anos, foram realizados mais de 2.700 operações de lançamentos, com os respectivos rastreamentos.

A impossibilidade de expansão do CLBI, devido ao crescimento urbano local levou, após cuidadosa análise, à escolha de uma área na península do município de Alcântara, para a construção de um novo Centro de Lançamento, o CLA. A região possui características únicas: baixa densidade populacional, excelentes condições de segurança e facilidade de acesso aéreo e marítimo. O mais importante está situada na latitude dois graus e 18 minutos ao sul da linha do Equador. Essa posição possibilita aproveitar, ao máximo, a rotação da Terra para impulsionar lançamentos para órbitas equatoriais, além de apresentar um litoral favorável a lançamentos polares. Sua localização próxima ao mar permite lançamentos seguros de foguetes de grande potência. Além disso, proporciona uma economia de até 30% em combustível, se comparado a outros sítios. Muitos países que desenvolvem foguetes não desfrutam de condições tão vantajosas.

Casamata do Centro de Lançamento da
Barreira do Inferno (CLBI) - 1966

Mão de Obra – Depois de cinco décadas de história do Programa Espacial o Brasil conta, hoje, aproximadamente, com três mil pessoas trabalhando na área espacial. Segundo Bezerra, esse número pode ser considerado razoável tendo em vista os problemas de orçamento que, ao longo do tempo, contribuíram para afastar boa parte dos profissionais. De acordo com o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB), Himilcon Carvalho, o número de profissionais é insuficiente e é preciso, no mínimo, dobrá-lo. A Agência Espacial Européia (ESA), por exemplo, emprega 28 mil técnicos e os Estados Unidos 70 mil.

Segundo documento redigido pela Associação Aeroespacial Brasileira (AAB) intitulado “A Visão da AAB para o Programa Espacial Brasileiro”, se o déficit de funcionários não for preenchido em um período de cinco anos, o quadro atual com baixo nível de realizações pode perpetuar-se. Há uma preocupação, também, com a média de idade dos trabalhadores que está na faixa dos 50 anos, ou seja, muita força de trabalho está próxima de se aposentar, sem que novos profissionais capacitados estejam aptos a substituí-los.

Para o presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Raupp, uma das saídas para solucionar o problema é estimular as universidades e institutos para que possam criar novos cursos. Isso proporcionará oportunidades de emprego. “O Programa Espacial pode contribuir por meio das ações de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico nos institutos e nas universidades”, disse Raupp.

Recentemente o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) inaugurou o curso de Engenharia Espacial. A universidade de Brasília, em parceria com a Universidade de Dniepropetrovsky, da Ucrânia, firmou parceria e enviará 10 estudantes para especialização. Outro incentivo importante para atrair novas mentes para o PEB foi uma bolsa no valor de R$ 13 milhões que a AEB e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram para apoiar projetos de formação e capacitação de especialistas para o setor espacial. Serão destinados R$ 6 milhões em 2010 e R$ 7 milhões em 2011.

A História do Programa Espacial

1940  Em 20 de janeiro foi criado o Ministério da Aeronáutica.

1945  No dia 16 de novembro foi assinado pelo, então, presidente da República, José Linhares, o plano de criação do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), hoje, Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O plano estabelecia que o Centro Técnico seria constituído por dois institutos científicos coordenados, tecnicamente autônomos – um para o ensino técnico superior (ITA) e um para pesquisa e cooperação com a indústria de construção aeronáutica, com a aviação militar e com a aviação comercial (IPD).

1951  Em 20 de maio foi inaugurado o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que tinha como objetivo fornecer mão-de-obra qualificada para o Programa Espacial Brasileiro (isso não é verdade, não se pensava em espaço nessa época no Brasil e na realidade o ITA foi criado para atender as necessidades da indústria aeronáutica brasileira que estava iniciando e precisava de mão-de-obra qualificada). No mesmo ano também foi instituído o então Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), que em 1974 passou a se chamar Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

1954  Criado em primeiro de janeiro o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD).

1961  No dia 2 de agosto, o astronauta russo, Yuri Gagarin, veio ao Brasil para ser condecorado pelo, então, presidente da República, Jânio Quadros, com a Ordem Cruzeiro do Sul. Um dia depois, o presidente criou o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE). (Iniciava-se nesse momento – 3 de agosto de 1961 – o Programa Espacial Brasileiro).

1963  A GOCNAE passou a se chamar Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE).

1964  Estabelecido o Grupo de Trabalho de Estudos e Projetos Espaciais (GTEPE) que tinha como objetivo preparar equipes especializadas em lançamentos de foguetes; estabelecer programas de sondagens meteorológicas e ionosféricas em cooperação com organizações estrangeiras; incentivar as indústrias privadas brasileiras a galgar os degraus da tecnologia espacial e escolher o local no Brasil para construir um campo de lançamento de foguetes.

1965  Em 12 de outubro foi criado o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). No mesmo ano, no dia 15 de dezembro, foi lançado o foguete americano Nike Apache, inaugurando as atividades no CLBI. No mesmo ano foi lançado o Foguete Sonda I.

1966  Em 2 de dezembro, por decreto, o GTEPE passou a se chamar GETEPE – Grupo Executivo e de Trabalho de Estudos e Projetos Espaciais. Teve início o Programa de Meteorologia por Satélite (MESA), criado para recepção de imagens meteorológicas.

1969  No dia 17 de outubro foi criado o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A (EMBRAER). Brasil e a Alemanha assinaram acordo geral de cooperação nos setores de pesquisa científica e de desenvolvimento tecnológico.

1971  A CNAE Passou a se chamar Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) com a finalidade de produzir Ciência e tecnologia para o País, nas áreas espacial e do meio ambiente. Foi criada a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE) com o intuito de coordenar as Ações do Programa Espacial Brasileiro.

1972  O Sonda II teve o seu primeiro lançamento oficial a partir do CLBI.

1973  O Brasil inaugurou a Estação de Recepção de Dados de Satélites de Sensoriamento Remoto, em Cuiabá (MT), tornando-se o terceiro país, depois de Canadá e Estados Unidos, a ter uma Estação operacional.

1976  Lançado o foguete Sonda III do CLBI.

1979  Aprovada a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) (Melhor período do Programa Espacial Brasileiro, tinhamos um objetivo, tinhamos gente preparada e motivada. Porém, não tinhamos recursos financeiros e nem visão estratégica e ainda não temos). A MECB determinava que o País deveria desenvolver um satélite genuinamente brasileiro, a ser lançado por um foguete nacional, a partir de um centro de lançamento brasileiro.

1983  Em primeiro de março foi inaugurado o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), com localização privilegiada e que permite lançamentos em todos os tipos de órbita.

1984  O quarto e último foguete da série SONDA foi lançado a partir do CLBI.

1985  Foi criado o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O INPE passou a pertencer ao MCT, como órgão autônomo.

1986  Foram criados os Laboratórios Associados – Plasma, Sensores e Materiais, Computação e Matemática Aplicada e Combustão e Propulsão. Teve início o programa de monitoramento de queimadas.

1987  Inaugurado o Laboratório de Integração e Testes do INPE. (grande momento para o PEB, ocorrido no governo do ex-presidente  José Sarney, o melhor presidente civil para o programa espacial) 

1988  Assinado o acordo de cooperação entre Brasil e China visando o desenvolvimento de Satélites (CBERS-1 e CBERS-2). Brasil e a, então, União Soviética assinaram protocolo no campo da pesquisa espacial e da utilização do espaço para fins pacíficos.

1989  Brasil e Argentina assinaram declaração conjunta para cooperação bilateral no uso pacífico do espaço exterior.

1990  O INPE passou a se chamar Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

1993  Em 9 de fevereiro, o satélite de Coletas de Dados (SCD-1) foi lançado por um veículo americano, a partir do cento de lançamentos americano, localizado no Cabo Canaveral, na Flórida (EUA). No mesmo ano também ocorreu o vôo de qualificação do foguete VS-40, a partir do CLA.

1994  Em 10 de fevereiro foi criada a Agência Espacial Brasileira (AEB), para promover de forma descentralizada o desenvolvimento das atividades espaciais no País. O papel da AEB e formular e coordenar o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) – (O problema é que do jeito que está não formula nada e muito menos coordenada algo).

1995  Brasil e Argentina assinaram Memorando de Entendimento que estabeleceu um Quadro de Cooperação em atividades espaciais, entre a AEB e o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES). – (Hummm, tem algo de errado nessa informação. A CNES que conheço e a Agência Espacial Francesa e a sua co-irmã argentina se chama CONAE – Comissão Nacional de Atividades Espaciais). Foi feita a primeira campanha internacional (Operação Guaraná) de lançamento de foguetes de sondagem (Hummm, acho que o nome da operação na realidade era “Operação Guará”). Brasil aderiu ao Regime de Controle de Tecnologias de Mísseis (MTCR).

1996  Assinado acordo de cooperação entre Brasil e Chile para fins pacíficos e tecnológicos. O País também firmou acordo com os Estados Unidos para uso pacífico do espaço exterior.

1997  Primeiro teste do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1) a partir do CLA e primeiro vôo de qualificação do foguete VS-30. O Brasil ingressou no Programa da Estação Espacial Internacional (ISS).

1998  Em 22 de outubro, o satélite SCD-2 foi lançado da base americana de Cabo Canaveral, na Flórida. A AEB selecionou o primeiro candidato brasileiro a astronauta.

1999  No dia 14 de outubro foi lançado o primeiro satélite da série CBERS, do foguete chinês Longa Marcha IV, a partir da base de Taiyuan, na China. Brasil e Ucrânia firmaram acordo sobre o uso pacífico do Espaço Exterior.

2000  Vôo do primeiro protótipo do foguete VS-30/Orion durante a “Operação Pirapema”. (Na realidade foi a “Operação Baronesa” e o foguete foi lançado exatamente no dia 21/08).

2002  Brasil e China assinaram novo acordo de cooperação para desenvolver os satélites CBERS-3 e 4.

2003  No dia 22 de agosto, aconteceu o acidente com o VLS no CLA, que ocasionou a morte de 21 profissionais. No dia 21 de outubro, foi lançado o satélite CBERS-2, a partir da base de Taiyuan. Brasil e Ucrânia assinaram acordo de cooperação para a utilização do foguete Cyclone-4 (um dia triste para o PEB em todos os sentidos). Os satélites SCD 1 e 2 completaram, respectivamente, dez e cinco anos em órbita.

2004  Brasil e Índia assinaram acordo de cooperação para uso pacífico do Espaço Exterior.

2006  Em 30 de março, o Tenente-Coronel Marcos Pontes, torna-se o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Foi criada a bi-nacional Alcântara Cyclone Space (ACS) (começou ai o pesadelo)

2007  Em 19 de setembro foi lançado o CBERS-2b da base chinesa de Taiyuan. Foi realizada a primeira reunião do Conselho de Administração da ACS (triste memória).

2008  Inaugurado, no INPE, o Centro de Ciência Terrestre e o Centro Regional da Amazônia. Brasil assinou acordo de cooperação com a Itália e França. O programa CBERS completou 20 anos de existência. Os governos de Brasil e Argentina assinaram acordo de cooperação para desenvolvimento de atividades conjuntas nas áreas de controle de atitude e órbita, câmeras de imageamento de varredura larga e processamento de dados sensoriais orbitais.

2009  O IAE completou 55 anos de história. O VSB-30 recebeu certificação de qualidade na Suécia. Brasil e Bélgica assinaram acordo de cooperação na área espacial.

2010  Realizada, com sucesso, a Operação Maracati II, que levou ao espaço o foguete brasileiro VSB-30 com experimentos científicos. O CLBI completou 45 anos. O INPE inaugurou o supercomputador Tupã. Lançada a pedra fundamental da ACS, ato que marcou simbolicamente o início das obras do sítio de lançamento do Cyclone-4. (dia negro em que o blog ficou de luto).


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 11 - Abril, Maio e Junho de 2011 - págs. 16, 17, 18 e 19

Comentário: Fora alguns erros históricos cometido pelo autor (que em nossa opinião é inadmissível tratando-se de uma edição da revista da própria agência espacial) e de não ter citado as contribuições do IEAv para o programa, o texto faz um bom relato sobre os 50 anos de nosso programa espacial que ajudará ao leitor menos informado a conhecer melhor o Programa Espacial Brasileiro.

4 comentários:

  1. Olá Antônio!

    Realmente os após 50 anos os resultados deixaram a desejar. Quem sabe a partir de agora a coisa muda, né?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  2. Rumos que deve seguir para cortar o atraso:
    - Estágios superiores dos foguetes lançados de avião preparado para grandes altitudes. Dispensaria rampa de lançamento e o lançamento poderia ser no mar.
    - Preparar um avião foguete (jato modificado) para ser lançado de outro avião e colocar um astronauta no espaço (50 km a 100 km) . Seria um taxi espacial (pequeno porte) que poderia lançar pequenos satélites futuramente.
    - Desenvolver o uso de materiais auto-sustentáveis em todos os níveis.

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  3. Olá Walder!

    São boas idéias amigo, mas que dificilmente seriam adotadas pelo governo. Além do mais, não existe problemas no Brasil de lança-los de plataformas, pois elas já existem. O grande problema mesmo é a falta de atitude do governo.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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