terça-feira, 30 de junho de 2009

Deputado Severiano Alves Fala Sobre PEB na TV Câmara


Olá leitor!

Segue abaixo o vídeo da entrevista dada dia 10/06 pelo Deputado Severiano Alves do PDT-BA (meu conterrâneo) ao programa “Palavra Aberta” da TV Câmara falando sobre as dificuldades enfrentadas pelo Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

video


Fonte: TV Senado

Comentário: Apesar da dificuldade apresentada na entrevista pelo deputado em se expressar corretamente em relação ao assunto, percebe-se que o mesmo demonstra preocupação com a situação atual do programa e que o caso dos quilombolas não parece ser algo incontornável, e sim de fácil solução, segundo as suas próprias palavras. Espero sinceramente que o meu conterrâneo possa de alguma forma contribuir para solucionar os entraves do Programa Espacial Brasileiro e assim ajudar inserir de vez o Brasil no século 21.

Desativação da Base de Alcântara - Será?


Olá leitor!

É com muita preocupação que leio essa nota abaixo divulgada pela Agência Senado no dia de ontem e convido aos leitores acompanharem a audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), que ocorrerá amanhã dia 01/07, a partir das 10h e que deverá ser transmitida pela TV Senado.

Duda Falcão

COMISSÕES / Relações Exteriores

Jobim Fala na CRE Sobre Estratégia Nacional de Defesa e
Desativação da Base de Alcântara

29/06/2009 - 12h42

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, participará de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), na próxima quarta-feira (01), a partir das 10h, para discutir a Estratégia Nacional de Defesa. Ele deverá esclarecer ainda notícias sobre a desativação da base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, em razão de impasse com comunidades quilombolas da região.

A Estratégia Nacional de Defesa, segundo observa o presidente da CRE e autor do requerimento para debater o assunto, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), foi criada em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 18 de dezembro de 2008.

O documento determina aos órgãos da administração federal que considerem, em seus planejamentos, ações destinadas ao fortalecimento da Defesa Nacional. O objetivo é modernizar a estrutura nacional de defesa, com ênfase na reorganização das Forças Armadas, com a reestruturação da indústria brasileira de material de defesa e com uma política de composição de seus efetivos.

O requerimento para debater a situação da Base de Alcântara é dos senadores Augusto Botelho (PT-RR) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

Paquistão, Afeganistão e Bangladesh

Na segunda parte da reunião, a CRE deve examinar duas mensagens do Executivo com indicações de embaixadores. O diplomata Alfredo César Martinho Leoni é indicado para o cargo de embaixador do Brasil junto ao Paquistão e, cumulativamente, junto ao Tadjiquistão e Afeganistão. Para a embaixada de Bangladesh, está indicado o diplomata Luiz Viana de Carvalho.


Fonte: Denise Costa / Agência Senado

Comentário: Sinceramente torço para que essa notícia seja mais onda da imprensa do que realmente algo de concreto, pois se isso for verdade poderá significar praticamente o cheque mate em todo Programa Espacial Brasileiro. Significa em outras palavras não só o fracasso total da Política Espacial Brasileira, o fracasso da Alcântara Cyclone Space (e com isso um constrangimento político e tecnológico sem precedentes na história da diplomacia mundial) e principalmente jogando O Brasil em uma patamar ainda maior de atraso tecnológico perante ao BRIC, ao mundo e futuramente trazendo prejuízos incalculáveis para a sociedade brasileira. No entanto, como sou otimista por natureza prefiro aguardar a declaração do ministro perante aos senadores para então poder analisar com calma essa notícia.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Programa Uniespaço


Olá leitor!

A Agência Espacial Brasileira (AEB) acaba de anunciar em seu site que em breve estará à disposição dos interessados o "Anúncio de Oportunidades (AO)" do "Programa Uniespaço". Portanto aqueles que tiverem interesse de participar desse AO fiquem atentos.

Programa Uniespaço

O Programa Uniespaço foi criado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em 1997. Seu objetivo é integrar o setor universitário à realização do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) para atender à demanda tecnológica do setor, no desenvolvimento de produtos e processos, análises e estudos. A idéia é formar uma base sólida de pesquisa e desenvolvimento composta por núcleos especializados capazes de executar projetos na área espacial.

Link para o site da Agencia Espacial: http://www.aeb.gov.br

Duda Falcão

4º SIPP&D - Resultados


Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada no site do IAE no dia de hoje sobre o resultado do 4º SIPP&D - Seminário Institucional de Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Associadas a Veículos Espaciais realizado dia 22/06 no Auditório do Instituto Tecnológico da Aeronáutica - ITA.

Duda Falcão

4º SIPP&D foi um Sucesso

29/06/2009

O 4º SIPP&D - Seminário Institucional de Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Associadas a Veículos Espaciais -, realizado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), com o apoio gerencial do Conselho de Assessoramento em Pesquisa e Desenvolvimento Espacial (CAPDE) e financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB), contribuiu de maneira significativa para a aproximação dos pesquisadores com o setor produtivo.

O evento, que se configura num fórum para divulgação das tecnologias desenvolvidas, por meio dos projetos de P&D concluídos nos últimos 12 meses, foi realizado no dia 22 de junho no Auditório B do ITA e contou com a presença do coronel Ozires Silva para a palestra de abertura.

O engenheiro, atualmente reitor da Unimonte (Universidade Monte Serrat, em Santos-SP), relatou a sua experiência no setor aeronáutico por meio da palestra “Criação, inovação e pesquisa: realidade de um mundo a construir”, mostrando que os desafios encontrados, no final da década de 60, para a criação da Embraer foram superados, em grande parte, pelo projeto educacional promovido pela Força Aérea Brasileira, ou seja, a capacitação dos engenheiros aeronáuticos formados pelo ITA.

Ozires enfatiza, em seu relato, o papel da educação e, principalmente, o estudo da matemática e das ciências, para a formação dos futuros líderes neste mundo global altamente competitivo. E exemplifica, com o projeto Bandeirante, a necessidade de se dominar marca e tecnologia para que os países encontrem caminhos de progresso e prosperidade.

O seminário, que incluiu o trabalho de cerca de 30 pesquisadores das mais diversas áreas de pesquisa espacial, contou com a presença de 160 participantes. Representantes de outros institutos do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e de organizações externas estiveram ali representados: do CTA, o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), o Grupo Especial de Ensaios em Vôo (GEEV) e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA); de universidades, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Faculdade de Engenharia e Administração (FEA-USP); de outras forças, o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e o Centro de Tecnologia da Marinha (CTMPSP); e de empresas, a Embraer, a AEB, a Avibras, a Equatorial Sistemas e a Orbital.

Para o diretor do IAE, coronel Pantoja, os benefícios do evento foram significativos. Além de servir de prestação de contas para a sociedade ali representada, obteve-se altíssimo rendimento em vista do curto prazo de realização. Também, a sinergia entre os profissionais envolvidos e os resultados demonstrados pelas produções cientificas e tecnológicas revelaram uma elevada competência para a continuidade dos trabalhos.

Para o subdiretor de funções do CTA, brigadeiro Pazini, que esteve presente no evento também como um “cientista curioso”, a constatação de que está havendo maior interação entre o IAE e os outros institutos do CTA demonstram que o seminário deve ser expandido, estimulando ainda mais a integração entre os setores aeronáutico, espaço e de defesa. “Pudemos perceber, no evento, inovação tecnológica, conhecimento e informação, além de décadas de cultura e eficiência dos projetos”, ressalta.

Segundo o diretor do IAE, há grandes possibilidades de se incluir novas carteiras de projetos para o próximo seminário. “Acreditamos na metodologia empregada na preparação deste trabalho e, em vista do sucesso deste empreendimento, devemos expandi-lo no próximo ano. Este é um desafio, porque há projetos ainda maiores que os apresentados aqui”, enfatiza.

Veja as Fotos:


Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE

Comentário: Foi numa das descrições de um projeto apresentado nesse evento que foi gerada a dúvida da existência ou não do desenvolvimento de um novo foguete intitulado VSB-40 pelo IAE (para um melhor entendimento do caso pelo leitor veja aqui no blog as notas A Vez do Foguete VSB-40 ou um Simples Erro de Grafia, O Caso do VSB-40 - Novo Foguete ou Erro de Digitação e O Caso do Foguete VSB-40). Em busca de esclarecimento sobre a dúvida gerada, o blog entrou em contato na época via e-mail com o IAE e com a comissão organizadora do evento. No entanto, infelizmente até o momento não foi enviado nenhum esclarecimento tanto por parte do IAE como por parte da comissão organizadora. Porém, acreditamos que em breve as palestras apresentadas durante o simpósio estarão à disposição na internet e logo que isso ocorra poderemos então esclarecer de vez esse assunto.

INPE usa Satélites Brasileiros para Pesquisar Harpia

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada no site do INPE dia 26/06 sobre o projeto de monitoramento através de satélites dos vôos de uma "Harpia" ameaçada de extinção (espécie de gavião-real) na região de Mata Atlântica de Porto Seguro na Bahia.

Duda Falcão

Satélites do INPE Vão Monitorar Mais Uma
Harpia na Mata Atlântica

26/06/2009

Depois de um ano monitorando por satélite os vôos de um gavião-real nas matas de Porto Seguro (BA), os técnicos preparam a soltura de mais uma ave na região. Maior águia das Américas, também é conhecida como "Harpia", o monitoramento da espécie ameaçada de extinção na Mata Atlântica é feito por meio dos satélites SCD e CBERS, operados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A primeira a receber o transmissor de dados em área de Mata Atlântica é uma fêmea resgatada pelo Ibama-Eunápolis e solta no Parque Nacional do Pau-Brasil, em maio de 2008, como parte das ações do Projeto Harpia Mata Atlântica, inserido no Programa de Conservação Gavião-Real. Está prevista para o dia 18 de agosto a soltura de mais uma harpia com transmissor de dados na mesma região.

A tecnologia implantada combina o esforço de quatro instituições públicas - INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Projeto Harpia na Mata Atlântica também conta com a estrutura logística e financiamento da empresa Veracel Celulose, através da Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel, e com a parceria das organizações S.O.S. Falconiformes e ABFPAR.

A ave possui um anel metálico (anilha) numerado e um implante subcutâneo (microchip) com um código de identificação específico para leitura à distância, permitindo a identificação do animal sem que seja necessário o seu manejo direto. Um radiotransmissor permite acompanhar sua movimentação através da captação de seus sinais no campo. Um segundo radiotransmissor com GPS acumula as informações de posicionamento e está programado para transmiti-las através do sistema de coleta de dados dos satélites do INPE.

Assim, os satélites permitem que os pesquisadores acompanhem dia a dia por onde a harpia voa e caça nas matas baianas. O monitoramento via satélite da harpia deve continuar por mais dois anos, gerando informações sobre sua movimentação na floresta atlântica e nos mosaicos formados pelas matas e áreas cultivadas, bem como a distância de dispersão desta espécie nesta região. Os resultados do primeiro ano de monitoramento mostram que ela voou muito além do Parque, usando uma área equivalente a duas vezes o tamanho da reserva.

Este projeto pretende dar subsídios a programas de manejo e conservação da espécie no bioma da Mata Atlântica. Para os pesquisadores, já foi possível comprovar a necessidade da ampliação do Parque Nacional do Pau-Brasil, incluindo as matas da região leste de seu entorno, onde a harpia passou a maior parte do tempo.

O aniversário de um ano de monitoramento da harpia motivou a realização de um concurso para escolha de um nome para a ave, do qual participaram alunos das escolas indígenas da região. O nome escolhido foi Katũbayá, que significa “mãe da mata” em pataxó, sugerido pelo aluno Mateus Lira, da E.I. Pataxó Aldeia Velha.

A harpia Katũbayá foi a segunda no Brasil a receber um radiotransmissor equipado com GPS para rastreamento de sua movimentação - antes foi rastreada por satélite uma na Amazônia -, mas a primeira a ser marcada e monitorada na Mata Atlântica.

Há Cerca de Um Mês, a Harpia Monitorada foi Fotografada Pela
Primeira Vez Desde a Sua Soltura no Parque, em Maio de 2008


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE

Comentário: Esse projeto é um exemplo de um dos benefícios que a tecnologia espacial pode trazer a sociedade como um todo e especificamente nesse caso ao bioma da Mata Atlântica brasileira. A excelência científica e tecnológica apresentada pelo INPE neste aspecto é de reconhecimento internacional e deveria ser estendida a outras áreas do instituto.

Observatório Nacional - Entrevista do Diretor


Olá Leitor!

Segue abaixo a entrevista do Sr. Sérgio Luiz Fontes, diretor do Observatório Nacional (ON) postada dia 23/06 no “Informe Abipti” falando sobre as prioridades para o novo mandato do mesmo à frente da instituição.

Duda Falcão

OBSERVATORIO NACIONAL TRAÇA PLANOS PARA O FUTURO

23/06/2009. O diretor do Observatório Nacional (ON), Sergio Luiz Fontes, que foi recentemente reconduzido ao cargo, fala sobre as suas prioridades para o novo mandato à frente da instituição.

Ele também faz um balanço da sua antiga gestão e lembra que o Brasil é um pais privilegiado para os estudos de geomagnetismo. Leia a entrevista concedida ao "Informe Abipti":


Durante o seu discurso de posse, o senhor afirmou que graças à sensibilidade do governo federal com a área de C&T, foi possível praticamente triplicar o orçamento do ON. Qual vai ser o orçamento do observatório neste ano? Onde esses recursos serão aplicados?


O ON conta este ano com recursos da ordem de R$ 8,2 milhões do Tesouro Nacional, incluindo o orçamento propriamente dito e destaques recebidos do MCT. Prevemos que metade desses recursos serão aplicados nas despesas de manutenção (os denominados itens de funcionamento: energia, água, terceirização etc) e recuperação da infra-estrutura predial. A outra metade será investida nas ações finalísticas do ON na área de astronomia, geofísica e metrologia de tempo e freqüência.

Também serão investidos recursos em quatro projetos estruturantes: Hora Legal Brasileira, Plataforma Nacional de Coleta de Dados Geofísicos, Astrosoft: sistema não supervisionado de alto desempenho para grandes bases de dados astronômicos e Impacton: monitoramento de objetos celestes potencialmente perigosos para a Terra.

O ON conta ainda com mais de 60 projetos de pesquisa em andamento. O observatório também utilizará recursos da ordem de R$ 6 milhões em projetos desenvolvidos com a Finep e Petrobras.


O observatório foi contemplado recentemente com o prédio Lélio Gama, que tornará a instituição referencia mundial na área de geofísica. Quais projetos serão desenvolvidos nesse local e qual a sua importância?


Inicialmente temos três projetos de infra-estrutura de pesquisa. Um deles é o Pool de Equipamentos Geofísicos, que envolve recursos da ordem de R$ 14 milhões e um número apreciável de sismógrafos, gravímetros e sistemas magnetotelúricos. Os equipamentos já se encontram no ON e diversos projetos já estão sendo beneficiados.

O segundo projeto é a Rede Sismográfica do Sul - Sudeste do Brasil - projeto RSIS, que conta com recursos de R$ 6 milhões, oriundos da Petrobras, e é composto por 12 estações sismográficas terrestres, seis estações sismográficas a serem instaladas no fundo oceânico da Bacia de Santos e quatro estações sismográficas nas ilhas brasileiras, para o acompanhamento em tempo real da atividade sísmica da área mais populosa do país.

Os equipamentos estão chegando ao Brasil nos próximos dois meses e até o final do ano algumas estações estarão em funcionamento. Esta rede será complementada por uma rede do Nordeste, a ser coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e uma rede com estações distribuídas pelo interior do Brasil, que ficará sob a responsabilidade do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo. Caberá ao ON concentrar no novo prédio a recepção dos dados das três redes que cobrirá todo o país.

A terceira iniciativa é a Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos - projeto Rebom, que conta com R$ 670 mil da Finep. Hoje, o ON mantém dois observatórios magnéticos, o primeiro em Vassouras (RJ), desde 1915. O segundo está situado na Ilha de Tatuoca (PA), desde 1957. Implantaremos um total de sete observatórios magnéticos, contando com os dois existentes e os cinco novos, alem de uma rede de 18 observatórios magnéticos itinerantes, que operarão em torno de dois anos em áreas selecionadas do território brasileiro.

O Brasil é privilegiado para os estudos de geomagnetismo, pois encontramos no nosso território o eletrojato equatorial (região com variações diárias ampliadas do campo) e a anomalia magnética do Atlântico Sul (região onde o campo magnético terrestre tem a menor intensidade em todo o planeta).

Vários estudos serão beneficiados com os três projetos citados acima. Em todos os casos, o potencial de ampliação do conhecimento geológico e geofísico no território brasileiro é imenso. São informações relevantes tanto do ponto de vista acadêmico quanto econômico. Dados sobre a evolução geológica, geotectônica e sobre recursos naturais serão o foco dos estudos.


O senhor poderia fazer um balanço da sua primeira gestão no ON?


Nos quatro anos passados nossas prioridades foram a recuperação da infra-estrutura física e de pesquisa e a implantação de mecanismos de gestão. Nesse sentido, fizemos à reforma de vários edifícios do campus, como a Casa Rosa, construção restaurada do século 19 para onde a direção se mudou e passou a atuar junto à administração. Também construímos o novo prédio de pesquisas para a geofísica, que foi inaugurado no dia da posse.

Sobre a infra-estrutura de pesquisas, destacaria o Projeto Impacton, que resulta na instalação de um telescópio robótico no Estado de Pernambuco para o monitoramentode objetos celestes potencialmente perigosos para a Terra; a participação do ON nos consórcios internacionais Dark Energy Survey e Sloan Digital Sky Survey 3, para gerenciamento e desenvolvimento de ferramentas para grandes massas de dados astronômicos; e o convênio com o ESO para uso do telescópio de 2,2m em La Silla, Chile para missões de observação dos nossos astrônomos. Vários artigos científicos, dissertações e teses recentes já são frutos dessa ultima ação.

Entre outras iniciativas, foi ampliada a infra-estrutura instrumental do Serviço da Hora com a aquisição de novos padrões atômicos e instrumentos de calibração. Todos os projetos em andamento nos últimos quatro anos representam investimentos da ordem de R$ 12 milhões da Finep e R$ 25 milhões da Petrobras.

No que diz respeito à gestão, realizamos o Planejamento Estratégico e o Plano Diretor 2006-2010. Além disso, alcançamos sempre bons resultados no Termo de Compromisso de Gestão assinado anualmente entre o ON e o MCT e implantamos o SIGTEC - Sistema Gerencial de Acompanhamento Administrativo e de Projetos, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCT).

Teve ainda, em cooperação com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), a elaboração do Plano Diretor do campus, um instrumento que apresenta possibilidades para que as duas instituições possam planejar a expansão e diversificação de suas atividades, para o cumprimento de suas missões, diante das limitações impostas ao Campus ON-Mast pela sua condição de bem tombado.


Quais são os principais desafios da instituição?


Prosseguir na busca por recursos orçamentários crescentes e na captação de recursos extra-orçamentários para promover o crescimento harmônico das três áreas de atuação do ON. Embora seja importante o investimento continuado na infra-estrutura institucional, a prioridade deve ser o investimento em recursos humanos: novos concursos para pesquisadores, tecnologistas, técnicos e servidores de gestão, mais pós-doutores, pesquisadores visitantes, mais profissionais financiados por projetos, mais estagiários etc. Além disso, o ON deve ser vetor de desenvolvimento da pesquisa, ensino e de prestação de serviços, todos de excelência.


O ON é uma das instituições filiadas à Abipti. Como o senhor avalia a importância da associação para a área de CT&I no país?


É fato bem conhecido que a produção cientifica brasileira vem alcançando crescimento admirável nos últimos 10 -15 anos, superando mesmo a maioria das nações desenvolvidas. Entretanto, a produção tecnológica, o aumento do numero de patentes brasileiras não tem acompanhado o crescimento da produção cientifica. Embora seja uma instituição predominantemente acadêmica, o ON está participando do esforço de ampliar o desenvolvimento tecnológico do país, em sintonia com a missão da Abipti. As áreas de metrologia de tempo e freqüência e mesmo a geofísica podem dar contribuição importante.
( Fonte: Informa Abipti, JC ) Ed: CE


Fonte: Boletim Supernovas - Quinta-feira, 25 de Junho de 2009 - Edição No. 519 (via e-mail)

Comentário: Como se pode notar pela entrevista acima, diferentemente do Programa Espacial Brasileiro, na área da astronomia o país vem alcançando resultados bem significativos e reconhecimento internacional por esses avanços. Muito provavelmente os órgãos envolvidos são geridos de forma mais profissional, centrados nos objetivos a serem alcançados mediante a um plano de ação de curto, médio e longo prazo muito bem elaborado. Parabéns a esses profissionais e que esse exemplo seja seguido na íntegra o mais breve possível pela nossa atrapalhada Agencia Espacial.

1º Workshop de Astronomia Espacial


Olá Leitor!

Segue abaixo uma nota postada no site a Agência FAPESP dia 29/06 sobre a realização do 1º Workshop de Astronomia Espacial, evento esse que será organizado pela Sociedade Astronômica Brasileira, pelo Instituto Nacional de Tecnologias e Ciências do Espaço (INEspaço), pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Duda Falcão

1º Workshop de Astronomia Espacial

29/6/2009

Dia 3/9/2009
Faltam 66 dias para o Início do Evento. Duração: 1 dia

Agência FAPESP - O 1º Workshop de Astronomia Espacial será realizado no dia 3 de setembro, no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. As inscrições serão aceitas até o dia 21 de agosto.

A iniciativa é da Sociedade Astronômica Brasileira, do Instituto Nacional de Tecnologias e Ciências do Espaço (INEspaço), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O objetivo do workshop é aproximar a comunidade interessada para discussão das experiências de astronomia espacial envolvendo o Brasil – como o satélite de raios X Mirax e o satélite CoRoT – e a apresentação e discussão de propostas de construção de um telescópio espacial brasileiro e da participação nacional em projetos no exterior.

Os participantes também discutirão o Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) e as ações para construção de uma estratégia comum para a astronomia espacial, como a proposta de um edital do Programa Uniespaço, da AEB, que estimule uma demanda competitiva por projetos espaciais.

Mais informações: iwae@astro.iag.usp.br


Fonte: Site da Agência FAPESP

Comentário: Esses eventos são importantes e necessários, pois ajudam divulgar ainda mais junto a sociedade o Programa Espacial Brasileiro. No entanto, a falta de foco da AEB fica mais uma vez exemplificada com a apresentação e debate sobre a missão do satélite Mirax que havia sido incluída junto com a missão do satélite Equars num único satélite até então denominado Lattes1, ou seja, a AEB só pode está de brincadeira.

domingo, 28 de junho de 2009

Programa Espacial na Revista Rolling Stone


Olá leitor!

Segue abaixo na íntegra uma matéria postada na revista "Rolling Stone" desse mês abordando os problemas vividos atualmente pelo Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

CONEXÃO BRASILIS

A FRONTEIRA FINAL

Carlos Juliano Barros

ALCÂNTARA, NO MARANHÃO, É UM ESPELHO DOS PARADOXOS DO BRASIL. DE UM LADO, POVOADOS QUILOMBOLAS LUTAM POR SUAS TERRAS DE UM DIREITO; DE OUTRO, O PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO PREGA O DESENVOLVIMENTO E A EXPANSÃO

Uma hora de barco separa São Luís, a capital do Maranhão, do modesto cais de Alcântara. Principal meio de transporte entre as duas cidades, é mais rápido e barato do que o trajeto por via terrestre, que se desenrola ao longo de 400 quilômetros de rodovias maltrapilhas. É preciso ficar atento ao movimento da maré para saber a hora exata da saída do barco. Geralmente, ele parte de manhã cedo de São Luís, e volta entre o meio e o final da tarde.

Situado no litoral de um dos estados mais pobres do Brasil, o acanhado município de Alcântara, fundado em 1648, bem que poderia ser apenas outra parte do Nordeste castigada pela inclemência do sol e pela rapina dos homens, como escreveu João Cabral de Melo Neto. O triste retrato do abandono pode ser percebido tão logo se desce do barco, ao se caminhar pelas ruas calçadas com pedras: ruínas de edificações seculares e casarões de arquitetura colonial caindo pelas tabelas compõem a agonizante, porém, incrivelmente linda paisagem do centro de Alcântara, tombado pelo patrimônio histórico nacional. Mas quis o destino – e os militares, no apagar das luzes da ditadura, assim fizeram acontecer – que a poucos quilômetros das mais antigas construções erguidas pelos portugueses em território maranhense fosse instalada a mais bem localizada base do planeta para mandar foguetes em direção ao espaço sideral. Batizada como Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), ocupa uma área de aproximadamente 9 mil campos de futebol e é controlada pela Aeronáutica.

É desse município no mínimo improvável, onde menos de um quarto da população tem água encanada em casa, que o Brasil pretende embarcar de vez rumo à era espacial. Até dezembro de 2010, a empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), formada por somas iguais de capital dos governos ucraniano e brasileiro, deve entrar no bilionário negócio de lançamentos de satélites, um clube restritíssimo a que menos de dez países têm acesso hoje. Pelo menos assim sonha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de se despedir do Palácio do Planalto. “O principal objetivo desse acordo é comercial: introduzir no mercado internacional uma alternativa segura e barata” define José Monserrat Filho, chefe da Assessoria de Cooperação Internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Para 2012, quando a empresa estiver funcionando a pleno vapor, a previsão de faturamento é da ordem de R$ 300 milhões, com a realização de ao menos seis lançamentos por ano. “Esperamos disputar uma faixa de até 20% desse mercado por causa das nossas vantagens comparativas”, aposta Roberto Amaral, que já foi o titular do MCT e atualmente preside a ACS. No futuro, a parceria ainda permitirá que o governo economize uma verba considerável para colocar em órbita os satélites desenvolvidos principalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que têm entre outras funções o papel de monitorar o desmatamento da Amazônia.

A lógica das responsabilidades do acordo que criou a empresa binacional é bem simples. Os ucranianos entrarão com o foguete Cyclone-4, um gigante de 40 metros e de 200 toneladas que transportará satélites de meteorologia, telecomunicações e quaisquer outros fabricados por países e empresas que se interessarem pelas pechinchas oferecidas pela ACS. A família Cyclone tem no currículo mais de 200 lançamentos bem-sucedidos, e esse tipo de tecnologia é dominado pelos ucranianos desde os tempos da Guerra Fria, quando eles ainda faziam parte da superpotente União Soviética. O acordo também tem outro efeito inegavelmente interessante: o compartilhamento de conhecimentos científicos. A previsão é de que o Cyclone-5 seja fabricado em conjunto por técnicos de ambos os países.

Por enquanto, a missão do Brasil é construir um sítio de lançamento, utilizando menos de uma dezena dos tais 9 mil campos de futebol que formam o CLA. Por quê? Simplesmente por causa da localização geográfica de Alcântara. Por caprichos que só a física explica, a proximidade com a linha do equador permite uma economia de até 30% do combustível necessário para a arrancada de um foguete. Caso ele se desvie da rota prevista e resolva cair em lugar não planejado, a vizinhança com o Oceano Atlântico é outro diferencial, barateando significativamente os custos com seguro. E, mesmo que se dirija ao interior do município, a baixa densidade demográfica reduz as chances de uma catástrofe. Alcântara tem praticamente o mesmo tamanho da cidade de São Paulo, mas conta com apenas 22 mil habitantes.

A vocação natural dessa porção do litoral maranhense para o lançamento de foguetes já despertou até mesmo o olho gordo dos norte-americanos. No começo da década, a Casa Branca chegou a propor um acordo de cláusulas questionáveis, para usar um eufemismo. Na prática, tratava - se do aluguel de um pedaço de chão em Alcântara, uma espécie de enclave yankee em território tupiniquim, onde só entrariam pessoas com expressa autorização das autoridades norte-americanas. Além disso, não haveria transferência de tecnologia e o governo federal sequer poderia aplicar o dinheiro do aluguel no nosso próprio programa espacial. Tantas vantagens assim fizeram com que o Congresso barrasse a idéia, tachada até de afronta à soberania nacional.

Também há episódios tristes na odisséia brasileira rumo ao espaço ocorridos no CLA. O mais trágico ocorreu em agosto de 2003, dois dias antes do lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) – um foguete made in Brasil concebido pelo Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), ligado à Aeronáutica. Um incêndio causado pela ignição antecipada de um dos propulsores do VLS provocou a morte de 21 técnicos e engenheiros que faziam parte da linha de frente do nosso programa espacial. Prejuízo financeiro, científico e, sobretudo, humano, de dimensões incalculáveis. Essa foi à última de três tentativas frustradas. Apesar dos percalços, Carlos Ganem, atual presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão vinculado ao MCT, acredita que nos próximos anos o VLS ainda possa vingar. “É um foguete sob medida para determinadas cargas úteis de menor peso e já interessa a alguns gigantes da atividade espacial.”

Enquanto a oscilação do barco rumo a Alcântara ofendia meu estômago, organizava na cabeça a minha agenda. A visita à base da Aeronáutica aconteceria dali a poucos dias, o que me daria tempo suficiente para ir a alguns dos mais de 100 pequenos povoados do interior do município. Cerca de dois terços da população vivem no campo, em comunidades de nomes sonoros e curiosos, como Mamuna e Baracatatiua, formadas basicamente por diversas gerações de descendentes de escravos que passaram por lá nos séculos passados. Negros cativos de fazendas de algodão e de cana-de-açúcar, abandonados à própria sorte com o declínio da economia dessa porção do litoral maranhense, ainda na era colonial.Desde então, a população sobrevive à indiferença dos governantes basicamente por meio da pesca e da agricultura. A luz elétrica chegou somente há dois ou três anos, com um programa do governo federal chamado “Luz para Todos”. Mas ainda há comunidades que esperam pela boa vontade dos gabinetes de Brasília para aposentar os lampiões. Grande parte das famílias também dribla as necessidades do dia-a-dia com os trocados oferecidos pelo “Bolsa Família”. De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, publicação da Organização das Nações Unidas (ONU) que leva em conta indicadores de renda, educação e expectativa de vida, só 15% dos 5.507 municípios analisados oferecem condições de vida ainda mais sofríveis a seus habitantes. Existe outra questão grave: os camponeses não são donos das terras onde vivem e trabalham. O artigo 68 da Constituição garante que as comunidades remanescentes de quilombos, onde negros tocavam terras coletivamente em nome da utopia da liberdade, têm direito de propriedade sobre os territórios historicamente ocupados por elas. Por isso, há pelos menos duas décadas, os descendentes de escravos de Alcântara reivindicam para si as áreas onde residem.

Mas qual é a relação entre o lançamento de foguetes e essas populações tradicionais? Há muitos anos, o município aparece nas manchetes dos jornais por conta de um conflito territorial envolvendo justamente a base espacial e as comunidades quilombolas. A história começou nos anos 80, quando centenas de famílias foram removidas de seus locais de origem para a instalação do CLA. Sintomaticamente, os militares confiaram a um veterinário a responsabilidade de lidar com os quilombolas. Um processo traumático que deixou feridas abertas até hoje, e que motivou inclusive a criação do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial. Por tudo isso, Alcântara é um espelho exemplar dos paradoxos que singularizam nosso país. Lugar onde o Brasil precisa inevitavelmente acertar as contas com o passado para abrir as portas ao futuro. Porém, existem nessa parte do Maranhão duas visões de mundo que colidem. De um lado do ringue, tendo em vista as cicatrizes do passado, estão os que enxergam como medida prioritária para garantir os direitos fundamentais das populações tradicionais a titulação definitiva do chamado “território étnico”, assim reconhecido em 2000 pela Fundação Palmares do Ministério da Cultura. No outro canto, estão os defensores da expansão do programa espacial e da construção de mais sítios de lançamentos de foguetes sobre parte da área pleiteada pelos quilombolas, como forma de trazer riqueza para o país e também melhorar a qualidade de vida em Alcântara.

O assunto é tão controverso que, desde o final do ano passado, vem provocando um racha em Brasília. Tudo porque o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) produziu um relatório recomendando a titulação contínua de um território de 78 mil hectares para as comunidades quilombolas, quase metade do município de Alcântara. O texto não altera em um centímetro sequer o perímetro resguardado à base sob comando da Aeronáutica. Porém, deixa de fora outras três áreas não contíguas, ao norte do CLA, que na avaliação de setores do governo são indispensáveis à construção de novas plataformas de foguetes. Esses três lotes seriam como “ilhas” encravadas entre as diversas comunidades que formam o território étnico quilombola.

A proposta do Incra contou com o apoio da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial (Seppir), vinculada diretamente ao gabinete da presidência da República. “O estágio a que chegamos nos leva a crer que a titulação contínua da área de Alcântara é a que melhor atende à realidade das comunidades”, afirma o ministro da Seppir, Édson Santos. No entanto, o relatório foi bombardeado por outros braços do executivo. O Ministério da Defesa reagiu por considerar que o reconhecimento da área quilombola nos moldes indicados pelo Incra compromete o futuro do Programa Espacial Brasileiro, assim como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), também ligado à presidência da República. “Esse acréscimo, ao norte do Centro de Lançamento de Alcântara, possui relevância estratégica para o país, que busca hoje maior projeção internacional, bem como para a economia do Município de Alcântara com reflexos para o bem-estar de sua população”, afirmou a direção do GSI em nota oficial. O complexo debate deverá ser resolvido por mediação do próprio presidente Lula.

Na verdade, A MENINA DOS OLHOS DOS GESTORES DO NOSSO PROGRAMA ESPACIAL É A CONSTRUÇÃO DO CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA (CEA), do qual a base da Aeronáutica seria apenas uma parte, transformando o município maranhense em um pólo industrial, tecnológico e turístico, com diversas plataformas de lançamento comercial de foguetes e satélites – investimento avaliado em torno de meio bilhão de reais.

A realidade de pouco diálogo e muito conflito pode ser ilustrada por um episódio exemplar. Acordei cedo em um domingo de céu aberto e de sol de rachar para me abalar rumo a Mamuna, localizada à uma hora de moto do centro de Alcântara – isso quando as crateras no barro da estrada não metem medo no motociclista, como era o caso do jovem e arisco mototaxista que me conduzia. Eu estava à procura de Militina, uma senhora de olhar sereno e fala compassada que trabalha como professora lá mesmo na escolinha de Mamuna. Ela também é conhecida como uma das principais lideranças dos quilombolas de Alcântara. Tanto que, em outubro do ano passado, viajou até Washington, nos Estados Unidos, para prestar um depoimento na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em que o estado brasileiro responde a uma espécie de processo pelo tratamento pouco carinhoso dispensado aos cidadãos de Alcântara. Na prática, caso ocorra uma condenação, não haverá qualquer tipo de punição, com exceção de um constrangimento moral.

Quando cheguei à casa de Militina, ela estava ocupada, conversando com dois geógrafos de uma empresa contratada pela ACS para a realização de um estudo sobre os impactos sociais e ambientais que podem ser gerados pelas atividades da binacional no entorno do sítio de lançamento do Cyclone-4. Meses atrás, a cena seria praticamente impossível de se ver porque a ACS e os quilombolas já estiveram quase em pé de guerra.

Inicialmente, a idéia do governo brasileiro era fazer a plataforma de lançamento do foguete ucraniano fora da base da Aeronáutica, entre Mamuna e o povoado vizinho de Baracatatiua – um dos que ainda nem energia elétrica têm. Essa área corresponde justamente a uma daquelas três “ilhas” ao norte do CLA que o Ministério da Defesa e outros órgãos do governo reivindicam como essenciais à expansão do programa espacial brasileiro. Porém, na avaliação dos moradores, o empreendimento isolaria as duas comunidades, ligadas por laços sociais históricos, além de dificultar o acesso a áreas de coleta de frutos e principalmente ao mar, prejudicando a pesca, atividade vital à sobrevivência das famílias. “Nós temos muita dúvida, medo de viver sem liberdade e autonomia”, afirma Militina. “O estado nunca chegou para eles, e vai chegar agora para trazer prejuízos?”, questiona o procurador Alexandre Soares, do Ministério Público Federal do Maranhão (MPF/MA).

Como a ACS planejava construir as instalações para operar com o Cyclone-4 entre os dois povoados, ela precisava em primeiro lugar de um estudo de impacto ambiental. “Quando a empresa afirmou que ia fazer esse estudo, no início de 2008, tomou um passo à frente. Sem autorização, começou a abrir estradas, fazer perfurações, colocar marcos dentro das comunidades. Mas não havia nada licenciado. Isso levou a empresa a ser autuada pelo Ibama”, conta o procurador. Então, os moradores de Mamuna também resolveram agir. Primeiro, pararam as máquinas. Depois, montaram uma guarita onde se revezaram durante três meses para garantir que ninguém a mando da ACS recomeçasse os trabalhos, passando por cima de seus roçados. “Querem vestir a roupa de que o atraso de Alcântara é culpa dos quilombolas. Mas esperamos que essa tecnologia de ponta traga desenvolvimento para o município e para as comunidades”, diz Militina. A disputa só foi resolvida com um acordo judicial, em agosto de 2008, proposto pela União. Para não correr o risco de descumprir o contrato firmado com os ucranianos, o governo mexeu os pauzinhos internamente e a empresa binacional foi alocada dentro do CLA.

Na avaliação do procurador Alexandre Soares, a dor de cabeça seria evitada se as autoridades brasileiras não hesitassem tanto em achar um espaço para a plataforma da ACS na vasta área da base da Aeronáutica. “A princípio, a União disse que era inviável. Mas, depois de seis meses, ela mesma fez a proposta de que poderia ficar dentro do CLA. É uma contradição”, avalia. Desde 2003, corre na Justiça uma Ação Civil Pública movida pelo MPF/MA que pede a titulação definitiva dos territórios quilombolas antes de qualquer tipo de intervenção na área. A rigor, a medida não impede a construção de novos sítios de lançamento de foguetes. É só uma maneira de garantir que não se repitam os erros cometidos no passado. Apesar de classificar a titulação contínua dos 78 mil hectares de nonsense, o presidente da AEB afirma que não vai desistir de Alcântara. “Independentemente disso, essas pessoas poderão amanhã, com a titularidade da terra, estudar um melhor destino a seu próprio destino, dado que no momento elas plantam mandioca, feijão, caçam precariamente e pescam”, afirma Carlos Ganem.

Depois de me despedir de Militina, subi na garupa da moto-táxi e enfrentei mais alguns quilômetros de estradas precárias rumo à agrovila Pepital. Esse lugar remonta aos primórdios da instalação da base da Aeronáutica, nos anos 80, quando os militares transferiram centenas de famílias para núcleos habitacionais no interior de Alcântara, as tais agrovilas, bem longe do mar. “A negociação foi muito mal conduzida. Não era necessário expulsar ninguém para fazer o CLA. Nas bases chinesas, vivem comunidades que são retiradas da área apenas nos momentos de lançamento”, critica Ennio Candotti, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O então presidente José Sarney assinou um decreto reduzindo pela metade o tamanho mínimo, determinado pelo próprio governo, da parcela de terra necessária à sobrevivência de uma família naquela parte do Maranhão. Mesmo assim, passados mais de 20 anos, ninguém tem escritura que comprove a propriedade sobre as áreas.

Em Pepital, encontro uma simpática senhora, Leandra de Jesus Oliveira. Para fugir do sol escaldante, sentamos à sombra do pátio de um colégio desativado localizado logo na entrada da agrovila, onde alunos e professores não se reúnem já faz um bom tempo. Leandra guarda na memória o dia exato em que deixou o povoado perto da praia onde vivia: 9 de setembro de 1986. “Os militares não chegaram expulsando. Eles fizeram uma proposta muito bonita, e as pessoas se embelezaram”, recorda. Casas de alvenaria para as famílias, emprego para os adultos, escola para as crianças. Enfim, os quilombolas também teriam o seu quinhão no desenvolvimento que a atividade espacial traria. Leandra até reconhece como melhorias proporcionadas pelas agrovilas as casas de tijolo, que substituíram as construções de taipa, e principalmente a luz elétrica. “Mas saímos de uma terra fértil. Aqui a gente planta, mas não dá nada. É só areia.” Ela reclama ainda da escassez de um alimento básico que não faltava décadas atrás. Peixe, agora, só quando o pessoal de Mamuna passa vendendo. Dona Leandra mira a praça em frente ao colégio, tomada pela lama e pela vegetação descuidada, onde até um pequeno jacaré já foi encontrado, e diz: “Aqui eu queria que mudasse era tudo”.

A questão também está na agenda do congresso. “A instalação da base espacial desorganizou a cultura e a produção da população, criou uma expectativa falsa. Dentro dela é primeiro mundo: todo mundo fardado, com salário, telefone, asfalto. Fora, é uma miséria”, afirma o deputado federal Domingos Dutra (PT/MA). Ele é o autor de um projeto de lei, ainda não aprovado, que destina uma porcentagem da receita da ACS com os lançamentos de satélites para um fundo a ser utilizado em benefício de Alcântara. Algo semelhante aos royalties pagos pela Petrobras aos municípios de onde a empresa extrai petróleo. “Um dos motivos da repulsa ao projeto espacial é que em todos estes anos ele foi só atraso. O fundo é como se fosse uma poupança para as comunidades a fim de reparar os danos praticados”, resume o deputado. Já seu colega Ribamar Alves (PSB/MA) tem um sonho para lá de otimista: ver o litoral maranhense transformado no “novo Cabo Canaveral”, em alusão ao centro tecnológico e turístico localizado na Flórida, na costa leste dos Estados Unidos, de onde os norte-americanos lançam seus foguetes. Alves encabeça uma frente parlamentar em defesa da base de Alcântara, mas acha que por enquanto as atividades do programa espacial brasileiro devem ficar restritas à área que já se encontra sob controle da Aeronáutica. “Só será possível expandir quando se conquistar a confiança dos nativos. Por enquanto, é muita agressão. O governo perdeu a credibilidade”, pondera.

Depois de passar por Mamuna e Pepital, retornei a São Luís. Precisava esperar mais um dia para, enfim, conhecer o CLA. Na noite anterior à data agendada, me encontro com o assessor de imprensa especialmente destacado de Belém do Pará para me acompanhar durante a entrevista com o coronel Nilo Andrade, responsável pela administração da base. Então, às 6h45 da manhã do dia seguinte, lá estava eu no trapiche da Ponta da Areia para pegar a lancha que conduz ao CLA o efetivo de mais de uma centena de servidores da Aeronáutica. O transporte é mais confortável do que o barco usado pela população. Aportamos no mesmo cais de Alcântara que já me era familiar. A volta da lancha estava marcada para 16h30, por causa da maré.

A conversa com o coronel Andrade aconteceu logo pela manhã, e começou com papéis invertidos. “Você tem alguma opinião preconcebida sobre a questão dos quilombolas?”, ele me perguntou. Respondi afirmando acreditar que a questão já está mais ou menos encaminhada com o relatório que o Incra havia produzido, recomendando a titulação contínua do território étnico. “Não está, não”, retrucou. O coronel também avalia que, para se expandir, o programa espacial brasileiro necessita dos três lotes ao norte do CLA. Segundo ele, com a plataforma de lançamento do Cyclone-4 que vai ser construída, e a que já existe para a operação dos foguetes brasileiros da família VLS, não existe espaço na base da Aeronáutica para mais nada. “Esses novos sítios não vão prejudicar as comunidades. Todas as necessidades delas estão listadas e priorizadas na instalação do programa”, garante. E insistiu na tese de que o desenvolvimento das atividades espaciais tem beneficiado a população local. “Dos 500 soldados que trabalham na base, 400 são nativos de Alcântara. Os contratos firmados com empresas que vão realizar obras vão dar preferência à mão-de-obra local.”

DESDE O ACIDENTE COM O VLS EM 2003, apenas pequenos foguetes de sondagem, sem capacidade de carregar satélites, são lançados a partir do CLA. Basicamente, sua parte operacional é composta por uma estação de meteorologia, além de laboratórios com radares que monitoram a trajetória dos lançamentos, e aparelhos que fazem à leitura das informações enviadas pelos foguetes. Não é preciso ser especialista para perceber que os equipamentos não são dos mais modernos. “Ali existem coisas que já são quase objetos de museu. Vamos precisar dar um upgrade no centro. Tem muita coisa que é sucata”, afirma o ex-presidente da AEB, Sergio Gaudenzi.

De acordo com o coronel Andrade, seriam necessários pelo menos R$ 100 milhões para modernizar os sistemas operacionais e outros R$ 150 milhões para completar a infraestrutura prevista no plano diretor do CLA, com a construção de uma escola e um hospital, dentre outros itens. Retrato da estagnação da base é o aspecto fantasma do conjunto residencial com mais de uma centena de casas que deveria abrigar os oficiais que lá trabalham. Diante da complicada qualidade de vida em Alcântara, a maioria optou mesmo por morar na capital São Luís. “Os oficiais de carreira lamentam que deveriam ser feitos investimentos. Mas você vai gastar dinheiro em um lugar onde as pessoas saem às 4 da tarde e voltam às 8 da manhã? Isso se faz nas repartições públicas de Brasília, e não nos centros de pesquisa estratégicos. Vai ver se no Cabo Canaveral alguém dorme. É uma atividade permanente. E lá a comunidade se integra. Não é um entreposto de soldados”, critica o professor Ennio Candotti, da SBPC.

De fato, por toda a simbologia que o conflito encerra, é realmente impossível não prestar atenção à disputa travada em Alcântara entre empresas lançadoras de foguetes e camponeses pobres lutando por suas terras. Nesse enredo há margem inclusive para teorias da conspiração: setores do próprio governo sustentam que organizações estrangeiras se infiltraram entre os quilombolas para inviabilizar o Programa Espacial Brasileiro. Porém, creditar a essa disputa as dificuldades que o Brasil enfrenta nesse setor tão estratégico para o desenvolvimento de qualquer país é uma leitura apressada e até mesmo inverossímil. A rápida volta pelos laboratórios do Centro de Lançamento de Alcântara evidencia aquela que é, sem dúvida, a principal causa dos problemas: a histórica desatenção do Estado brasileiro para com as atividades espaciais. Ou, mais direto, a falta de dinheiro. Nesse sentido, o acordo com os ucranianos também teve o efeito positivo de acelerar os investimentos na base da Aeronáutica e no próprio município. A rodovia MA 106, por exemplo, principal via de acesso terrestre a Alcântara, vai ser totalmente recuperada em uma obra conjunta de R$ 30 milhões entre a AEB e o governo estadual para possibilitar o trânsito de equipamentos necessários às atividades da ACS. Neste ano ainda, outros R$ 38 milhões devem ser investidos para a modernização do CLA, segundo o presidente da AEB.

Mesmo assim, seria preciso “multiplicar talvez por dez o montante que o tesouro nacional nos confere por votação da lei orçamentária”, pondera Carlos Ganem. Em 2008, foi empenhada uma rubrica de R$ 213 milhões para diversas ações do Programa Nacional de Atividades Espaciais. Uma verdadeira esmola considerando os quase US$ 20 bilhões de que dispõe a Nasa, a famosa agência espacial norte-americana. Para 2009, o orçamento da AEB sofreu um corte de 22,5%. Com mais dinheiro, até mesmo a trágica explosão do VLS, que matou 21 pessoas em 2003, poderia ter sido evitada. De acordo com o relatório da comissão que investigou as causas do acidente, por uma questão de economia a construção do foguete deixou de usar cabos blindados que poderiam ter impedido o acionamento antecipado dos detonadores. “Já houve três tentativas sem sucesso de lançamento do foguete brasileiro, e nenhum quilombola atirou uma pedra sequer no VLS”, provoca o deputado Domingos Dutra.

Não há dúvidas de que o governo precisa encarar o programa espacial como prioridade. Mas é preciso colocar a mão no bolso para investir no CLA e, principalmente, em Alcântara. Talvez assim se conquistasse a confiança da população, tão acostumada a discursos desenvolvimentistas que nunca saíram do papel.


Fonte: Revista Rolling Stone - Edição 33 - Coluna Conexão Brasilis - Junho de 2009

Comentário: É com muita tristeza e preocupação que eu vejo uma matéria como essa, pois demonstra mais uma vez a incompetência política gerencial da AEB, do Governo Brasileiro, dos seus órgãos gestores e do Congresso Nacional na implantação das atividades espaciais no Brasil. Chega até as raias da burrice essa incompetência reinante dentro do mais importante programa na área cientifica e tecnológica do país. É triste, é lastimável e como disse anteriormente aqui no blog, estamos perdendo o bonde da história, ele passa as 11:00 e já são 10:30, acorda Brasil. Aproveito para agradecer de público a dica sobre essa matéria passada a mim via e-mail pelo leitor Ricardo Melo.

Projeto Caront - Uma Boa Idéia, mas não Exeqüível


Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada no blog Plano Brasil dia 16/10/2008 onde o autor “E.M.Pinto” faz uma proposta pessoal que achei bastante interessante pela sua visão e pela iniciativa empregada pelo autor.

Duda Falcão

CARONT
VEÍCULO ESPACIAL TRIPULADO

E.M.Pinto

Neste artigo o qual denominamos projeto CARONT analisamos uma proposta pessoal da qual do nosso ponto de vista é perfeitamente viável e que se configura em uma oportunidade de ouro para a participação do estado brasileiro, bem como setor industrial privado e comunidade científica de ingressar numa cooperação internacional destinada ao desenvolvimento de um veículo Espacial tripulado, de baixo custo e que estaria à disposição da Agência Espacial e da comunidade científica Brasileira por volta do ano 2015.

Neste programa podemos considerar a hipotética participação dos chamados países BRIC, Brasil, Rússia, China, Índia, somados a presença do Japão e República Sul Africana, países estes que no passado já teriam manifestado interesse neste projeto o qual desenvolveremos como base do projeto que propomos.

O programa em si visa apresentar num futuro muito próximo um substituto aos consagrados ônibus espaciais e cápsulas espaciais, porém este novo veículo seria mais barato e viável.

Este programa colocaria ainda o Brasil entre o hall dos países detentores de tecnologia e sistemas de exploração espacial, alavancando a nossa indústria capacitando-a e desenvolvendo-a.

O projeto baseiaria-se no programa Russo dos novos mini lançadores denominados KLIPER, e seria aqui desenvolvida pela EMBRAER, como representante nacional no projeto e por demais indústrias do setor aeroespacial.

Outras indústrias nacionais também poderiam agregar-se ao programa, o que possibilitaria uma maior nacionalização de componentes e sistemas.

SOBRE O PROJETO

Em 2004 foi anunciado pela agência espacial russa de que o provável lançamento do seu mais novo Space Shuttle, denominado KLIPER ocorreria ainda no decorrer do ano 2012, estando o veículo apto para operar a partir de 2015.

Este programa considerava o desenvolvimento de uma nova geração de naves cujo custo de aquisição e operação, seriam muitas vezes inferiores aos dos Shuttle da classe COLUMBIA e BURAN, além do fato de serem muito mais seguros.

Os KLIPER foram apresentados ao público no dia 25 de Março na EXPO-2005 em Nagoya, Japão, e de acordo com o dirigente da Agência Espacial Russa, esta nova nave seria concebida tanto para vôos à Estação Espacial Internacional (EEI) como para viagens à Lua, e que surpreendentemente teria uma variante especializada a qual poderia vir a ser a futura nave nas missões de exploração do planeta Marte.

O projeto KLIPER estaria sendo desenvolvido desde o ano 2000 embora muito recentemente muito pouco ou quase nada tem sido falado deste na mídia especializada.

O KLIPER em si compartilha com seus congêneres internacionais inúmeras características comuns, externamente esta nave é comparável ao recém cancelado mini Shuttle Europeu, HERMES ou mesmo ao Norte-Americano X-38.

Concepção artística do futuro veiculo espacial KLIPER destinado ao resgate de tripulantes da estação orbital ISS (Agência Espacial Russa)

Inicialmente o KLIPER foi planejado para ser o sucessor natural das veteranas e ainda confiáveis naves espaciais Soyuz, cuja vida útil e defasagem tecnológica requerem uma substituição a médio prazo.

Devido às dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos tempos principalmente depois do anunciado abandono do projeto pelos membros europeus da Agência Espacial Européia (ESA), os Russos tiveram que buscar novos parceiros internacionais para o desenvolvimento deste veículo.

A saída dos Europeus do projeto KLIPER, abriu oportunidades para outros países cuja ambição se encaixava perfeitamente neste programa. Países como Japão a China e Índia manifestaram interesse em participar como sócios internacionais neste projeto o que o tornou perfeitamente factível e muito atraente aos investidores internacionais e pode-se dizer aqui que seria uma boa oportunidade para as indústrias Brasileiras.

A possível entrada do Japão no programa faria do KLIPER um projeto verdadeiramente multinacional, combinando o potencial e a confiabilidade dos lançadores Russos com a eletrônica, informática e o financiamento Japoneses, produzindo uma nave espacial com características muito melhores que as dos concorrentes Europeus e Norte Americanos.

É claro que nem tudo são flores, o aparente silêncio por parte dos Japoneses que ao que parece estão tentando levar adiante isoladamente um programa deste nível, pode ser explicado pela reticência do Japão quanto ao suporte Russo, mas especificamente na sua parcela de participação.

Os Russos não estariam muito interessados em ceder certas tecnologias delegando aos parceiros apenas a participação financeira no programa, ficando eles com os louros tecnológicos do programa.

Estas são também suposições encontradas na mídia e no blá blá blá dos fóruns especializados no assunto.

O autor é da opinião de que deveríamos insistir numa iniciativa destas dado que esta possibilidade traria consigo oportunidades únicas, imperdíveis para um país como o Brasil, cujas condições não o permitiriam desenvolver sozinho um projeto deste calibre.

O custo de desenvolvimento do projeto anunciado pelas autoridades Russas, circundavam a casa de apenas US$ 600 mi, embora especialistas apontem para um valor um pouco superior, algo da ordem de US$ 3 bilhões (para o desenvolvimento e a construção até 2015).

Ainda sim, considerando a participação de 3 países, por exemplo: Japão, Rússia e Brasil, estes custos seriam ínfimos em relação aos demais programas deste tipo. Considerando-se ainda, a participação igual no desenvolvimento, teríamos que desembolsar algo como US$ 1 bi o que para 5 anos de programa poderia ser perfeitamente aceitável caso o nosso país reavaliar-se a sua política e investimentos no setor aeroespacial.

Se comparados aos custos dos demais programas em andamento ou mesmo o desenvolvimento individual de um veículo desta categoria veremos que as vantagens são claras.

Esta nave capacitaria a Comunidade Científica Brasileira, bem como demais setores nacionais interessados à explorarem e dominarem o espaço independentemente das grandes nações. Todo o dinheiro investido, retornaria para o país e ainda lançaria o Brasil na vanguarda tecnológica aeroespacial.

CARACTERÍSTICAS DO PROJETO

No lançamento o KLIPER é posicionado no nariz de um foguete lançador o que reduz em muito os custos operacionais, visto que a aerodinâmica é em muito melhorada.


Concepção artística do conjunto KLIPER / ZENIT, ilustrando seu modo de lançamento e posicionamento no nariz do possante foguete (Agência Espacial Russa)

Diversos sistemas de segurança foram considerados neste projeto, eventuais falhas no lançamento foram consideradas e sistemas de segurança garantem a ejeção da nave nestes casos, permitindo assim à tripulação assumir sua trajetória e executar os procedimentos de aterragem sem riscos, o que não é possível nos COLUMBIA.

O pouso pode ser executado como o de um avião comum sem problemas em quaisquer aeródromos cujas pistas de 3 km de extensão e também pode ser efetuado em casos críticos pelo acionamento de pára-quedas, os quais propiciam uma aterragem segura.


Representação do procedimento de reentrada e pouso, segundo o projeto original, os KLIPER alijarão os módulos de combustível previamente a reentrada, esta operação garante maior segurança as tripulações pois minimiza os riscos de incêndios e eventuais acidentes em seguida entrarão na atmosfera e executarão o vôo tal qual um planador, pousando sem problemas em pistas de aeródromos com 3 km de extensão (Agência Espacial Russa)

O projeto desta nave foi concebido em forma modular e consiste de um módulo para transporte para até 6 tripulantes, e dependendo da missão, módulos adicionais podem ser agregados, tais como módulos da missão (compartimento de cargas e módulos cargueiros adicionais) ou ainda módulos da propulsão (reservas de combustível e suprimentos para viagens mais longas).

Seu módulo de passageiros possui poltronas confortáveis para seis pessoas e o espaço interior da cabine é pelo menos cinco vezes maior que a da Soyuz.


Representação dos diferentes módulos possíveis considerados no projeto, em primeiro plano o módulo misto de transporte de tripulantes e cargas, em segundo plano o módulo de transporte de passageiros, KLIPER propriamente dito, e por último módulo extra de transporte de passageiros, cargas e combustível, (Agência Espacial Russa)


Concepção artística do módulo de transporte da tripulação demonstrando as relativas dimensões do veículo (Agência Espacial Russa)

Quando todo equipado para o lançamento o KLIPER vai pesar entre 14.5 e 18 toneladas e poderá transportar em uma típica viajem de ida para a estação orbital internacional, uma carga paga de 700 kg (sem o módulo de missão) e eventualmente trazer de volta para a terra cargas de até 500 kg.

Devido ao seu peso, o KLIPER exigirá a adoção de um foguete lançador potente e para isto estaria em estudo nos escritórios Russos o desenvolvimento de uma nova variante modernizada e potencializada do foguete ZENITI.

Cabe aqui um adendo e um destaque ao fato de que curiosamente a agencia espacial russa estuda ainda a possibilidade de desenvolvimento de um foguete com características semelhantes ao projeto ORION, foguete o qual a AEB desenvolverá em colaboração com os Russos, uma versão nacional de mesmo nome com capacidades semelhantes.



Veículo lançador ORION / KLIPER sistema de propulsor que poderia ser desenvolvido nacionalmente e que está sendo considerado no Projeto CRUZEIRO DO SUL

Os Russos alegam que devido ao seu conceito, este projeto reduzirá em muito a sobrecarga gravitacional para até 2,5 G, permitindo condições mais suaves e confortáveis no regresso a Terra.

Outro ponto levado em consideração neste programa diz respeito às manutenções, segundo os engenheiros do projeto KLIPER, estes veículos terão um nível de prontidão dezenas de vezes superior aos demais concorrentes, podendo ser lançadas de volta ao espaço, em intervalos de apenas 3 dias após a reentrada e pouso na terra. Este fator por si só lhes conferirá um nível de utilização nunca antes alcançado por um veículo de exploração espacial. Para se ter uma idéia uma vez que pousam na terra os COLUMBIA necessitam em média de 3 meses de reparos para que sejam novamente colocados em condições de vôo.


Concepção artística do sistema modular de construção do KLIPER, quando em reentrada o veículo descarta todas as seções de forma a minimizar sua massa, trazendo para terra somente os módulos necessários para sobrevivência dos tripulantes e das cargas por ele transportadas (Agência Espacial Russa)

A vida útil dos KLIPER é em 10 anos ou 25 lançamentos, perfeitamente aceitável aos nossos padrões, visto que a AEB poderia executar missões mistas, por exemplo, a cada 100 dias (considerando-se um orçamento mais realista é claro).

Para se ter uma idéia, a pioneira e marcante viagem do Cosmonauta Brasileiro Marcos Pontes, foi estimada em US$ 10 mi (excluindo-se sua formação).

Se considerada a hipótese do transporte módulo para cosmonautas e cargas estrangeiros ou mesmo de afortunados turistas espaciais, pelo valor de US$10 milhões, uma nave poderia lançar em sua vida útil (excluindo-se os satélites e demais cargas), 25 tripulações compostas por 5 cosmonautas cada (excluindo-se os pilotos).Isto geraria uma receita de US$ 1,25 bi durante sua vida útil. O custo de aquisição da nave é estimado em US$ 350 mi. Obviamente necessitaríamos enviar mais do que o piloto da nave, algo como mais 2 tripulantes nacionais e 3 caronas, ainda sim as receitas advindas poderiam tornar este programa perfeitamente viável.

Diante disto fica evidente para o autor de que considerando esta hipótese, as viagens de exploração científica por parte da AEB, poderiam ser pagas com transporte de cosmonautas estrangeiros e até mesmo afortunados turistas espaciais, viabilizando o programa e incentivando o desenvolvimento de tecnologias neste campo.

Vale ressaltar que não entraram nos cálculos as receitas advindas do “frete” das cargas e experimentos por elas transportadas, o que gerariam ainda receitas extras e superiores.

O projeto também necessitaria englobar o desenvolvimento e construção e instalação de um centro de treinamento de cosmonautas no Brasil, que poderia servir para o treinamento de nossas tripulações bem como de futuros cosmonautas de nações parceiras (outra fonte de recursos).

Muitos países poderiam com isso ter a possibilidade de lançar cosmonautas ao espaço, tal qual o fez o Brasil, aliás este é o anseio de países como, Israel, República Sul-africana e Argentina entre outros. Estes cosmonautas viajariam completando as tripulações pagando pelos serviços tal qual fizemos aos Russos.

A conquista do espaço é apenas uma questão de tempo, tempo este que nos cobrará as oportunidades perdidas, o atraso ou mesmo o descaso com este importante momento em nossa civilização nos acarretará conseqüências catastróficas.

Dominar a tecnologia de construção e operação de veículos tripulados e não tripulados destinado à exploração do espaço é o primeiro passo para a exploração competitiva e eficiente do espaço, e o projeto KLIPER, aqui denominado CARONT, parece-nos uma oportunidade imperdível e imprescindível ao nosso país.

O Programa Cruzeiro do Sul sem dúvida fez renascer o Programa Espacial Brasileiro, mas muito ainda falta ser feito...


Veículo espacial VE-01, Projeto CARONT, nas cores da Agência Espacial Brasileira


FICHA TÉCNICA

Tipo: Veiculo espacial tripulado VE
Tripulação: capacidade máxima 6 tripulantes outros 6 em módulos adicionais.
Peso: missão padrão 14.5 toneladas, máximo 17.5 toneladas. Carga paga 700 kg.
Dimensões: comprimento 12.0 m, diâmetro básico 3.9 m, envergadura 8.0 m.
Volume interno da nave: 20 m.
Modo de lançamento: Conexão ao topo de um foguete.
Modo de pouso: Aterragem tradicional em pistas de 3 km, ou por acionamento de pára-quedas.
Vida útil: estimada em 25 lançamentos e ou 10 anos.
Disponibilidade: O intervalo necessário para reparos entre missões é estimado em 3 dias, estando o veículo apto a executar 7 missões em órbita baixa num mês.


Fonte: Blog Plano Brasil

Comentário: A visão demonstrada pelo autor desse interessante artigo é um bom exemplo de um dos fatores que são determinantes para que Programa Espacial Brasileiro não tenha decolado até hoje. A falta de foco, de objetivos bem traçados, de apoio político financeiro e de gestores qualificados para administrarem o programa, soma-se a falta de visão dos órgãos que comandam as atividades espaciais do país. Não discuto a viabilidade técnica desse projeto (deixo isso para os leitores engenheiros do blog), porém acredito que seria possível a realização do mesmo tanto no campo político como financeiro se não fosse os problemas aqui já citados. É verdade que temos um bom relacionamento com os Russos na área espacial (como já foi demonstrado em diversas notas já postados aqui no blog, inclusive pela nota anterior a essa) e que existiria a principio por parte dos mesmos o interesse da participação de outras nações no projeto, já que os paises integrantes da ESA desistiram de participar. Bastaria ao Governo Brasileiro se posicionar sobre essa questão junto aos Russos para que o projeto fosse realizado e assim voltássemos a ter uma plataforma de longa duração em ambiente de microgravidade, perdida com a trapalhada tupiniquim no caso da ISS. Quem sabe até mesmo voltando a ter acesso à mesma.

sábado, 27 de junho de 2009

Tecnologia de Motores Líquidos no Brasil, Passado e Futuro


Olá leitor,

Segue abaixo um artigo escrito pelo graduando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora-MG “Victor Magno Gomes Paula” que faz uma analise histórica do desenvolvimento da Tecnologia de propulsão líquida no Brasil, apresentando também as suas novas perspectivas.

Duda Falcão

A TECNOLOGIA DE PROPULSÃO
LÍQUIDA NO BRASIL

Victor Magno Gomes Paula,
graduando em Engenharia Elétrica pela UFJF.
Membro do Centro de Pesquisas Estratégicas
“Paulo Soares de Sousa”
da UFJF
victor.magno@engenharia.ufjf.br

Iniciado em 1961 o programa de foguetes brasileiros deu seus primeiros passos quando por decisão dos Centros de Pesquisas ligados à Força Aérea Brasileira (FAB) fundaram no Estado do Rio Grande do Norte, norte do país, a Base de Foguetes de Barreira do Inferno. Inicialmente eram lançados da recém construída Base, foguetes importados dos Estados Unidos e ao mesmo tempo avançavam as pesquisas para a produção nacional destes vetores culminando com a construção poucos anos depois do pequeno e primeiro foguete de sondagem 100% nacional, o Sonda-1, seguidos de seus irmãos maiores Sonda-2, 3 e 4, em um passado recente o VS-30 e o VS-40 e o mais jovem de todos, o VSB-30 usado pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB) e também vendidos e lançados pela ESA européia.

Com base nas tecnologias desenvolvidas para os foguetes da família Sonda com destaque ao maior e mais complexo de todos, o Sonda-4, o Brasil desenvolveu sua tecnologia de propulsão utilizando combustíveis sólidos tipo composite. Tal tipo de combustível foi escolhido para equipar também os motores dos quatros estágios do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), principal projeto do Programa Espacial Brasileiro na área de lançadores.

Foi no desenvolvimento do VLS-1 que os pesquisadores brasileiros notaram que uma tecnologia primordial para os futuros nacionais ainda não era dominada em sua plenitude: a tecnologia de motores foguetes com propulsão líquida.

O Brasil e a Tecnologia de Propulsão Líquida

A pesquisa sobre propulsores a combustível líquido no Brasil iniciou-se na década de 1980, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos desenvolveu um micropropulsor monopropelente a hidrazina, testado com sucesso em 1984 e se tornando um feito pioneiro na América Latina. Posteriormente, em 1991, o mesmo instituto de pesquisas testou seu primeiro motor-foguete bipropelente.

Imagens: INPE


JORNAL ESPACIAL CNPq/INPE
Ano XI n° 55 Abril/Maio/Junho de 1984





Jornal Folha de São Paulo – Caderno Ciência
De 18/01/1991

As pesquisas continuaram, e entre os anos de 1995 e 1996, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão vinculado ao Centro de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em conjunto com o INPE, decidem desenvolver um motor refrigerado a água para estudos básicos para então projetar e construir uma câmara de combustão e injetores de um motor-foguete de 10kN de empuxo. Os estudos não foram adiante devido à falta de recursos financeiros na época.

Em 1999 foi criado no IAE/CTA o Grupo de Propulsão Líquida que iniciaram os estudos para a nacionalização do sistema de controle de rolamento do VLS-1 que utiliza motores-foguete de propulsão líquida de 400N de empuxo, cuja construção é russa, e iniciado também os estudos para o desenvolvimento do primeiro motor-foguete a querosene e oxigênio líquido.

Entre 2000 e 2002 foi projetado e construído um sistema ignitor para motores-foguete líquido baseado em ignitor gás-dinâmico.

Com os avanços obtidos, em 2001 o motor foguete de 400N desenvolvido para o sistema de rolamento já estava pronto para testes reais em bancos de testes do INPE que simulariam ambientes na atmosfera do espaço. Todos os testes foram realizados com sucesso entre os anos de 2002 e 2004.


Imagens IAE/CTA


Acima o sistema de rolamento do VLS-1 composto de 4 propulsores de 400N russos. Abaixo, em seu modelo de desenvolvimento e de vôo, o propulsor nacional que substituirá o importado.



Imagem: IAE/CTA

Ignitor Gás-Dinâmico para Motores a Propulsão Líquida

Paralelamente aos outros desenvolvimentos, o IAE iniciou ainda em 2001 os estudos para fabricação de um motor maior com 5kN de empuxo utilizando querosene e oxigênio líquido que substituiria o quarto estágio do VLS-1. O processo produtivo do motor foi realizado entre os anos de 2003 e 2004. Em 17 de novembro de 2005, o agora chamado “Motor-Foguete a Propelente Líquido de 5kN” (MFPL-5) realizou seu teste “a quente” com sucesso no banco de testes do IAE.

Os animadores resultados obtidos levaram o IAE em parceria com a empresa brasileira “Orbital Engenharia LTDA” a desenvolverem um motor-foguete maior chamado de “MFPL-15” que possui um empuxo de 15kN, com câmara de empuxo do tipo radiativa ou ablativa e empuxo no vácuo. Este motor já foi testado com sucesso e permitirá que a partir dele se desenvolva o foguete de sondagem mono-estágio recuperável VS-15.

Tanto o “MFPL-5” quanto o “MFPL-15” são motores que possuem seus tanques pressurizados a gás (hélio ou hidrogênio) dispensando o uso de turbobombas. Esta tecnologia é conhecida mundialmente como “pressure-fed cycle”, utilizado, por exemplo, nos motores-foguete “Kestrel”, ultimo estágio do foguete “Falcon 1” da empresa privada de lançamentos espaciais estadunidense “SpaceX”.


Imagens: IAE/CTA


LOX + Querosene (mcc= 1,57 kg/s; mo= 1,08 kg/s ; mf= 0,49 kg/s)
Empuxo vácuo = 5 kN (Pcâmara= 10 atm)
Impulso específico= 321 s



Esquemas do Motor-Foguete MFPL-5


MFPL-5 em Testes “a quente” no IAE em 2005


Motor-Foguete MFPL-15 em Bancada de Testes


Foguete de Sondagem VS-15 que Futuramente
Utilizará o Motor-Foguete MFPL-15


Os próximos passos do projeto são mais ambiciosos. Está projetado o motor-foguete a propelente líquido “MPFL-75” (ou L-75) que será mais complexo que os motores anteriormente descritos.
O “MPFL-75” será movido a oxigênio liquido e querosene, terá 75kN de empuxo e será provido de turbobomba com câmara de empuxo regenerativa e empuxo no vácuo. Este motor-foguete terá características semelhantes ao RD-0109 russo.

Pretende-se com este motor-foguete substituir os estágios 3 e 4 do atual VLS-1, dando origem ao VLS-1B ou na denominação do Programa Cruzeiro do Sul (PCS), VLS-Alfa. Além do “Alfa”, os demais veículos da série de lançadores “Cruzeiro do Sul” (VLS-Beta, Omega, Gama e Epsilon) farão o uso do MPFL-75 em conjunto com o maior motor (ainda não projetado) MPFL-1500 (ou L-1500) de 1500kN de empuxo, em diversas configurações.


Imagens: IAE/CTA




Dois Esquemas do MPFL-75 do IAE/CTA


Notar a Semelhança com o Motor-Foguete Russo RD-0109 (foto)


Imagem: IAE/CTA



Programa de Lançadores “Cruzeiro do Sul”


Infra-Estrutura de Testes: Aqui Se Garante o Sucesso


Baseados em seus mais importantes centros de pesquisas, em parceria com Universidades nacionais, Industria e cooperação internacional, o IAE é hoje o principal gestor do processo para a obtenção da tecnologia de propulsores líquidos no país. Para tal, este centro de pesquisa decidiu implantar o Laboratório de Propulsão Líquida (LPL) objetivando ter uma adequada infra-estrutura de testes, através de bancos para experimentos com componentes hidráulicos e injetores, de sistema pneumáticos, de turbobombas, de motores-foguete de até 20kN de empuxo e de motores foguete de até 400kN de empuxo.

Dentre a infra-estrutura já instalada, é possível citar:

- Banco de Testes em Condições Atmosféricas (Cachoeira Paulista - Estado de São Paulo) que possui condições de ensaiar câmaras com empuxo de até 2000 N, operando com tetróxido de nitrogênio e hidrazina e seus derivados (UDMH, MMH2);

- Banco de Testes com Simulação de Altitude (Cachoeira Paulista - SP) que possui capacidade para testar motores monopropelentes, em geral a hidrazina, até 150 N e, bipropelentes utilizando tetróxido de nitrogênio e MMH, até 200 N;

- Banco de Provas para Propulsão Líquida de 20kN (IAE/CTA) que possui capacidade de ensaiar câmaras de empuxo, operando com oxigênio líquido e querosene (ou álcool), de até 20 kN de empuxo;

- Recentemente foi contratada a companhia russa “Konstruktorskoe Buro Khimavtomatiky” - OSC KBKhA, como o objetivo de elaborar um complexo de testes e banco de testes para os motores-foguete a propelente líquido de até 400kN, no valor de € 850 mil. Esta é uma medida concreta em relação a parceria internacional Brasil-Russia na área de foguetes com propulsão líquida;

- Banco de ensaios hidráulicos no Laboratório de Propulsão do IAE/CTA para ensaios “a frio” de pressão-vazão, homogeneidade do jato de injetores bipropelentes, razão de mistura, dentre outros testes;

- Para o teste e o desenvolvimento de turbobombas, a proposta do IAE é adaptar seu Laboratório de Turbinas que possibilitará a realização de diversos ensaios necessários no desenvolvimento destes sistemas.


Imagens: IAE/CTA/INPE


Banco de Ensaios Hidráulicos - Laboratório de
Propulsão - ASE/IAE/CTA


Banco de Testes em Condições Atmosféricas para
Motores de Até 2000N - INPE


Banco de Provas para Motores-Foguete à Propulsão
Líquida de Até 20kN de Empuxo - IAE



Banco de Testes com Simulação de Altitude - INPE


Considerações Finais

Após anos de pesquisa e desenvolvimento de foguetes utilizando motores de propelente sólido, é fato que a tecnologia de motores a propelentes líquidos nunca foi ignorada por parte das entidades de pesquisas ligadas ao Programa Espacial Brasileiro (PEB). Tal importância se materializa hoje em pesquisas e construções de protótipos, ainda que a nível acadêmico, indicando um caminho inicial a trilhar. O importante apoio de instituições russas por meio de formação de mão-de-obra e transferência de tecnologia também não deve ser esquecido.

É interessante destacar que este tipo de tecnologia nos remete à década de 30 quando foram realizados os primeiros estudos do emprego de propelentes líquidos em foguetes, amadurecendo o conceito nos anos 40 durante a Segunda Guerra Mundial e os foguetes alemães A-4, mais conhecidos como V-2.

A estratégia que hoje se propõe em adotar o IAE/CTA, comprando um projeto russo de motor-foguete e posteriormente o nacionalizando se mostra acertada, principalmente quando tomamos como base os programas espacial chinês e indiano que foram baseados exatamente nestes moldes, obtendo sucessos relevantes. O uso de um motor-foguete como o RD-0109 russo, mesmo sendo este um projeto empregado nos foguetes na família R-7 soviéticos dos anos 50, pode ser vantajoso para o país, uma vez que os métodos que poderão ser empregados para a fabricação dos componentes destes motores não significariam maiores problemas dada a evolução dos processos industriais presentes no Brasil, possibilitando um desejado aperfeiçoamento desse engenho e assim antecipando etapas que fazem diferença em um programa já bastante atrasado.

O domínio de um processo tão complexo não poderia avançar sem uma base sólida de experimentações e para isso estão sendo instalados bancos de testes para vários sistemas específicos deste sistema. É destacada a participação da indústria nacional neste sentido, provendo tais sistemas quando possível e em parceria com os centros de pesquisa nacionais.

Os passos seguintes marcarão o futuro de PEB. O sucesso do VLS-1B (Alfa no PCS) previsto para 2013, marcará o futuro das pesquisas na área nos próximos anos, e pelo que se nota a parceria com a Federação Russa não ficará em segundo plano dado o bom histórico de cooperação entre os dois países no setor espacial. Logicamente, sem os devidos aportes de recursos não será possível o cumprimento das metas e prazos previamente estabelecidos.

Um programa espacial bem estruturado tem reflexos em diversos setores da sociedade civil. Muitos produtos em uso em nosso cotidiano são frutos de pesquisas realizadas para o setor espacial. No Brasil, além de importantes benefícios civis, não é possível dissociar a contribuição que o desenvolvimento das tecnologias associadas dariam à área de defesa, com novos produtos específicos para o imediato emprego operacional.

Referencias Bibliográficas

CTA - Ciência e Tecnologia para Defesa Nacional, Brig. Eng. Venâncio Alvarenga Gomes - 62° Fórum de Debates Projeto Brasil / Dezembro 2008.

O Desafio da Propulsão Líquida no Brasil - CTA/IAE - 1° SBPL/Associação Aeroespacial Brasileira, Cel. Av. José Carlos Argolo. http://www.aeroespacial.org.br

Capacitação em Propulsão Líquida no IAE, Ten. Cel. Av. Fausto Ivan Barbosa - CTA/IAE - 1° SBPL/Associação Aeroespacial Brasileira. http://www.aeroespacial.org.br

A infra-estrutura para testes de motor foguete a propelentes líquidos, Maj. Av. Avandelino Santana Junior - CTA/IAE - 1° SBPL/Associação Aeroespacial Brasileira. http://www.aeroespacial.org.br

OBS: Devido ao artigo esta protegido, nem todas as fotos são as originais.


Fonte: Site da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG

Comentário: Grande e esclarecedor artigo escrito por esse aluno da UFJF, demonstrando que o Brasil encontra-se no caminho certo nessa área de propulsão líquida. Espero sinceramente que os planos apresentados nesse artigo sejam alcançados no menor espaço de tempo possível, mas para que isso possa acontecer será necessário um apoio incondicional do Governo e do Congresso brasileiro. Gostaria de agradecer de público ao leitor José de Arimatéia Fontainha de Carvalho que me enviou por e-mail esse artigo esclarecendo de vez para os leitores o que foi feito e o que ainda será feito no Brasil na área de propulsão líquida.