sexta-feira, 22 de setembro de 2017

BAR Divulga Categorias e Regras do V Festival Brasileiro de Minifoguetes 2018

Olá leitor!

Foi postado no dia (17/09) no "Blog Minifoguete", uma nota da Comissão de Eventos da Associação Brasileira de Minifoguetes (ABMF)  / Brazilian Association of Rocketry (BAR) tendo como destaque as categorias e regras para o “V Festival Brasileiro de Minifoguetes 2018”, veja abaixo.

Duda Falcão

Comissão de Eventos da BAR

Categorias e Regras das Competições
(atualizado em 17 Set 2017)

Tabela 1. Definição das categorias e seus objetivos do Festival-2018

Categoria
Objetivo
Nível de ensino
Tipo de categoria
Limite de lançamentos
Fundamental
Tempo de voo total de 7 s
Fundamental
Tempo exato
     5
H50-médio
Apogeu de 50 m
Médio
Apogeu exato
     5
H50
Apogeu de 50 m
Livre
Apogeu exato
    10
H100
Apogeu de 100 m
Livre
Apogeu exato
    10
H200
Apogeu de 200 m
Livre
Apogeu exato
    10
H500
Apogeu de 500 m
Livre
Apogeu exato
    10
H1k
Apogeu de 1000 m
Livre
Apogeu exato
    10

1) Definição das categorias, objetivos e regras gerais:

1) As categorias do V Festival Brasileiro de Minifoguetes estão definidas na tabela 1, bem como os respectivos níveis de ensino dos membros de cada equipe, o tipo e objetivo de cada categoria. Também é apresentado o número máximo de lançamentos que serão feitos em cada categoria.

2) Em cada categoria do tipo apogeu exato, o vencedor será a equipe cujo minifoguete atingir o apogeu mais próximo do apogeu especificado no objetivo. Na categoria Fundamental, o vencedor será a equipe cujo tempo de voo total do minifoguete for o mais próximo do tempo de 7 segundos.

3) A tabela 2 apresenta para cada categoria o recorde brasileiro atual e o intervalo válido para premiação.

Tabela 2. Intervalos válidos para premiação em cada categoria do Festival-2018

Categoria
Recorde brasileiro
Intervalo válido para premiação
Fundamental
    sem
    5,00 a    9,00 s
H50-médio
    sem
   20    a   80 m
H50
     50 m
   35    a   65 m
H100
    103 m
   70    a  130 m
H200
    200 m
  140    a  260 m
H500
    506 m
  350    a  650 m
H1k
   1126 m
  700    a 1066 m
Recordes brasileiros atualizados em 13 Set 2017

4) Os minifoguetes deverão ser lançados verticalmente.

5) Cada equipe poderá tentar até duas vezes ignitar o motor de cada minifoguete em cada categoria. Caso não consiga ignitar, deverá substituir o motor e/ou minifoguete e poderá fazer uma nova e última (terceira) tentativa de ignitar o motor.

6) Cada equipe poderá lançar um minifoguete em cada categoria. Um mesmo grupo de foguetes só poderá participar com uma equipe em cada categoria. Entende-se por grupo de foguetes o conjunto formado por uma ou mais equipes de foguetes que têm o mesmo líder, instituição ou laboratório.

7) Cada equipe será responsável por encontrar o seu minifoguete após o voo.

8) Método para determinar o apogeu: altímetro eletrônico a bordo que registre a trajetória desde o lançamento até a caracterização do apogeu alcançado; não serão aceitos altímetros que só registram o apogeu.

9) Nas categorias do tipo apogeu exato, cada equipe deverá usar obrigatoriamente em seu minifoguete um altímetro fornecido pela Organização do Festival. Juntamente poderá incluir um ou mais altímetros da própria equipe, comerciais e/ou caseiros. Se o altímetro da Organização do Festival for perdido ou danificado, a equipe terá que devolver outro igual.

10) Nas categorias do tipo apogeu exato, o resultado oficial do voo será o do altímetro da Organização do Festival. Caso este apresente algum tipo de defeito, a critério da Organização do Festival, será aceito o resultado de outro altímetro no minifoguete, desde que do tipo comercial.

11) Nas categorias do tipo apogeu exato, se por qualquer motivo não puder ser lido o apogeu de um altímetro, o valor será considerado nulo. Apenas com a finalidade de classificar os resultados de cada categoria, poderá ser usada uma estimativa visual do apogeu, sem validade para premiação.

12) As três equipes com os melhores resultados em cada categoria serão premiadas com um certificado e troféu, desde que o resultado do minifoguete esteja no intervalo válido da respectiva categoria na qual concorre, conforme indicado na tabela 2.

13) Método para determinar o tempo de voo total: 3 ou 4 cronômetros baseados em solo e operados manualmente por membros da Organização do Festival. O resultado oficial será a média dos 2 cronômetros com resultados mais próximos, desde que a diferença individual deles para a média seja menor ou igual a 5%; caso contrário, o resultado não será válido para premiação.

2) Regras sobre as equipes:

1) Cada equipe deverá fazer a sua inscrição no prazo estipulado pela Organização do Festival, pagando uma taxa por equipe. O valor pago não será devolvido no caso de desistência da equipe ou indeferimento da inscrição.

2) Para as categorias H50, H100, H200, H500 e H1k, não há qualquer restrição sobre as equipes das competições em relação ao número de membros, nível de escolaridade (estudante ou não estudante), curso, instituição, idade etc; inclusive, uma equipe poderá ser constituída por uma única pessoa.

3) Na categoria H50-médio, todos os membros da equipe (exceto os orientadores) deverão estar cursando o ensino médio ou terem concluído o ensino médio em 2017.

4) Na categoria Fundamental, todos os membros da equipe (exceto os orientadores) deverão estar cursando o ensino fundamental ou terem concluído o ensino fundamental em 2017.

5) Não há limite no número de equipes de uma mesma instituição de ensino, nem quanto à sua constituição, se de um ou mais cursos.

6) Uma mesma equipe poderá participar das categorias que quiser, entre uma e todas, desde que não haja conflito com as normas anteriores.

7) Cada equipe terá que arcar com as suas despesas de viagem, hospedagem, transporte e alimentação durante o evento.

8) Cada membro de equipe menor de 18 anos deverá apresentar uma autorização de seus responsáveis, que permita participar das competições.

9) Cada participante terá que assinar uma declaração na qual se responsabilizará por qualquer dano causado por seus minifoguetes e sua participação no evento.

10) Nos locais do evento, ninguém poderá fumar, consumir bebida alcoólica ou substâncias proibidas.

11) Cada equipe deverá fazer a inscrição de seus membros no prazo estipulado pela Organização do Festival, pagando uma taxa por membro. Os valores pagos não serão devolvidos no caso de desistência da equipe inteira ou de parte da equipe ou indeferimento da inscrição.

3) Regras sobre os motores-foguete:

1) A tabela 3 especifica o tipo de motor que poderá ser usado em cada categoria em relação à sua fabricação, se comercial (industrializado, vendido por empresas) ou não comercial (fabricado pela própria equipe, desenvolvimento próprio, artesanal ou experimental).

2) A tabela 3 também especifica a classe máxima de motor que poderá ser usado em cada categoria, conforme a classificação de motores da NAR (National Association of Rocketry).

Tabela 3. Tipo de motor e classe por categoria do Festival-2018

Categoria
Tipo de motor
Motor-limite
Fundamental
Comercial
Classe ½A
H50-médio
Comercial
Classe A
H50
Comercial
Classe A
H100
Comercial
Classe B
H200
Comercial ou não comercial
Classe E
H500
Não comercial
Classe I
H1k
Não comercial
Classe J

3) Poderão ser usados motores-foguete com qualquer tipo de propelente, desde que não seja tóxico. Por exemplo, podem ser usados nitratos/açúcar e pólvora negra.

4) Poderão ser usados motores-foguete fabricados no Brasil ou no exterior.

5) Poderão ser usados motores-foguete constituídos por qualquer tipo de material.

6) Quantidade de motores em cada minifoguete: um.

7) Quantidade de estágios em cada minifoguete: um.

8) No caso de motor não comercial, ele deverá ter sido desenvolvido pela própria equipe. Não será permitido que uma equipe use motor não comercial de outra equipe, com ou sem permissão desta; se isso for constatado a qualquer tempo, a equipe será desclassificada.

9) Para cada categoria, no caso de motor não comerciala equipe deverá fazer a inscrição do seu motor no prazo estipulado pela Organização do Festival, pagando uma taxa. O valor pago não será devolvido no caso de desistência da equipe ou indeferimento da inscrição. Com base nesta inscrição, poderá ser indeferido o uso do motor no evento, por ser considerado inseguro. É recomendado que sejam feitos no mínimo três testes do motor antes do evento; os dados e resultados serão solicitados na inscrição do motor, bem como os dados do motor a ser usado no evento.

4) Regras sobre os minifoguetes:

1) Cada equipe deverá projetar e fabricar ou montar os seus minifoguetes.

2) Cada equipe terá que arcar com as despesas de desenvolvimento e testes de seus minifoguetes.

3) Poderão ser usados minifoguetes constituídos por qualquer tipo de material.

4) Exceto na categoria Fundamental, é obrigatório que cada minifoguete tenha algum sistema de recuperação por paraquedas, fita etc para reduzir a velocidade de queda do minifoguete e permitir que ele seja visível durante a queda, evite acidentes e não danifique o altímetro a bordo. Logo após a sua recuperação, o minifoguete deverá estar em condições (sua estrutura) para ser relançado; admite-se exceção em relação às empenas.

5) Cada equipe será responsável pelo lançamento dos seus minifoguetes, com sua própria rampa de lançamento e sistema de ignição. Sob pedido, a Organização do Festival poderá emprestar as suas rampas de lançamento e sistemas de ignição.

6) O sistema de ignição não poderá ser pirotécnico ou automático. O lançamento do minifoguete deverá ser controlado pelo ignitista. A ignição terá que ser elétrica.

7) Depois de pronto em sua rampa de lançamento, o minifoguete deverá estar preparado para suportar uma espera de até uma hora para ter autorização para o seu lançamento, sem qualquer intervenção da equipe.

8) O projeto do minifoguete deverá ser de autoria de cada equipe. Não será permitido que uma equipe use o projeto de outra equipe, com ou sem permissão desta; se isso for constatado a qualquer tempo, a equipe será desclassificada.

9) Para cada categoriaa equipe deverá fazer a inscrição do seu minifoguete no prazo estipulado pela Organização do Festival, pagando uma taxa. O valor pago não será devolvido no caso de desistência da equipe ou indeferimento da inscrição. Com base nesta inscrição, poderá ser indeferido o uso do minifoguete no evento, por ser considerado inseguro. É recomendado que sejam feitos no mínimo dois voos-teste antes do evento; os dados e resultados serão solicitados na inscrição do minifoguete, bem como os dados do minifoguete a ser usado no evento.

10) Desde que sejam atendidas as restrições acima, as equipes têm liberdade para fabricar e montar os seus minifoguetes da forma que quiserem, usando componentes ou kits comerciais ou de fabricação própria, importados ou nacionais.

5) Locais a serem realizados os lançamentos dos minifoguetes:

1) Centro Politécnico da UFPR, campo de futebol 1 do CED, em Curitiba (PR). Altitude: 910 ± 2 m. https://www.google.com.br/maps/@-25.4530761,-49.2361112,90m/data=!3m1!1e3?hl=pt-BR

2) Fazenda Canguiri da UFPR, NITA, em Pinhais (PR). Altitude: 910 ± 5 m. https://www.google.com.br/maps/@-25.3986793,-49.1237209,495m/data=!3m1!1e3?hl=en

Dependendo da direção do vento, o local exato de lançamento poderá variar dentro de um raio de 50 m no Centro Politécnico e 500 m na Fazenda Canguiri em relação às coordenadas informadas acima.

6) Disposições finais:

1) Por motivo de força maior, para aumentar a segurança dos participantes ou para maior clareza, as regras acima poderão ser alteradas a qualquer momento pela Organização do Festival.

2) Também integram as regras do Festival 2018: o protocolo para lançamento de espaçomodelos; o protocolo para lançamento de minifoguetes experimentais; e as regras de pontuação para inscrição e autorização de lançamento. Todas serão divulgadas em breve.

3) O Festival não é um evento para testes. O Festival é um evento para exibição dos melhores minifoguetes brasileiros!

4) Casos omissos serão resolvidos pela Comissão de Eventos da BAR.

5) Qualquer pessoa ou equipe/grupo de foguetes pode propor alterações justificadas sobre essas regras que serão analisadas pela Comissão de Eventos da BAR.

7) Informações sobre o evento:

Site do evento: http://www.foguete.ufpr.br/


Facebook do evento: https://www.facebook.com/groups/minifoguete/ (peça a sua inclusão no grupo)

Grupo do evento no WhatsApp: Festival de Minifoguetes (peça a sua inclusão no grupo)





Fonte: Blog “Minifoguete“ - http://minifoguete.blogspot.com.br

Brasil Quer Liquidar Empresa Com a Ucrânia Após Fracasso de Foguete

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (21/09) no jornal “Folha de São Paulo” destacando que o Brasil quer liquidar empresa com a Ucrânia após o fracasso do projeto.

Duda Falcão

CIÊNCIA

Brasil Quer Liquidar Empresa Com a
Ucrânia Após Fracasso de Foguete

Por Isabel Fleck
Enviada Especial à Nova York
21/09/2017 – 21h51

O governo brasileiro quer liquidar a empresa binacional ACS (Alcântara Cyclone Space), formada com a Ucrânia para o lançamento de foguetes do país com satélites comerciais da base de Alcântara, no Maranhão.

Em 2015, o governo federal decidiu cancelar o acordo bilateral para o lançamento dos satélites, depois que os dois governos gastaram aproximadamente R$ 1 bilhão na empreitada fracassada.

"A empresa tem que ser liquidada, né? No próprio acordo que firmamos com a Ucrânia se prevê a forma de liquidação do Brasil e da Ucrânia. Nós não podemos continuar com uma empresa inativa com uma despesa mensal. É preciso de prazo para isso", disse o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, após se encontrar com o homólogo ucraniano, Pavlo Klimkin, em Nova York.

Segundo Aloysio, é preciso "ver o que se gastou, o que está pendente". "Como receberemos a vista do ministro do Comércio ucraniano em outubro, ele irá já com uma posição sobre como eles querem lidar com isso", disse Aloysio.


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 21/09/2017

Comentário: Pensei que o processo de liquidação desse desatino já havia se iniciado há muito tempo, mas pelo visto o povo brasileiro continua pagando pelo maior erro do Programa Espacial Brasileiro (PEB) em toda a sua história. Desastre pré-anunciado gerado exclusivamente por interesses políticos no primeiro Desgoverno LULA, este acordo jamais deveria ter sido assinado, apesar do apelo da comunidade científica na época, mas esses vermes populistas merda brincam de fazer programa espacial desde o Desgoverno do Fernando Collor e o utilizam como peça de manipulação em prol de seus interesses nefastos quando oportunidades surgem, ou quando são criadas para dar sustentação as suas necessidades políticas nada benéficas a nação. Este, por exemplo, foi o caso desse desastroso acordo Brasil/Ucrânia. Gostaria aqui de agradecer ao nosso leitor Bernardino Silva pelo envio dessa notícia.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Brasileiros Participam do Maior Experimento do Mundo Sobre a Origem dos Raios Cósmicos

Olá leitor!

Segue abaixo nota postada hoje (21/09) no site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), destacando que Brasileiros participam do maior Experimento do Mundo Sobre a Origem dos Raios Cósmicos.

Duda Falcão

NOTÍCIAS

Brasileiros Participam do Maior Experimento
do Mundo Sobre a Origem dos Raios...

Por ASCOM
Publicado 21/09/2017 - 10h11
Última modificação 21/09/2017 - 15h01

Fonte: Observatório Pierre Auger
Observatório Pierre Auger está localizado na Argentina,
a 1,4 mil metros acima do nível do mar.

O Observatório Pierre Auger – o maior experimento do mundo dedicado ao estudo e à detecção das partículas mais energéticas da natureza – acaba de revelar mais um dado importante sobre a origem dos chamados raios cósmicos, que bombardeiam a Terra a todo instante. Em artigo publicado na revista Science, a colaboração internacional – que conta com significativa participação de pesquisadores e tecnologistas brasileiros – mostra, com base em dados colhidos por mais de uma década, que determinados os raios cósmicos, chamados de ultraenergéticos, vêm de fora da Via Láctea, de galáxias “distantes”.

Essa conclusão é importante para entender não só a origem dessas ainda misteriosas partículas, mas também os mecanismos cósmicos capazes de imprimir tamanha energia a essas diminutas entidades subatômicas, que podem viajar enormes distâncias – medidas em trilhões de quilômetros (anos-luz) – através do espaço e chegar à Terra carregando energias extremas. Esse resultado é mais uma peça em um extenso quebra-cabeça de dúvidas e incertezas que se iniciou ainda por volta de 1910 sobre a natureza e a origem desses núcleos.

“Do ponto de vista científico, é um dos resultados mais importantes nessa área nas últimas décadas”, afirmou o diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Ronald Cintra Shellard, um dos 30 pesquisadores brasileiros que participam da colaboração internacional.

Ele lembra que Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), CNPq e FINEP apoiaram os estudos, além das fundações de amparo à pesquisa de São Paulo (FAPESP) e do Rio de Janeiro (FAPERJ). “Parte significativa dos equipamentos do Observatório Pierre Auger foi produzida no Brasil”, acrescenta Shellard.

O ministro Gilberto Kassab destacou a importância da pesquisa científica brasileira e da ação articulada de entidades vinculadas ao MCTIC e ao sistema brasileiro de estudos científicos. “Felicito os cientistas do país por esse projeto e ressalto que a busca por respostas para desafios de ciência e tecnologia como este tem como horizonte não só o desenvolvimento do saber como implicação para a sociedade, a economia e diversos outros significados”, disse.

“Saliento o papel que cumprem no desenvolvimento científico projetos com participação de nosso ministério, de entidades como a Finep, e também de órgãos estaduais como a Fapesp e FAPERJ”, completou.

Raios Cósmicos

Apesar do nome, raios cósmicos são basicamente núcleos atômicos – leves, como o do hidrogênio, ou pesados, como o do ferro – que chegam à Terra a todo instante. Ao atingirem a atmosfera terrestre, a cerca de 10 km a 20 km de altitude, chocam-se contra núcleos atômicos do ar (nitrogênio, oxigênio etc.), gerando, por meio dessas colisões, centenas ou milhares de outras partículas, que seguem rumo ao solo, quase à velocidade da luz (cerca de 300 mil km/s), na forma de uma “chuveirada”. A cada instante, uma pessoa é atravessada por dezenas das partículas desse “chuveiro”, sem que isso cause problemas à saúde.

Raios cósmicos são classificados segundo a energia que carregam. Para medir essa grandeza, os físicos usam uma unidade chamada elétron-volt (eV), que, apesar de pequena quando comparada a energias de nosso cotidiano, é adequada para fragmentos de matéria (núcleos) que são bilhões e bilhões de vezes menores que um simples grão de areia. Os menos energéticos – que vêm do Sol e têm energia na casa dos 109 eV (1 bilhão de elétrons-volt) – são comuns: cada metro quadrado da Terra recebe um deles por segundo. Os de energia intermediária (por volta de 1016 eV) têm sua origem na morte explosiva de estrelas maciças – fenômeno denominado supernova – e são menos corriqueiros: uma para cada metro quadrado por ano.

No entanto, a atenção das centenas de pesquisadores do Observatório Auger está voltada para os de mais alta energia: os ultraenergéticos (acima de 1018 eV), que podem carregar a energia de uma bola de tênis viajando a cerca de 100 km/h – o que é admirável para um corpo tão diminuto. Os ultraenergéticos são raríssimos: um evento a cada 100 anos por km2.

Por isso, o Observatório Auger – homenagem ao físico francês Pierre Auger (1899-1993), um dos grandes especialistas em radiação cósmica do século passado – foi pensado para cobrir uma área de 3 mil km2 , ou seja, para ser capaz de detectar cerca de 30 desses eventos por ano.

O artigo na revista Science mostra que os ultraenergéticos acima de 8 x 1018 eV são produzidos fora da Via Láctea. Esses resultados do Auger indicam que a direção de chegada dos ultraenergéticos não é distribuída homogeneamente no céu, mas, no entanto, favorece certa direção, o que indica que esses raios cósmicos têm sua origem em galáxias “distantes”, mas que, em termos astronômicos, podem ser ditas como pertencentes à “vizinhança” da Via Láctea.

Observatório 

O Observatório Auger e sua gigantesca rede de detectores – tanques cheios de água puríssima e telescópios com o formato de “olhos de mosca” – ocupam um platô dos pampas argentinos, em Malargüe, na província de Mendoza, a 1,4 mil metros acima do nível do mar. As partículas do “chuveiro cósmico” gera luz tanto na água no tanque (radiação Cerenkov) quanto na atmosfera (ultravioleta tênue), captada pelos telescópios. Com base na análise desses dois tipos de luz, entre outros dados, é possível extrair várias informações sobre o raio cósmico (dito primário) que iniciou a cascata de partículas no alto da atmosfera.

O Observatório Pierre Auger começou a ser idealizado em 1992 e apresentou os primeiros resultados em 2004. Esse experimento de US$ 50 milhões é formado por mais de 100  instituições de 16 países, totalizando algo em torno de 500 pesquisadores, tecnologistas e pós-graduandos. Atualmente, nove instituições brasileiras e cerca de 30 pesquisadores do Brasil fazem parte do Auger – muitos deles, desde o início do projeto.

Um Pouco de História 

Há pouco mais de 100 anos, ocorreram os experimentos que levaram à conclusão de que os raios cósmicos deveriam ter origem extraterrestre – daí o qualificativo “cósmico” que essas partículas receberam ainda na década de 1920. Já o termo “raios” vem do fato de se achar que eram partículas de luz muito energéticas (raios gama). A descoberta da origem rendeu ao físico austríaco Victor Hess (1883-1964) o Nobel de Física de 1936. Nas décadas seguintes, experimentos com raios cósmicos foram responsáveis pela descoberta de inúmeras novas partículas (káons, mésons, híperons etc.).

A física de raios cósmicos teve como um dos seus pioneiros no Brasil o físico César Lattes (1924-2005), fundador do CBPF em 1949 e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na segunda metade da década de 1940, a participação daquele jovem físico brasileiro foi decisiva para a detecção do méson pi – partícula que serve como “cola” dos prótons e nêutrons, mantendo o núcleo atômico coeso. Essa detecção se deu tanto na radiação cósmica em experimentos realizados na Universidade de Bristol (Reino Unido) e no monte Chacaltaya (Bolívia) em 1947 quanto no então maior acelerador de partículas do mundo, o sincrociclótron de 184 polegadas na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), no ano seguinte. Por seus feitos, Lattes recebeu sete indicações para o prêmio Nobel de Física.


Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC)

AEB Investe em Projeto Que Aumenta Vida Útil de Satélites e Naves Espaciais

Olá leitor!

Segue abaixo a nota postada hoje (21/09) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB), destacando que a agência está investindo em projeto que aumenta vida útil de satélites e naves espaciais.

Duda Falcão

AEB Investe em Projeto Que Aumenta
Vida Útil de Satélites e Naves Espaciais

Coordenação de Comunicação Social – CCS
21/09/2017

Fotos: Laboratório de Física de Plasmas (LFP)

Uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Universidade de Brasília (Unb), por meio do programa Uniespaço, vai impulsionar nos próximos anos a área espacial brasileira. Trata-se do desenvolvimento de pesquisas de propulsores a plasma tipo Hall, que entre diversas funcionalidades, otimizam e aumentam a vida útil de satélites geoestacionários e naves espaciais.

As pesquisas são desenvolvidas no Laboratório de Física de Plasmas da UnB e os resultados aplicados no projeto científico voltado para a realização de trabalhos técnicos de professores e estudantes. O projeto tem o objetivo de integrar o setor universitário às metas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), a fim de atender à demanda tecnológica do setor no desenvolvimento de produtos e processos, análises e estudos, para formar uma base sólida de pesquisa capazes de executar projetos de interesse da área espacial.

Precursor em universidades brasileiras, o LFP estuda também as aplicações dos plasmas para o aprimoramento de tecnologias ambientais, novos materiais, nanotecnologia e pesquisas relacionadas com a fusão termonuclear controlada.

De acordo com o coordenador do projeto, José Leonardo Ferreira, professor de Física da UnB, o estudo da propulsão espacial com plasmas é essencial para o aperfeiçoamento de missões espaciais de longa duração. O estudo da propulsão elétrica muito nos últimos 20 anos com a aplicação desses propulsores no controle de satélites de órbita baixa, média e geoestacionária, bem como de veículos espaciais em missões no sistema solar. Ele ressaltou ainda, que a expectativa é que a tecnologia de propulsores a plasma seja utilizada em missões tripuladas a Marte a partir de 2050.

Componente 

O plasma é um gás ionizado composto por igual número de elétrons e de íons também conhecido como o quarto estado da matéria. Ele possui as mais altas temperaturas é o componente principal das estrelas, nebulosas e galáxias e por isso constitui 99% da matéria do universo visível.

Segundo o professor Leonardo, na Terra o plasma precisa de condições especiais para ser produzido, por isso o desenvolvimento e teste de propulsores a plasma precisarem de recipientes a vácuo e de equipamentos especiais para produção de forma controlada.

Desenvolvido com a colaboração de pesquisadores da Rede Brasileira de Propulsão Elétrica, participam do projeto pesquisadores dos Laboratórios Associados de Plasma e de Combustão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Faculdades de Tecnologia da UnB (FT e FGA) com destaque para os laboratórios de propulsão Aeroespacial do recém-criado curso de Engenharia Aeroespacial da UnB.

Investimento

Para realizar pesquisas e testes dos propulsores a plasma no laboratório da UnB, a Agência Espacial investiu na instalação de equipamentos adequados e de uma nova câmara de vácuo, adquirida em janeiro de 2017. O equipamento deve contribuir em breve para a realização das pesquisas desenvolvidas por alunos dos cursos de Física e Engenharia, e também para realização de trabalhos de iniciação científica, estágios, mestrado e doutorado.

Foto: Nova câmara de vácuo instalada no LFP.

O laboratório desenvolve propulsores a plasma do tipo Hall designados como Phall.  Já foram desenvolvidos os modelos Phall I Phall IIa, IIb e IIc. Eles possuem em comum um arranjo de imãs permanentes posicionados em um canal com geometria cilíndrica. A posição dos imãs e as dimensões do canal da corrente Hall são calculados a partir de simulação computacional para obter as características do plasma e dos campos magnéticos com maior eficiência do propulsor. O campo magnético obtido a partir de imãs permanentes produz uma substancial economia na potência elétrica do propulsor.

O Phall IIc é o propulsor que está sendo aperfeiçoado hoje na UnB. Um dos principais objetivos imediatos do projeto é tornar o Phall mais compacto para testá-lo no espaço em pequenos satélites, com potência inferior a 100 watts.

“Esperamos que no futuro seja possível desenvolver e testar propulsores a plasma do tipo Hall mais potentes que possam vir a serem utilizados em missões espaciais brasileiras a lua ou mesmo a planetas e pequenos corpos do sistema solar.

Foto: Propulsor Phall montado na câmara de vácuo
para testes e diagnósticos de plasma.
Foto: Propulsor Phall em funcionamento
no interior da câmara de vácuo.

José Leonardo ressaltou ainda que o LFP tem participado de forma ativa nas ações propostas para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro contribuindo com novas e desafiadoras missões espaciais, como por exemplo, a Missão ASTER (Missão a um asteroide triplo próximo utilizando propulsão elétrica), proposta para a AEB alavancar a primeira missão brasileira de espaço profundo.

A propulsão elétrica foi testada no espaço pela primeira vez na década de 1960, no lançamento dos satélites SERT I e II, ambos operados pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa). Desde a época, missões espaciais que utilizam essa tecnologia têm como principal objetivo controlar altitude e órbita de satélites geoestacionários. A participação de empresas na área é cada vez maior, uma vez que esta tecnologia contribui significativamente para o aumento da vida útil desses satélites.

O LFP desenvolve propulsores elétricos do tipo Hall desde 2004, com o apoio de agências de fomento, como a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Aplicações Espaciais

O LFP foi criado em 1995, sendo o desenvolvimento de fontes de plasma para aplicações espaciais iniciado em 2002, com a montagem do primeiro propulsor a plasma do tipo Hall com imãs permanentes, como o Phall I que serviu para demonstrar a viabilidade dessa nova tecnologia.

O projeto possibilita a elaboração e publicação de vários trabalhos técnico- científicos e a participação de estudantes e professores em congressos nacionais e internacionais, assim como a elaboração de cursos e disciplinas com foco na área espacial ministradas anualmente na UnB.


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Bom leitor sou um admirador do trabalho que vem sendo realizado pelo Prof. José Leonardo Ferreira na UnB nesta área de Propulsão a Plasma desde que tomei conhecimento de sua existência. Entretanto,  vamos falar sério, se juntarmos a atual conjuntura política que o país enfrenta, a forma descompromissada e desinteressada de como o PEB é conduzido por esses vermes do atual desgoverno TEMER, e a incompetência reinante na gestão dessa desprestigiada e insignificante Agencia Espacial de Brinquedo (AEB), não existe a menor possibilidade dessa tecnologia ser utilizada em voo em alguma missão espacial brasileira, e deverá ser objeto de pesquisas acadêmicas que se repetirão por décadas sem que o investimento feito traga o resultado prático que deveria trazer. Servirá apenas para formar especialistas na área que acabarão se debandando para outros projetos espaciais sérios ao redor mundo ou optarão por seguir outros rumos em outras áreas onde essa tecnologia a plasma pode ser aplicada.

INPE e OMM Realizam Simpósio Sobre Dados Meteorológicos

Caro leitor!

Segue abaixo leitor uma nota postada hoje (21/09) no site oficial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destacando que o instituto e o Organização Meteorológica Mundial (OMM) realizaram Simpósio Sobre Dados Meteorológicos em Florianópolis (SC).

Duda Falcão

INPE e OMM Realizam Simpósio
Sobre Dados Meteorológicos

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Enfrentar os desafios e desencadear inovações em métodos avançados de assimilação de dados para um amplo espectro de aplicações na ciência do sistema atmosférico, oceânico e do sistema terrestre.

Esta foi a proposta do 7° Simpósio Internacional em Assimilação de Dados, que reuniu cientistas de 18 países em Florianópolis (SC) entre os dias 11 e 15 de setembro.

O evento foi organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), através de seu Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

“Participaram em torno de 200 pessoas, a maioria do Brasil, mas também dos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Argentina, Canadá, Austrália, China, Coreia do Sul, Japão etc.”, informou Dirceu Luís Herdies, pesquisador do CPTEC/INPE e um dos responsáveis pela organização do evento.

Pesquisadores do mundo todo se reuniram em Florianópolis.
Participantes do 7° Simpósio Internacional em Assimilação de Dados.


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)